segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

NOVAS NORMAS DO TCU PODERÃO
SOTERRAR A OPERAÇÃO LAVA JATO 
Às pressas, o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou, em plena quarta-feira de cinzas e sem ouvir o Ministério Público do próprio colegiado, a Instrução Normativa (IN) nº 74, de 2015. O texto determina que os acordos de leniência firmados na esfera administrativa pela Controladoria-Geral da União (CGU) com pessoas jurídicas envolvidas em fraude de licitação e contratos celebrados com a União, serão submetidos à apreciação da Corte em julgamento ultra sigiloso.  Apesar de tentar inibir eventuais desvios do âmbito do Poder Executivo, o regulamento gera riscos.
Para a Presidente da Associação Nacional dos Auditores de Controle Externo dos Tribunais de Contas do Brasil (ANTC) e Auditora Federal de Controle Externo do TCU, Lucieni Pereira, acordos de leniência com pessoas jurídicas para a esfera administrativa podem dificultar a atuação do Ministério Público e do Poder Judiciário na condução das ações cíveis de improbidade administrativa e, em especial, nas ações penais. “Ainda que homologada na esfera de controle externo”, explica.
Para ela, esse é um aspecto importante e que deve entrar na pauta da discussão. “Se isso não acontecer, pode-se instaurar um quadro de insegurança jurídica e causar um mal maior para toda sociedade, tal como colocar em risco a “Operação Lava Jato” e outras importantes que estão por vir sempre que houver enfrentamento político-econômico de grandes proporções”, aponta.
De acordo com Lucieni, em se tratando de prática de ilícito contra a administração pública, o processo deveria ser conduzido pelo Poder Judiciário. Os magistrados são competentes pela aplicação das sanções mais severas na esfera penal a partir da provocação privativa dos membros do Ministério Público.
A presidente lembra que os mais de 11 mil órgãos de controle interno, órgãos e entidades executivos da administração pública federal, estadual e municipal não são dotados de poder de polícia para aplicar multas administrativas em particulares (pessoas físicas e jurídicas) como foi disciplinado na Lei nº 12.846, de 2013, para regulamentar o artigo 173, § 5º da Constituição.
“Esse, sem dúvida, é um dos erros primários que constitui vício insanável da “Lei Anticorrupção”, que deveria ter inserido a multa no rol de competências do Poder Judiciário”, diz Lucieni.
Entre os pontos da instrução normativa que geram discussão, a presidente destaca o fato da norma não prever a obrigatoriedade de os acordos de leniência serem submetidos ao crivo do Órgão de Instrução (ou Fiscalização).
A determinação está prevista na Lei Orgânica do TCU. O objetivo é que os auditores de controle externo possam estabilizar o processo, analisando os termos do acordo com conhecimento técnico em matérias que não são triviais (como obras públicas, concessões, licitações de medicamento, etc), independência funcional e imparcialidade.
O regulamento também não faz menção à manifestação obrigatória do Ministério Público de Contas no processo. Segundo dispõe o artigo 5º da IN, os procedimentos para apreciação dos acordos de leniência devem ser estabelecidos em normativo específico que ainda será editado, assegurada a participação do Ministério Público de Contas apenas em sua formulação, sem nada dispor sobre a participação do Órgão de Instrução. ‘Enquanto não for publicado o referido normativo, em tese, o relator sorteado poderia conduzir o processo como lhe conviesse”, explica Lucieni.
A Presidente vê com preocupação a possibilidade de acordo celebrado pela CGU ser diretamente apreciado pelo relator, sem passar pelo crivo do Órgão de Instrução previsto na Lei Orgânica do TCU.
“Sem as digitais dos Auditores de Controle Externo e dos Procuradores de Contas, a previsão do sigilo em várias etapas do processo acende o sinal amarelo de alerta, em especial quando se trata de processos que investigam os envolvidos na ‘Operação Lava Jato’ e assemelhados”, afirma.
A representante de classe lembra que os processos de controle externo, assim como os judiciais, em regra, são públicos e qualquer pessoa pode ter acesso, inclusive às sessões, salvo nas hipóteses excepcionais de segredo conforme as previsões legais dos artigos 5º, LX, e 93, IX da Constituição da República.
Em outras palavras, a publicidade dos processos e das decisões judiciais e de controle externo visa exatamente garantir o controle público sobre a atividade da Justiça e dos Tribunais de Contas, o que deve ser a regra não exceção. (Com Contas Abertas)

►FIM DA REELEIÇÃO E MANDATO DE 5 ANOS
Dos 34 deputados titulares integrantes da recém-instalada comissão especial sobre a reforma política, pelo menos 23 são favoráveis ao fim da reeleição do presidente da República, dos governadores e dos prefeitos. A maioria (22) também é favorável à coincidência da data das eleições, conforme enquete realizada pela Agência Câmara, que mostra a tendência anterior ao início dos debates da comissão. Responderam ao questionário 28 dos 34 membros titulares.
O fim da reeleição e a coincidência das eleições municipais com as eleições estaduais e federal a partir de 2018 estão previstos na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 352/13, que será a base do início dos debates da comissão especial. “Acredito que o fim da reeleição é um ponto de convergência de quase todos os parlamentares”, opina o deputado Victor Mendes (PV-MA).
O deputado Henrique Fontana (PT-RS), que foi relator da reforma política na legislatura passada, destaca que só é a favor do fim da reeleição se forem instituídos mandatos m Favoráveis ao fim da reeleição, o líder do Solidariedade, Arthur Maia (BA), e os deputados Benito Gama (PTB-BA) e Milton Monti (PR-SP) também defendem opina o deputado Victor Mendes (PV-MA).
O deputado Henrique Fontana (PT-RS), que foi relator da reforma política na legislatura passada, destaca que só é a favor do fim da reeleição se forem instituídos mandatos mais longos, de cinco anos. Sobre a coincidência das eleições, Fontana observa que é a favor de que todos os pleitos sejam realizados no mesmo ano, mas não no mesmo dia. “Por exemplo, as eleições municipais poderiam ocorrer no início de agosto, e no início de outubro poderia haver a eleição presidencial”, afirma. (Com Agência Câmara de Notícias)
mandatos mais longos, de cinco anos. Monti é a favor da realização de eleições em uma data única: “Desse modo, certamente teríamos possibilidades de desenvolver um trabalho melhor, seria mais útil para o Brasil. Hoje, na época da eleição, o governo e o Congresso Nacional param, as forças políticas acabam se voltando para as campanhas.”
O deputado Antônio Bulhões (PRB-SP), por sua vez, é contra o fim da reeleição.
O fim da reeleição e a coincidência das eleições municipais com as eleições estaduais e federal a partir de 2018 estão previstos na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 352/13, que será a base do início dos debates da comissão especial. “Acredito que o fim da reeleição é um ponto de convergência de quase todos os parlamentares”. (Com Agência Câmara de Notícias)

►MINISTRO DEFENDE NOVO FATOR PREVIDENCIÁRIO
O governo estuda aplicar mudanças na fórmula de aposentadoria. É o que revela o ministro da Previdência Social, Carlos Gabas: “O fator previdenciário é ruim porque não cumpre o papel de retardar as aposentadorias. Agora nós precisamos pensar numa fórmula que faça isso e defendo o conceito do 85/95 como base de partida. As centrais concordam com isso”, disse ele em entrevista ao ‘Estado de S. Paulo’. O esquema proposto soma a idade ao tempo de serviço – 85 para mulheres e 95 para homens.
Ele afirma que o sistema precisa acompanhar a dinâmica da sociedade: “Nos últimos dez anos, a expectativa de vida no Brasil subiu 4,6 anos. Em média, a expectativa de vida chega a 84 anos e a idade média da aposentadoria por tempo de contribuição é de 54 anos. Então, o cidadão fica 30 anos, em média, recebendo aposentadoria. Não há sistema que aguente”.
Dentro do pacote de ajustes anunciados pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, o governo já anunciou medidas de restrição em benefícios previdenciários, como pensões por morte e auxílio-doença, que custou à União R$ 120 bilhões em 2014

►SIGILO PROTEGE O TRANSGRESSOR
No exame que fez das novas normas, aprovadas às carreiras pelo TCU, a Auditora Federal de Controle Externo do TCU, Lucieni Pereira, defende que é preciso analisar com especialistas a necessidade do grau de sigilo previsto na norma recém-editada pelo TCU e disciplinar, com clareza, em que momento as informações serão levadas a público e disponibilizadas ao Ministério Público Federal, uma vez que a Constituição da República elege o Poder Judiciário como espelho de organização e funcionamento da Corte de Contas.
No âmbito do TCU, o Órgão de Instrução e os Órgãos Colegiados são os que dispõem de competência para tocar diretamente na jurisdição de controle externo, além do Ministério Público de Contas. Tais órgãos devem atuar de forma integrada, pois são todos essenciais à função de controle externo do Estado, cada qual com seu papel específico, com competências intransferíveis e insubstituíveis.
Lucieni também adverte que a nota publicada pela Associação dos Juízes Federais do Brasil (AJUFE), em outubro do ano passado, aponta que as dez ações penais da Operação Lava Jato que tramitam na 13ª Vara da Justiça Federal do Paraná não estão em segredo de justiça, inclusive a ação penal na qual foram realizados os interrogatórios de vários réus.

►PF VAI INVESTIGAR A CPMI DA PETROBRAS
O juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba, responsável pelas investigações da Operação Lava Jato, recomendou à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal que apurem suspeitas de tentativas de obstrução dos trabalhos da CPI mista da Petrobras, concluída em dezembro do ano passado.
Segundo o site Congresso em Foto, a suspeita da força-tarefa da Lava Jato é que as empresas envolvidas no regime de cartel de obras da Petrobras tentaram influenciar a convocação de membros que prestaram depoimentos aos deputados federais e senadores no ano passado. Os investigadores suspeitam que a CPI de 2014 tenha passado por situação semelhante à que ocorreu em 2009, conforme depoimentos do ex-diretor de refino e abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. Na época, segundo Paulo Roberto, o ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra teria recebido propina para esvaziar uma CPI também criada para investigar a Petrobras.
Interceptações telefônicas da Polícia Federal registraram momentos em que pessoas próximas ao ex-diretor de serviços da Petrobras Renato Duque confirmaram a obstrução à sua convocação na CPI mista. O próprio juiz Sérgio Moro faz essa observação em um dos despachos de manutenção das prisões temporárias dos executivos Ricardo Pessoa, da UTC, Eduardo Hermelino Leite, Dalton Avancini e João Auler, da Camargo Corrêa.
“Mais recentemente, foram interceptados diálogos telefônicos que revelaram obstrução à convocação, como testemunha, do ex-diretor de Serviços Renato de Souza Duque pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito constituída no Congresso para apurar os crimes praticados contra a Petrobras”, revelou Moro em seu despacho.
Em um destes diálogos interceptados pela Polícia Federal, gravado no dia 11 de novembro do ano passado, uma interlocutora de Duque, identificada como Gabriela, revela que estaria com “três pessoas” monitorando os trabalhos da CPI da Petrobras.
Na conversa, a interlocutora revela uma articulação para obstruir a convocação do executivo da estatal. “Tô te ligando só para te falar que a gente tá monitorando o dia. Tem uma ideia agora de deixarem aprovar a sua convocação. Hoje só vão votar você e o Sérgio Machado (na época, presidente da Transpetro). De deixarem aprovar a convocação e depois irem protelando como tão (sic) fazendo com a cassação do André Vargas. É … Eles tão (sic) lá conversando e tá tendo muita reunião ao mesmo tempo. Assim que a gente souber com que posição. Se vai para reunião eu te aviso”, afirmou a interlocutora de Duque uma semana antes dele ser preso.
No ano passado, após sete meses de investigações, a CPI da Petrobras pediu o indiciamento de 52 pessoas, entre elas Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, tido como líder do esquema de desvios de recursos da Petrobras. No entanto, a CPI não fez indiciamento de políticos.

►LAVA JATO PODE ENVOLVER SANTANDER
Envolvida na Operação Lava Jato, a empreiteira OAS é alvo de dezenas de ações na Justiça movidas por credores que têm levado sucessivos calotes. Uma das ações envolve o banco Santander, que pode ser obrigado a arcar com 106 milhões de reais em títulos da empreiteira detidos por investidores institucionais, como os bancos Credit Suisse e JP Morgan.
No processo, os investidores, representados pela Pentágono Distribuidora de Valores Mobiliários (DTVM), relatam que a empreiteira deixou de honrar os pagamentos de debêntures — títulos emitidos por empresas que querem se capitalizar sem precisar recorrer à Bolsa de Valores — que venciam em janeiro deste ano. A única instituição a escapar do calote foi o banco Santander.
Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, o banco espanhol também era detentor de debêntures da OAS. No total, contava com 940 milhões de reais em títulos — alguns deles com vencimento distante, em 2018. Com mais de um 1 bilhão de reais em caixa no começo do ano, a construtora optou por saldar integralmente sua dívida com o banco. Isso irritou o grupo de investidores cujos papeis, somados, alcançavam pouco mais de 100 milhões de reais. Em 30 de janeiro, por meio da Pentágono, e capitaneados pelo Credit Suisse, eles executaram a dívida e arrolaram o Santander como devedor solidário. 
Os investidores alegam que o banco foi beneficiado com o pagamento antecipado de títulos que só venceriam em março de 2018. Afirmam, ainda, que, dado o envolvimento da OAS na Operação Lava Jato (seus principais diretores estão presos desde novembro de 2014 na sede da Polícia Federal, em Curitiba), o pagamento foi feito com o intuito de inviabilizar o cumprimento das obrigações com os credores institucionais. A operação é caracterizada como "fraudulenta" no processo. 
Foi pedida uma liminar, obrigando os réus a depositar em juízo os 106 milhões de reais. A juíza Jacira Jacinto da Silva determinou, no entanto, que apenas o Santander deixe o dinheiro provisionado. Segundo a sentença, o fundo Santander Diamantina Multimercado, que era detentor dos títulos da empreiteira, ficará impossibilitado de fazer transações no valor da dívida da OAS com os demais credores.
Procurada pela reportagem da Folha, a OAS afirmou que a liquidação antecipada das debêntures do Santander foi decorrente do corte de rating da empreiteira, feito em janeiro pelas as agências de classificação de risco. À ocasião, foi atribuída a nota C aos papéis da empresa. Isso significa que suas ações são consideradas 'junk', jargão utilizado pelo mercado para classificar papéis que possuem um altíssimo risco de calote. A empreiteira não explicou, no entanto, porque o corte de rating também não a obrigou a liquidar as debêntures dos demais credores.

►JUSTIÇA PENHORA AÇÕES DA INVEPAR
A Pentágono também venceu em outra ação contra a OAS, referente a outra classe de debêntures, também vencidas, da ordem de 180 milhões de reais. Nessa ação, os investidores conseguiram na Justiça que 8,89% das ações da Invepar (empresa de infraestrutura da qual a OAS é acionista) fossem penhoradas para honrar a dívida da empreiteira com os debenturistas. A OAS detém 25% de participação na empresa, que tem entre seus principais ativos o aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, privatizado em 2012. 
A Pentágono alegava que a OAS vinha tentando transferir suas ações para uma subsidiária. Com a tentativa, dizem os investidores, a empreiteira tinha o intuito de esvaziar o patrimônio da holding para evitar que seus ativos fossem executados por credores. A penhora das ações foi concedida pela Justiça no início deste mês.
A OAS tem mais de 20 obras de infraestrutura no país — a maior parte conseguida por meio de contratos com estatais, com o governo federal e com governos estaduais. Se, em decorrência da Lava Jato, a construtora for declarada inidônea, ela perderá seu maior cliente, a União.
O endividamento da empresa até setembro de 2014 era de 7,7 bilhões de reais, segundo a agência de classificação de risco Fitch. Atualmente, alguns fundos credores, como o Blackrock, estão vendendo os papéis da OAS no mercado secundário para fundos especializados em ativos podres, os chamados 'fundos abutres' — os mesmos que detém boa parte da dívida da Argentina e hoje cobram um prêmio altíssimo para renegociá-la.

►MPF VAI INVESTIGAR EXPLOSÃO EM PLATAFORMA
O Ministério Público Federal no Espírito Santo (MPF/ES), por meio da Procuradoria da República em Linhares, instaurou inquérito civil para apurar possíveis danos ambientais causados pela explosão no navio-plataforma Cidade São Mateus, da Petrobras, ocorrida em 11 de fevereiro, a cerca de 120 quilômetros da costa do município de Aracruz, litoral Norte do Espírito Santo.
O procedimento também visa a acompanhar as possíveis medidas a serem adotadas para repor a situação o mais próximo possível do status anterior ao dano, ou a adoção de medidas compensatórias equivalentes.
Como providências iniciais, a Procuradoria enviou ofícios aos órgãos competentes – Capitania dos Portos do Espírito Santo (CPES), Agência Nacional do Petróleo (ANP), Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES), e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) – para que eles remetam ao MPF todos os relatórios, diligências e perícias produzidos até o momento, a fim de subsidiar a possível proposição de ações de responsabilidade civil e criminal.
O prazo para as instituições responderem o ofício é de 30 dias, a contar a partir do recebimento do documento. 

►STJ MONTA LISTA DE FUTUROS MINISTROS
O Superior Tribunal de Justiça vota dia 11 de março a primeira de quatro listas tríplices para entregar ao ministro da Justiça e, este à presidente Dilma Rousseff, para que escolha o futuro ministro da Corte.
A revelação foi festa neste fim de semana pelo jornalista Leandro Mazzini, em seu blog “Colunada Esplanada” acrescentando que o presidente do STJ, ministro Francisco Falcão, segurou as quatro vagas durante a campanha presidencial para não haver eventuais interferências políticas.
Ainda segundo Mazzini, a primeira vaga a ser preenchia é a do ministro Arnaldo Esteves e será ocupada por um desembargador federal. Pelo menos 20 concorrem, das cinco regiões. Nos corredores dos tribunais, colegas indicam que os favoritos para a lista são Fábio Prieto de Souza (TRF 3ª Região), Carlos Thompson Flores (4ª Região) e Paulo Roberto Lima (5ª Região).

►MARANHÃO DISPENSA TÁXI AÉREO
Num Estado que figura entre os lanternas do País no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), com escolas de ‘barro e palha’ nos rincões, o governador, Flávio Dino confessa que está estupefato com a lista de gastos desnecessários que herdou da antecessora Roseana Sarney, que governou o Maranhão por 8 anos.
Além de colocar à venda uma casa de praia, palco de banquetes para empresários e políticos, o novo governo acaba de cancelar um contrato com táxi aéreo que, só em 2014, consumiu R$ 15 milhões dos cofres públicos. O jatinho era usado pela ex-governadora e o primeiro escalão para viagens – investiga-se se todas a trabalho.
‘Eu viajo de avião comercial, neste momento. Depois faremos contrato em outros termos, que não consuma R$ 15 milhões’, explica o governador.
Na esteira de revisão de contratos com terceirizados no Estado, o do Detran com empresas caiu de R$ 20 milhões para R$ 6 milhões. E continua funcionando normalmente.
Dino enviou a Brasília uma equipe para escolher no MEC um modelo de alfabetização que se adapte ao Maranhão. Aumentou o salário dos professores, vai contratar mais mil professores e construir escolas, que irão substituir as feitas até hoje na base do sopapo, isto é, paredes de barro sobre armação de bambu. (By Leandro Mazzini)

►EX-GOVERNADOR NA FILA DO SUS?
O desembargador José Zuquim Nogueira negou, neste mês, recurso a dois ex-governadores de Mato Grosso que reivindicavam a continuidade do pagamento de suas aposentadorias. Zuquim manteve a decisão da juíza Célia Regina Vidotti, da Vara Especializada em Ação Civil Pública e Popular, que considerou inconstitucional o benefício assegurado até para ex-governadores-tampões. 
Embora proibidas desde 2003 no estado, as pensões dos ex-governadores que exerceram o mandato antes daquele ano custavam anualmente quase R$ 3 milhões aos cofres públicos de Mato Grosso.  Em 11 estados, as aposentadorias dos ex-chefes do Executivo estadual geram despesas de R$ 24 milhões, conforme levantamento feito pela Revista Congresso em Foto.
Ao rejeitar o recurso do ex-governador Frederico Campos (PTB), que alegava estar doente e não ter outra fonte de renda para sobreviver, Zuquim foi claro e objetivo: “Acaso não tenha o agravante condições de custear seu tratamento, o meio lícito para reivindicar é perante o Estado, pelo Sistema Único de Saúde”. O desembargador disse, ainda, não acreditar que ex-governadores tenham dificuldade de se sustentarem após terem vivido tantos anos na política.
Em nota, o ex-governador protestou e disse que recebe o benefício há 30 anos: “Não será um parecer de apenas um desembargador que virá alterar o conceito e respeito que sempre mantive à Corte Jurídica. Apenas manterei a defesa pela receita mensal de minha pensão constitucional, que a mais de 30 anos sustenta minha família, sempre conduzida com a mesma disciplina e moral recebidas dos meus saudosos pais, diga-se que sem desperdícios ou acúmulos de riquezas”. Campos tem 88 anos, foi prefeito de Cuiabá por dois mandatos e governador nomeado pela ditadura militar entre 1979 e 1983.
Na semana passada, Zuquim também negou o pedido do ex-deputado estadual Moisés Feltrin (DEM), que governou o estado interinamente, na condição de presidente da Assembleia Legislativa, por apenas 33 dias entre 1990 e 1991. Por pouco mais de um mês de mandato-tampão (33 dias), ele recebia pensão de cerca de R$ 15 mil.
No recurso, Moisés sustentou que era uma pessoa doente e que o Judiciário não poderia, repentinamente, suspender o pagamento de sua aposentadoria sem garantir a ele o direito de recorrer, o que feria, na avaliação dele, a dignidade da pessoa humana.
“Da mesma forma que fundamentado na decisão liminar do RAI 8341/2015, interposto pelo também ex-governador Frederico Campos, não é crível admitir que o agravante [ex governador] não possa custear uma medicação ou sobreviver de outra forma. A situação não justifica que os cofres públicos sejam mais onerados ainda, com o pagamento de aposentadoria questionada judicialmente. Não é o caso de decidir contra um ou outro ex-governador, mas em favor do Estado, da administração, da legalidade”, reiterou o desembargador.

►UMA TENTATIVA DE FRAUDE A CADA 16 SEGUNDO
O Indicador Serasa Experian registrou em janeiro 168.944 tentativas de fraude, ou seja, uma tentativa a cada 15,9 segundos no país. A tentativa de fraude é o roubo de identidade, em que dados pessoais são usados por criminosos para firmar negócios ou para obter crédito com a intenção de não honrar os pagamentos. 
Entre as principais tentativas de golpe apontadas pelo Indicador Serasa Experian estão a emissão de cartões de crédito obtidos com identificação falsa ou roubada; financiamento de eletrônicos no varejo, no qual o golpista compra um bem eletrônico (TV, aparelho de som, celular etc.) usando uma identificação falsa ou roubada, além da compra de celulares, abertura de conta em banco, compra de automóveis e abertura de empresas com a apresentação de documentos falsos ou roubados. Em todos os casos quem arca com a conta é a vítima ou a instituição financeira.
A telefonia foi responsável por 71.478 registros, totalizando 42,3% do total de tentativas de fraude registradas no mês. O setor de serviços (construtoras, imobiliárias, seguradoras e serviços em geral, salões de beleza, pacotes turísticos) teve 47.356 registros, equivalente a 28% do total. O setor bancário foi o terceiro da lista, com 34.826 tentativas, 20,6% do total. O segmento varejo teve 12.251 tentativas de fraude, registrando 7,3% das investidas contra o consumidor.
Segundo a Serasa Experian, é comum que pessoas forneçam dados pessoais em cadastros na Internet sem verificar a idoneidade e a segurança dos sites. “Além disso, os golpistas costumam comprar telefone para ter um endereço e comprovar residência, por meio de correspondência, e, assim, abrir contas em bancos para pegar talões de cheque, pedir cartões de crédito e fazer empréstimos bancários em nome de outras pessoas”, informa a entidade.
Para evitar golpes, a Serasa orienta as empresas a pedir sempre dois documentos originais (como RG, CPF, Carteira de Habilitação), além de verificar a autenticidade. A Serasa Experian responde diariamente 6 milhões de consultas, auxiliando 500 mil empresas de diversos portes e segmentos a tomar decisões em qualquer etapa de negócio.

►43 PMS EXPULSOS POR EXTORÇÃO
A Polícia Militar (PM) do Rio de Janeiro expulsou 43 soldados acusados de crimes de concussão – exigência de vantagem indevida, diretamente ou indiretamente, em razão da função pública – e extorsão a comerciantes, empresários e ambulantes na região de Bangu e Honório Gurgel, na zona oeste da capital fluminense. Eles foram investigados na Operação Compadre, deflagrada em 2013.
A Corregedoria Interna da Polícia Militar concluiu seis Procedimentos Administrativos Disciplinares (PADs) e expulsou os envolvidos no esquema. A corregedoria constatou a existência de fortes indícios que apontam para o cometimento de práticas criminosas e “graves transgressões” disciplinares. Segundo o órgão, eles prejudicavam o policiamento ostensivo na área do Batalhão de Bangu, deixando de servir à população e ignorando o combate ao transporte irregular de vans, kombis e mototaxistas.
A Operação Compadre foi desencadeada em 2013 e contou com a participação de agentes da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança e da Corregedoria da Polícia Militar, além do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e do Ministério Público. Na ocasião, foram expedidos 78 mandados de prisão, 53 deles referentes a policiais militares.
A Polícia Militar informou, em nota, que defesa dos acusados fica a cargo de cada um dos envolvidos. 

►CAXIAS RECUPERA CENTROS SOCIAIS
O Cras do Beira Mar antes (acima) e
depois da reforma (abaixo)
A secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos de Duque de Caxias vem realizando reformas desde o ano passado, em dois importantes Centros de Referência em Assistência Social (CRAS): no Parque Beira-Mar, finalizado ainda no ano passado; e na Figueira, com obras em andamento.
“Assim que assumimos a gestão tentamos desde o primeiro momento reorganizar as atividades e fazer uma limpeza geral, criando nos equipamentos um ambiente acolhedor, dinâmico e capaz de levar ao cidadão a ajuda que ele realmente necessita, com
funcionários motivados. No entanto, percebíamos a necessidade de uma reforma geral e efetiva. Por isso, iniciamos no final de 2014, a revitalização do CRAS Beira Mar e, agora, do CRAS  Figueira”, destacou a secretária municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, Claudia Peixoto.
Assistentes sociais, psicólogos, pedagogos, coordenadores e administradores trabalham diariamente acompanhando as famílias beneficiadas pelos programas sociais, disponibilizando diversos serviços como visitas domiciliares, inserção e atualização do Cadastro Único, formação continuada e fortalecimento de vínculos através de palestras, oficinas e atividades voltadas às diferentes faixas etárias.
O principal atendimento oferecido pelo CRAS é o Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF), que consiste em um trabalho de caráter continuado que visa fortalecer a função protetiva das famílias, prevenindo a ruptura de vínculos, promovendo o acesso e usufruto de direitos e contribuído para a melhoria da qualidade de vida.
No complexo de assistência social da Figueira, além do CRAS, funcionam também o Centro de Referência Especializado em Assistência Social (CREAS), Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP) e a Casa de Passagem. O local conta hoje com quase 3 mil famílias cadastradas e acompanhadas pelo Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF), sendo que sua abrangência geográfica possibilita o atendimento de até 5 mil famílias.
O CREAS é a unidade pública estatal que oferta serviços da proteção especial, especializado e continuado, gratuitamente à famílias e indivíduos em situação de ameaça ou violação de direitos e tem o papel de coordenar e fortalecer a articulação dos serviços com a rede de assistência social e as demais políticas públicas. Diariamente, são atendidas demandas e denuncia que chegam através do Disque 100, Ministério Público, Conselhos Tutelares, entre outros órgãos em relação à violação dos direitos de crianças, adolescentes e idosos.
A secretaria municipal de Assistência Social e Direitos Humanos realizou em 2014, aproximadamente 43 mil atendimentos nos nove CRAS existentes na cidade – Parque Beira-Mar, Jardim Gramacho, Lagunas e Dourados, Pilar, Jardim Primavera, Figueira, Imbariê, Parada Morabi e Xerém – e mais de 1200 visitas domiciliares por técnicos para atendimento individualizado por encaminhamento dos CRAS.

►USINA DE GÁS DE LIXO RECORRE DE MULTA
A concessionária Gás Verde S/A, responsável pela operação do Aterro Sanitário Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, recorreu da multa de R$ 10,814 milhões aplicada pela prefeitura. A informação é do secretário Municipal de Meio Ambiente de Duque de Caxias, Luiz Renato Vergara. O aterro está fechado desde 3 de junho de 2012.
Segundo ele, a vistoria da secretaria no começo do ano constatou que nenhuma providência foi tomada, após a inspeção e autuação do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), em abril de 2014.
“Em abril do ano passado, o Inea e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Duque de Caxias checaram as denúncias de descarte de chorume no Rio Sarapuí. O Inea constatou que havia descarte irregular e autuou, mas não multou. De abril para cá, não houve mudança na planta ou adequação por parte da Novo Gramacho, da Gás Verde, sobre as irregularidades encontradas”.
Vergara afirmou que as irregularidades continuam, com a eficácia da estação de tratamento de chorume - líquido poluente resultante da degradação de matéria orgânica -, muito abaixo do permitido pela norma estadual.
“O descarte do chorume em qualquer bacia hidrográfica tem de ser inferior a 250 miligramas por litro de DBO [Demanda Biológica de Oxigênio, que mede a necessidade de oxigênio para degradar a matéria orgânica na água]. Fizemos coletas no entorno e verificamos que a juzante da estação de tratamento de chorume é de 1.953 miligramas por litro de concentração de DBO, ou seja, oito vezes a mais que o permitido pela norma do Inea”.
O secretário acrescentou que há um ponto de captação de chorume no aterro que não comporta o volume, liberando o material sem tratamento direto para o solo e o mangue do entorno.
A Gás Verde foi procurada, mas não respondeu à reportagem da Agência Brasil, até a publicação da matéria. O Inea também não retornou.
Após o fechamento, o Aterro de Gramacho, o maior da América Latina, foi transformado, em 2013, em usina de biogás. Conforme Vergara, a geração de chorume, que dura décadas, chega a 960 metros cúbicos por dia. Durante 35 anos, o local foi o principal destino de 8 toneladas diárias de lixo do Rio de Janeiro e municípios vizinhos.  

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Moro, Cardozo e Barbosa e o esquenta do petrolão


HISTORIADOR COBRA AÇÃO
REPUBLICANA DE JANOT 
Aproveitando a controvérsia em torno da audiência que o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, que aspira sentar na cadeira que foi de Joaquim Barbosa no STF, concedeu a um grupo de advogados de defesa das empreiteiras envolvidas no escândalo do Petrolão, o historiador e jornalista Marco Antônio Vila, da revista Veja, cobra um atuação republicana do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, ao oferecer denúncia contra políticos com mandatos envolvidos no escândalo do Petrolão. Assista ao vídeo, que está disponível também no You Tube.
PAPUDA TIRA O SONO DO GOVERNO
E DAS EMPREITEIRAS DO PETROLÃO 
A condenação do empresário Marcos Valério a mais de 40 anos de prisão por ter participado do Mensalão está tirando o sono não só dos empresários envolvidos no Petrolão, mas de muitos políticos e ocupantes de cargos importantes na Esplanada dos Ministério. Essa semana, o Procurador Geral de Justiça Rodrigo Janot deve encaminhar ao ministro Teory Zavascki, relator do Petrolão no STF, as denúncias ou pedidos de abertura de inquéritos contra os suspeitos de envolvimento no bilionário desvio de recursos da Petrobrás. No caso das denúncias, se forem aceitas, dezenas de suspeitos passarão à condição de réus, enquanto no caso dos detentores de mandatos e de foro privilegiado, ocorrerá a abertura de Investigação, no âmbito do próprio STF ou do Superior Tribunal de Justiça desses envolvidos.
No caso do mensalão, as penas mais duras foram para Marcos Valério (37 anos em regime fechado), dono da empresa de propaganda contratada pelo PT, e a presidente do BMG, Katia Rabelo (14 anos e cinco meses de prisão em regime fechado), enquanto o núcleo político, liderado pelo ex Ministro da Casa Civil de Lula, José Dirceu, recebeu penas leves e já estão em casa.
No caso do Petrolão, sem o STF seguir o mesmo modelito de penas, um empresário como o engenheiro Ricardo Pessoa, dono da UTC, poderá pegar até 180 anos de cadeia, situação que se repetiria com outros empresários com o mesmo poder econômico. Como “imperadores”, que se consideravam acima das leis, não admitem ser julgados como simples mortais, e julgam uma afronta passaram por constrangimentos como vem passando o ex nababo Eike Batista, que assistirá nesta quinta-feira (26) ao leilão de sua luxuosa Lamborghini (R$ 2,8 milhões) e confessa que, ultimamente, tem faltado até dinheiro para a compra de banana para seu filho caçula, nascido em 2013, a pressão sobre os bem pagos advogados que atuam na defesa dos milionários empreiteiros, que acabaram buscando apoio do Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, cuja cabeça vem sendo pedida pela oposição.
Para quem está acostumado em dormir em suítes de hotéis cinco estrelas, viajar em jatinhos particulares e terem dezenas de pessoas ao seu redor apenas para acender um simples charuto ou servir um whisky, deve ser duro dormir nos xadrezes da Polícia Federal em Curitiba. Imaginem o que esses empresários fariam se fossem transferidos, por questão de sua própria segurança, para os presídios de Pernambuco ou Alagoas?
PRESIDENTE SAI EM DEFESA DAS
EMPREITEIRAS NO LAVA JATO 
No exato momento em que o Ministério Público Federal ingressa com ações por improbidade contras as empresas investigadas na Operação Lava Jato, a presidente Dilma Rousseff decidi) isentar as empresas dos "malfeitos" investigados pela Polícia Federal, dizendo que esses crimes foram cometidos por funcionários públicos ou das empresas, mas  que o governo trata dessa questão considerando a necessidade de geração de empregos e renda. Do ponto de vista do Governo e do PT, o fechamento das empresas envolvidas no Petrolão, como está previsto na Lei Contra a Corrupção, que Dilma ainda não conseguiu regulamentar, o País vai para, pois não haveria empresas no País com a capacidade financeira e tecnológica de uma OAS, Engevix ou Odebrecht.
Tentando envolver os tucanos no “rolo”, ela afirmou que, se casos suspeitos de corrupção na Petrobras tivessem sido investigados durante o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), do PSDB, já na década de 1990, o esquema descoberto pela operação Lava Jato que envolve a estatal não ocorreria.
"Se em 1996 e 1997 tivessem investigado e tivessem naquele momento punido, nós não teríamos o caso desse funcionário que ficou quase 20 anos praticando atos de corrupção. A impunidade leva a água para o moinho da corrupção", disse ela.
O ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco afirmou, em delação premiada, que começou a receber propina da SBM Offshore, uma fornecedora da petrolífera, em 1997, ainda durante o governo FHC. Barusco disse à PF que abriu uma conta na Suíça no final da década de 1990 para receber as remessas ilegais de dinheiro da SBM, que, segundo ele, totalizaram US$ 22 milhões até 2010.
Dilma disse também que os esquemas de corrupção agora são investigados. "Hoje nós demos um passo e para esse passo devemos olhar e valorizar. Não tem “engavetador da República”, não tem controle da Polícia Federal, nós não nomeamos pessoas políticas para os cargos da Polícia Federal. E isso significa que o Ministério Público e a Justiça e todos os órgãos do Judiciário que o que está havendo no Brasil é o processo de investigação como nunca foi feito antes." 
Dilma não fez qualquer referência ao Mensalão, esquema de propina que antecedeu ao Petrolão, que resultou na descoberta de “uma quadrilha” que operava a partir dos gabinetes do Palácio do Planalto e que resultaram na condenação da cúpula petista, a começar pelo ex ministro José Dirceu, do ex presidente do PT José Genoíno, e dos empresários Marcos Valério e Katia Rabello, que estão cumprindo pena em penitenciárias de Minas Gerais.
MPF DENUNCIA 28 EMPREITEIROS
POR ENRIQUECIMENTO ILÍCITO 
Os procuradores que atuam na Operação Lava Jato acusaram de improbidade administrativa 28 executivos de seis empreiteiras sob suspeita de terem formado cartel na Petrobras. Em cinco ações protocoladas nea sexta-feira (20), na Justiça Federal, em Curitiba, nove procuradores afirmam que os dirigentes das maiores construtoras do País enriqueceram de forma ilícita.
Os procuradores classificam as empreiteiras em cinco grupos econômicos, que abarcam um universo de treze pessoas jurídicas. Para cada grupo econômico, a Força-Tarefa pede condenação ao pagamento de valores relativos a danos causados à estatal, acrescidos de multa a título de indenização.
Nas denúncias, os procuradores federais acusam as empresas Camargo Corrêa, Sanko, Mendes Júnior, OAS, Galvão Engenharia, Engevix e seus executivos de enriquecimento ilícito apontado pela investigação da Lava Jato.
A empresa que teve o maior valor questionado pelo MPF foi a Galvão Engenharia, com R$ 1,05 bilhão. A Procuradoria também está cobrando R$ 1,04 bilhão da Mendes Jr., R$ 988 milhões da OAS, R$ 845 milhões da Camargo Corrêa e da Sanko-Sider e R$ 538 milhões da Engevix.
A Procuradoria informou que o valor de ressarcimento pode aumentar com o acréscimo de juros e correção monetária desde a data de início dos desvios. Para desestimular a continuidade das irregularidades, as ações pedem um valor para pagamento de danos morais coletivos em dez vezes o valor do dano material causado.

►DIMA MUDA O CÓDIGO PENAL NA SURDINA
Uma útil mudança no sentido das palavras que definem os crimes catalogados no Código Penal e leis afins está deixando os brasileiros assustados. Depois que o Supremo Tribunal Federal condenou Delúbio Soares por formação de quadrilha, mas não identificou o possível chefe, isto é, no Mensalão havia uma quadrilha, mas não havia um chefe. Agora temos o crime de corrupção em que só o subornado deve ser punido, perdoando-se, por conseguinte, o corruptor.
A decisão de Dilma de defender, de público, a exclusão das empreiteiras nos crimes de suborno envolvendo os contratos firmados por elas com a Petrobrás, torna letra morta a recém aprovada Lei Anticorrupção, que tinha por princípio igualar, nas penas, corruptores e corrompidos.
Até hoje, muitos servidores públicos já foram parar na cadeia e até sofreram sequestro das suas aposentadorias, como acaba de ocorrer com o ex Juiz Nicolau dos Santos Neto, condenado, ao lado do senador cassado Luiz Estevão, a 42 anos de prisão por desvio de cerca de R$ 170 milhões na construção da nova sede do Tribunal Regional do Trabalho de S. Paulo. Nenhuma empresa, no entanto, foi punida, pois a legislação penal brasileira sempre visou o cidadão comum.
A nova Lei Anticorrupção, que Dilma ainda não teve tempo para regulamentar, incluiu as empresas, como pessoas jurídicas, no rol dos culpados em casos de corrupção. As penas previstas nesta lei, que entrou em vigor em 2014, vão além da simples multa, chegado a banir seus sócios, que ficam proibidos de fazer qualquer tipo de transação com o Poder Público.
A Ação de Improbidade proposta na última semana pelo Ministério Público Federal contra 28 empresas e sus donos é decorrente dessa nova lei. A decisão da Presidente da República de recomendar um perdão geral e irrestrito às empresas envolvidas em casos de corrupção, é uma violação inaceitável do juramento que ela acaba de repetir perante o Congresso Nacional, ao tomar posse como Presidente da República: cumprir e fazer cumprir as Leis e a Constituição Federal. 

►ODEBRECHT REJEITA PROVAS DA SUÍÇA
Investigada pelo Ministério Público Federal, em parceria com a Suíça, a Odebrecht tenta invalidar a operação Lava Jato. Advogados da empreiteira de Marcelo Odebrecht questionaram em audiência com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a legalidade de provas obtidas no país europeu.
Eles levantaram a suspeita de que os procuradores obtiveram informações bancárias na Suíça antes que o Ministério da Justiça cumprisse os trâmites oficiais de cooperação internacional. Se assim for, a empresa poderá pedir à Justiça para anular as provas obtidas ou impedir que sejam usadas no Brasil.
Questionado sobre a agenda com advogados, o ministro da Justiça afirmou que a empresa levou dois assuntos para a reunião: um sobre vazamento de informações em inquérito, e outro sobre um tema que não podia ainda ser divulgado.
“A empresa Odebrecht disse que ao longo da Operação Lava Jato, havia vazamentos ilegais que atingiam a empresa, que isso qualificava uma clara ofensa à lei, e que eu havia mandado abrir inquérito para apurar esses vazamentos, o que é verdade. E queixavam-se [os advogados] que o inquérito não estava sendo tocado adequadamente pela Polícia Federal (PF)”, disse
Cardozo defendeu ser a pessoa indicada para receber questões relacionadas à PF, que é subordinada ao ministro da Justiça. Ressaltou que, eventualmente, em casos de queixa, ou se dirigem ao diretor da PF ou ao ministro. Ele destacou, porém, que não intervém em investigações.
"Não devo intervir. Não devo efetivamente orientar. A orientação minha para a PF é clara: investiguem quem quiser, doa a quem doer, mas cumpram a lei”.

►AÉCIO ACUSA DILMA DE ZOMBAR DO POVO
O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), reagiu às declarações da presidente Dilma Rousseff (PT) de que se tivesse sido investigada nos anos 1990, a corrupção na Petrobras não teria alcançado as atuais proporções. Segundo o líder tucano, a petista parece “querer zombar” da inteligência dos brasileiros.
Em entrevista nesta sexta-feira (20), no Planalto, após cerimônia em que recebeu credenciais de embaixadores de cinco países, Dilma Declarou: "Se em 1996 e 1997 tivessem investigado e tivessem naquele momento punido, nós não teríamos o caso desse funcionário da Petrobras que ficou durante mais de 20 anos praticando atos de corrupção".
Depois da fala de Dilma, Aécio concedeu entrevista coletiva no Senado para contestar as declarações da presidente. Segundo ele, a presidente “reapareceu”, após dois meses de “conveniente silêncio” – período em que Dilma não fez declarações públicas.
“A presidente reaparece, parecendo querer zombar da inteligência dos brasileiros ao atribuir o maior escândalo de corrupção da nossa história, patrocinado pelo governo do PT, a um governo de 15 anos atrás. Na verdade, parece que a presidente volta a viver em um país da fantasia, que conduziu a sua campanha e que tanta decepção trouxe inclusive aos seus eleitores", disse.
Segundo ele, o partido não teme investigações. "O PSDB não tem qualquer receio de que se investigue o que quer que seja”, afirmou.
Para Aécio, a corrupção se deu de “forma institucionalizada” em benefício de um “projeto de poder”. Enquanto não houver “mea culpa” por parte da presidente, disse o senador, os brasileiros continuarão a se sentir “iludidos e lesados”.
 “Era hora, de maneira muito franca, de a presidente da República fazer a sua ‘mea culpa’, olhar nos olhos dos brasileiros e dizer que o seu governo errou e errou muito. Errou na condução da economia, errou durante a campanha eleitoral ao pregar a mentira, o terrorismo como arma de campanha e errou, principalmente, no seu comportamento ético”, declarou.

►ESTALEIRO ROMPE CONTRATO COM SETE BRASIL
A Sete Brasil, empresa formada pela Petrobras e sócios privados para administrar o aluguel de sondas para o pré-sal, acaba de sofrer mais um abalo que a colocou no rumo da dissolução. O Estaleiro Atlântico Sul, de Pernambuco, rescindiu unilateralmente seu contrato com a companhia.
A Sete deve 125 milhões de dólares ao estaleiro, que deveria fornecer as primeiras sete sondas para a exploração do pré-sal.
Na prática, a iniciativa do Atlântico Sul, que tem como sócios as empreiteiras Queiroz Galvão e Camargo Correia, inviabiliza a Sete, que precisa do contrato e das sondas para garantir a sobrevivência. A empresa, em que a Petrobras tem uma participação minoritária, mas indica o presidente, tem ainda como sócios bancos como BTG, Santander e Bradesco, além de fundos de pensão e investidores estrangeiros. Outros grandes bancos, como o Itaú, são credores. No total, a dívida já é de 4 bilhões de dólares, mas o dinheiro para financiar a construção dos estaleiros e das sondas acabou em novembro. Desde então, a Sete não paga nem os bancos, nem os fornecedores.
A Sete foi criada com base na crença de que a política do conteúdo nacional, que exige que pelo menos 60% dos equipamentos para a indústria de petróleo sejam fabricados no Brasil, impulsionaria o setor naval brasileiro. Sua derrocada em pleno escândalo do petrolão é um sinal de fracasso dessa política, que elevou os custos dos equipamentos e não produziu um parque industrial naval forte. Dos estaleiros contratados pela Sete, cinco tem como sócias empreiteiras acusadas na Operação Lava Jato, e um sexto, o da Keppel, também está sendo investigado.
Em sua delação premiada, o ex-diretor operacional da Sete, Pedro Barusco, declarou que ele e o ex-presidente da companhia, João Carlos Ferraz, cobravam propina de 1% do valor das sondas – cerca de 800 milhões de dólares cada – pelos contratos.  
A esta altura, a única chance de a Sete escapar da falência é fechar o empréstimo de 3,1 bilhões do BNDES que vem sendo negociado desde o ano passado. O empréstimo, porém, é praticamente inviável. A cada nova revelação da Lava Jato, porem, o banco de fomento aumenta as exigências para conceder o aporte e torna mais difícil o negócio sair. Internamente, no banco, a intenção é não liberar o dinheiro. Mas nenhum dos técnicos e nem dos diretores dirá isso à presidente Dilma Rousseff, que ainda quer a Sete de pé. A presidente inclusive deu ao novo presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, a missão de reavivar a companhia. Mas agora, sem sondas para alugar, a tarefa de Bendine se torna praticamente impossível. A tendência, agora, é que se iniciem diversas ações judiciais e arbitragens no Brasil e no exterior entre a Sete e os fornecedores, e entre os bancos e a Sete. Uma briga longa e custosa que pode durar muitos anos e certamente causará rombos significativos nas finanças das instituições financeiras envolvidas. 

►EXISTE GENTE SÉRIA EM BRASÍLIA             
O deputado federal José Antônio Reguffe (PDT-DF), que foi, proporcionalmente, o mais bem votado do país com 266.465 votos, 18,95%dos votos válidos do DF, estreou na Câmara dos Deputados fazendo barulho. De uma tacada só, protocolou vários ofícios na Diretoria-Geral da Casa, em que abriu mão dos salários extras (14°e 15° salários), reduziu sua verba de gabinete e o número de assessores a que teria direito, de 25 para apenas 9. E tudo em caráter irrevogável, isto é, ele não pode voltar atrás.
Além disso, reduziu em mais de 80% a cota interna do gabinete, o chamado "cotão". Os R$ 23.030,00 a que teria direito por mês, reduziu para R$ 4.600,00. Segundo os ofícios, abriu mão também de toda verba indenizatória, de toda cota de passagens aéreas e do auxílio-moradia. Tudo também em caráter irrevogável.
O gesto solitário de Reguffe vai devolver aos cofres públicos mais de R$ 2,3 Milhões (isso mesmo R$ 2.300.000,000) nos quatro anos de mandato.
Se os outros 512 deputados seguissem o seu exemplo, a economia seria superior a R$ 1,2 Bilhão
"A tese que defendo e que pratico é a de que um mandato parlamentar pode ser de qualidade custando bem menos para o contribuinte do que custa hoje. Esses gastos excessivos são um desrespeito ao contribuinte.
Estou fazendo a minha parte e honrando o compromisso que assumi com meus eleitores", afirmou Reguffe em discurso no plenário.

►PONTE RIO-NETERÓI: MPF RECORRE
O Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro apresentou recurso contra a sentença que extinguiu a ação civil pública que pede a retirada do nome do presidente Artur da Costa e Silva da Ponte Rio-Niterói. A ação foi proposta pelo Grupo Justiça de Transição, em fevereiro de 2014, e extinta pelo juiz federal da 10ª Vara Cível do Rio de Janeiro no dia 18 de dezembro.
Segundo o magistrado, a ação do MPF não deveria prosseguir, pois veicularia uma “decisão política que deve ser tomada pela sociedade coletivamente, através de sua participação direta e de seus representantes no Legislativo”.
Ainda de acordo com o juiz federal, cabe à sociedade "julgar, em última análise, se o ex-presidente Costa e Silva prestou, ou não, relevante serviço à Nação”.
No recurso, o MPF alega que a ação proposta não trata de questão relativa apenas à esfera das decisões políticas, pois não pede que o Poder Judiciário dê à ponte o nome de alguma personalidade. O que se busca na ação, argumentam os procuradores da República que assinam o recurso, é que, no âmbito do controle do Poder Judiciário, seja declarada a ilegalidade da norma em decorrência do desvio de finalidade. Para o MPF, manter o nome do ditador promove a figura de uma autoridade notoriamente comprometida com graves violações de direitos humanos.
A Lei Federal 6.682/79 restringe a liberdade do legislador ao estabelecer que somente pessoas falecidas que tenham prestado “relevante serviço à Nação” estão aptas a receber, como homenagem, a designação de trechos de vias do sistema nacional de transporte. O recurso do MPF cita o relatório da Comissão Nacional da Verdade, apresentado no dia 10 de dezembro de 2014, para demonstrar que o nome de Costa e Silva não está incluído no rol de pessoas que prestaram serviços relevantes à Nação, dada sua responsabilidade político-administrativa na instituição e manutenção de estruturas e procedimentos destinados à prática de graves violações aos direitos humanos.
O recurso do MPF será julgado pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região.

►EDUCAÇÃO REPROVADA EM JAPERI
Apesar de ter recebido mais de R$ 62 milhões para a educação em 2014, o nível de aprendizagem está abaixo da média em Japeri, na Baixada Fluminense. Em busca de uma solução para esse e outros problemas, o projeto Ministério Público Pela Educação (MPEduc) realiza, no dia 2 de março, a primeira audiência pública no município. A primeira reunião do projeto foi no dia 5 deste mês, na sede do Ministério Público de Japeri, com a presença do procurador da república Eduardo El Hage, da promotora de Justiça Renata Christino Cossatis, do prefeito Ivaldo Barbosa dos Santos e de gestores e conselheiros sociais.
O objetivo da audiência é saber se o dinheiro público está sendo bem utilizado e identificar quais são os problemas das escolas da região, já que a educação, principalmente nos últimos anos letivos, obteve índices menores que as metas esperadas, segundo o Ideb/MEC. Segundo o movimento Todos Pela Educação, o nível de aprendizado obtido pelos alunos de Japeri está abaixo do considerado adequado. Outra questão é entender como algumas instituições com menos recursos obtiveram melhores índices educacionais do que outras com maiores investimentos.
De acordo com o procurador da República Eduardo El Hage, “o objetivo do MPEDUC no Município é identificar as causas que estão fazendo com que o IDEB de Japeri, principalmente nos anos finais do ensino fundamental, esteja tão abaixo da média. No entanto, em parceria com o gestor, com certeza alcançaremos os resultados almejados.”
El Hage apresentou na primeira audiência um vídeo sobre a importância de um plano de educação e como funciona cada etapa do programa. Foi inaugurada ainda, em Japeri, uma nova funcionalidade no site do MPEDUC. Agora será possível consultar onde está cada escola pública no município por meio de mapa disponível na seção "Mapa das Escolas". Isso vai permitir à comunidade escolar, ao gestor e ao Ministério Público ter uma noção exata de onde estão as carências do município com relação à rede escolar.


►SUIÇA ERA PORTO SEGURO PARA FRAUDES      
Em outubro de 2011, dois altos funcionários da Petrobras jantaram em Milão (Itália) com o presidente e o agente de um banco sediado na Suíça, o Cramer. No dia seguinte eles abriram contas no mesmo banco em nome de empresas de fachada e começaram a receber milhões de dólares em propina associadas a contratos de estaleiros com a estatal.
O encontro e a operação que o sucedeu –descritos pelo ex-gerente de engenharia da Petrobras Pedro José Barusco Filho no acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal– são um exemplo do envolvimento pessoal de gestores de contas de bancos sediados na Europa revelados pela Operação Lava Jato.
Depoimentos de Barusco e outros delatores revelam a tolerância e mesmo o incentivo dos bancos para permitir a guarda e o sigilo sobre dinheiro suspeito movimentado por funcionários da estatal.  Barusco revelou que, após o jantar em Milão, as contas abertas no Cramer receberam, ao câmbio de sábado (21), cerca de R$ 21 milhões de 2011 a 2013, propina referente a um programa de construção de navios equipados com sondas de perfuração.
Do jantar, segundo Barusco, participaram ele, o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, o consultor Julio Camargo e o ex-diretor- presidente da Sete Brasil, João Carlos Medeiros Ferraz.
No dia seguinte, Barusco abriu a conta "Natiras", Duque, a "Drenos", e Ferraz, a "Firasa". Camargo já era correntista no banco e apresentou o banqueiro ao grupo.
Barusco disse que escolhia as instituições financeiras que esconderiam seu dinheiro de acordo com o sigilo oferecido. Ele contou que "entre 1997 e 1998 até outubro de 2010" ele recebeu US$ 22 milhões em propinas pagas pela firma holandesa SBM.
Nos primeiros pagamentos, na década de 90, os valores foram pagos no banco Republic, que depois foi comprado pelo HSBC. Barusco, porém, disse que não gostou "do serviço e do 'sigilo' desse banco" e por isso transferiu os valores de uma instituição a outra até que, em 2003, "transferiu todos os créditos de propina destas contas para a conta numerada" em seu nome no Safra de Genebra.
Barusco relata um dissabor. Ele contou que, no banco Lombardo Odier, um brasileiro chamado "Roberto" orientou que ele e Duque abrissem duas "contas de passagem" para ocultar capital, que receberam ao menos US$ 6 milhões. Tempos depois, Duque disse a Barusco que "Roberto havia sumido": os dois perderam o dinheiro.
  
►EMPREITEIRO ACUSA PT DE CAIXA DOIS
O empreiteiro Ricardo Ribeiro Pessoa, dono da UTC Engenharia, que negocia acordo de delação premiada com os procuradores da Operação Lava Jato, está disposto a fazer revelações sobre o uso de caixa dois em campanhas do atual ministro da Defesa, Jaques Wagner (PT), na Bahia, de acordo com reportagem publicada na edição da revista "Veja" que começou a circular neste fim de semana.
Segundo a revista, que cita interlocutores não identificados de Pessoa e executivos da UTC que falaram sob condição de anonimato, o empreiteiro estaria disposto a dizer que a UTC ajudou no pagamento de despesas pessoais do ex-ministro José Dirceu, condenado no processo do mensalão, simulando contratos de serviços de consultoria. Dirceu afirma que efetivamente prestou serviços de consultoria para as empreiteiras.
Pessoa teria dito que "financiou clandestinamente" as campanhas de Wagner, que foi governador da Bahia. Os registros da Justiça Eleitoral mostram que a UTC doou a Wagner R$ 2,4 milhões na campanha de 2010, mas nada em 2006, segundo levantamento feito pela Folha de S. Paulo.
Wagner desmentiu, por meio de sua assessoria, "as insinuações de uma delação premiada que não aconteceu" de que suas campanhas teriam recebido doações clandestinas. Afirmou que as doações da UTC em 2010 foram registradas e que suas contas eleitorais são "abertas ao público e foram devidamente aprovadas e auditadas".
O ministro disse não ter recebido doações da UTC em 2006. Wagner afirmou também ter considerado "patética a frase anônima de que 'Ricardo pode destruir o Wagner', pois sua vida política está consolidada em três eleições para deputado federal e duas vitórias no primeiro turno ao governo da Bahia".
Procurada para falar sobre as declarações atribuídas a Pessoa, a UTC disse que não se manifestaria. A assessoria do PT não se manifestou até a conclusão desta edição.
As negociações para um acordo de delação entre Pessoa e a Lava Jato ocorrem pelo menos desde o início de janeiro, mas os investigadores, segundo a Folha apurou, resistem a fechar o acordo porque Pessoa estaria fornecendo informações que já são de conhecimento da PF e do Ministério Público, ou se recusaria a fornecer dados sobre outras áreas da investigação.
Segundo o relato da revista "Veja", Pessoa também estaria disposto a vincular o pagamento de propina por empreiteiras que tinham negócios com a Petrobras e as doações feitas à campanha da presidente Dilma Rousseff em 2014.
O PT negou reiteradamente nos últimos meses que tenha praticado irregularidades no financiamento da campanha de Dilma, dizendo que as doações são registradas na Justiça e as contas da campanha foram aprovadas no Tribunal Superior Eleitoral.

 ►CPI NO COFRE DAS EMPREITEIRAS
As empreiteiras investigadas no escândalo da Petrobras fizeram doações nas eleições de 2014 para cinco deputados escalados para participar da nova CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) criada pela Câmara para investigar o esquema de corrupção na estatal, que será instalada nesta quinta (26).
Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, as prestações de contas entregues à Justiça Eleitoral de outros quatro deputados indicados para a CPI mostram que eles receberam repasses de colegas de legenda que tiveram como origem recursos oriundos dessas empreiteiras, que teriam custeado material conjunto de campanha.
Esses nove congressistas receberam juntos R$ 1 milhão em transferências da Brasken, Engevix, Queiroz Galvão, Odebrecht, UTC e OAS. As doações foram registradas legalmente na Justiça Eleitoral e não há notícia de que estejam sob suspeita.
Ao todo, as empreiteiras que são alvo da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, doaram nas eleições do ano passado R$ 50 milhões a 243 congressistas (41% do Congresso), distribuindo recursos a políticos dos principais partidos governistas, incluindo PT, PMDB e PP, mas também de siglas da oposição.
Foram feitas contribuições para governistas e oposicionistas que foram escolhidos nas últimas semanas para integrar a CPI. Os beneficiados diretamente são Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), Paulo Pereira da Silva (SD-SP), Antonio Imbassahy (PSDB-BA), Júlio Delgado (PSB-MG) e Otávio Leite (PSDB-RJ).

►EX DE BRASÍLIA TEM BENS BLOQUEADOS
O juiz da 2ª Vara da Fazenda Pública do Distrito Federal (DF) determinou o bloqueio de bens do ex-governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz. O magistrado atendeu a uma ação cautelar movida pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), com base em prática de atos de improbidade feitos pelo ex-governador.
A ação explica que contratos e compromissos foram firmados sem a devida observância ao Orçamento disponível e à Lei de Licitações. Segundo o MPDFT, o então governador comprometeu-se a pagar cerca de R$ 37,2 milhões à Rede Bandeirantes para transmissão da etapa brasileira da Fórmula Indy. O evento acabou sendo cancelado pelo atual governo por falta de dinheiro.
Outros compromissos do governo anterior foram citados na ação. Dentre eles, a contratação de empresas de consultoria e engenharia; a realização de outro evento, o Moto GP; e a reforma do Autódromo Nelson Piquet. O Ministério Público levantou no Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) que só essa reforma apontou sobrepreço de R$ 30 milhões.
Outros integrantes da gestão de Agnelo também tiveram seus bens bloqueados: a ex-presidente da Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap), Maruska Lima de Souza Holanda; o ex-secretário de Publicidade Institucional, Carlos André Duda; o ex-chefe da Assessoria de Comunicação da Terracap, Sandoval de Jesus Santos; e o ex-diretor financeiro da Terracap, Jorge Antônio Ferreira Braga, que respondem solidariamente na ação. O bloqueio dos bens impede que os acusados transfiram seus bens a outras pessoas ou os vendam, impedindo uma eventual decisão de ressarcimento ao erário, em caso de condenação.
“É tarefa das mais difíceis compreender como, mesmo diante da constatação de sobrepreço no instrumento convocatório, no montante aproximado de R$ 30 milhões, para a reforma do autódromo local […] tenham os réus perseguido obstinadamente a consecução do escopo dessa obscura empreitada”, disse o magistrado em sua decisão.

►STJ CONFIRMA CASSAÇÃO EM CABO FRIO
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmou a decisão da 13ª Câmara Cível do TJRJ que condenou, por unanimidade, o prefeito de Cabo Frio Alair Corrêa por improbidade administrativa. O processo decorre de ação proposta pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por intermédio da 2ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva.
O MP recebeu o certificado de trânsito em julgado do órgão superior e encaminhará à Justiça a requisição de cumprimento da sentença.
O Grupo de Apoio Técnico Especializado (GATE), do MPRJ, vai analisar qual o valor devido. A ação teve por base inquérito do Tribunal de Contas do Estado, que constatou irregularidades durante a administração de Alair entre junho de 1998 e fevereiro de 1999. A investigação provou a prática de despesas sem empenho prévio na locação de veículo, fracionamento de despesas na contratação de serviços de instalação elétrica em obras da Secretaria de Educação para evitar a realização de licitação, além de gastos de publicidade que caracterizaram promoção pessoal.
De acordo com a decisão, relatada pelo desembargador Ademir Paulo Pimentel, em 25 de agosto de 2010, o réu obteve proveito econômico quando utilizou recursos públicos para autopromoção e beneficiou terceiros ao não submeter as obras realizadas e a locação do veículo ao regular processo de licitação. Os desembargadores constataram as práticas não apenas como ilegais, mas também nocivas ao erário público.
Em janeiro deste ano, Alair comentou nos meios de comunicação do município que contava "com a morosidade da Justiça para concorrer em 2016". (Proc. nº: 0003396-11.2004.8.19.0011)

►ANVISA RECOLHE ANTIBIÓTICO
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu a fabricação, distribuição e comercialização de todos os lotes do medicamento Policlavumoxil 250mg/5ml + 62,5mg/5ml pó para suspensão oral, fabricado pela Indústria Farmacêutica EMS S/A, e determinou que caberia à empresa o recolhimento do produto no mercado.
A determinação foi publicada no Diário Oficial da União da última quarta-feira (18), com a justificativa de que o remédio tem a mesma fórmula de produto suspenso no último dia 4: o Amoxicilina + Clavulanato de Potássio 50mg/ml + 12,5 mg/ml pó para suspensão oral.
Hoje (20), porém, a EMS S/A informou que além do Amoxicilina, no dia seguinte (5) começou a recolher também, voluntariamente, todos os lotes dentro da validade do produto Policlavumoxil 250mg/5ml + 62,5mg/5ml pó para suspensão oral, e disponibilizou serviço de atendimento ao consumidor pelo telefone 0800-191914, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.
De acordo com a Anvisa, a suspensão do genérico Amoxicilina - ampliada para o Policlavumoxil - "foi motivada pela constatação de que o medicamento estava sendo fabricado com excipiente diferente do que foi aprovado pela agência, e ainda pelo uso de um insumo farmacêutico que estava sendo sintetizado de forma diferente do que consta no registro do produto".

►CONTA DOS “GATOS” CHEEGA A R$ 8 BI
A estimativa da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica é de que os “gatos”  (desvio de energia da rede, sem pagar por ela) causam um prejuízo por ano que passam dos 8 bilhões de reais. Se a referência for o preço da energia comprada no ano passado pelo mercado, os valores do prejuízo chegam a R$ 15 bilhões.
A alteração que algumas pessoas fazem no medidor de energia também é considerada furto e pode resultar em multa e até prisão para o violador.
Quem faz ligações irregulares, o autor do “gato” acaba transferindo o prejuízo para os clientes regulares das distribuidoras de energia. Fazer gato é crime previsto no Código Penal e o responsável fica sujeito a multa e pode ser preso por até quatro anos. Além disso, esta prática coloca em risco a vida das pessoas que fazem a ligação clandestina.

►FLOR DA PRIMAVERA É BI DE CAXIAS
Com apenas um ponto perdido em nove quesitos, o Bloco Carnavalesco Flor da Primavera conquistou o bicampeonato do carnaval organizado pela Prefeitura e a Associação Carnavalesca de Duque de Caxias (ACDUC). Com 87,5 pontos, o vice-campeonato ficou com o Bloco do China. Na terceira colocação ficou o Império do Gramacho com 84 pontos. A apuração foi realizada nesta sexta-feira (20/2), na quadra da Acadêmicos do Grande Rio.
“Quero parabenizar todos os blocos, que com muito empenho tornaram possível a realização dessa festa. Estamos vivendo um momento especial com o resgate do carnaval da cidade, conseguindo reunir mais de 30 mil pessoas em Santa Cruz da Serra durante os quatro dias de folia”, destacou o subsecretário André Oliveira.
O Flor de Primavera também foi a que mais levou troféus para casa, três no total – de melhor carro Abre-Alas, melhor Estandarte e melhor Bateria.  Já o Bloco do China garantiu os prêmios de melhor Intérprete e Mestre Sala e Porta Estandarte. Mesmo número de troféus conquistados pelo Império do Gramacho, que ganhou nas categorias de melhor Samba-Enredo e Ala das Baianas. O Esperança de Nova Campina conquistou o prêmio de melhor Ala das Crianças.
O presidente da ACDUC, Inocêncio Barbosa, agradeceu o apoio dado pela prefeitura e o empenho dos componentes dos blocos carnavalescos para a realização do carnaval em Duque de Caxias. “Sem a ajuda do prefeito Alexandre Cardoso e o esforço de todas as pessoas que participaram do desfile, hoje não estaríamos aqui comemorando mais uma edição de sucesso do nosso carnaval”, afirmou.
Realizado pelo segundo ano seguido após um longo período de interrupção, o desfile dos blocos de enredo atraiu foliões de diversos bairros da cidade para a Praça da Matriz, em Santa Cruz da Serra. Na avenida, os blocos Império do Gramacho, Unidos do Laureano, do China, Esperança de Nova Campina e Flor da Primavera mostraram o trabalho de um ano realizado nos barracões.  

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Empreiteiras ainda mais encrencadas pós-carnaval


RODRIGO JANOT PREPARA AÇÕES DE
IMPROBIDADE CONTRA EMPRESÁRIOS
Os empresários envolvidos na Operação Lava Jato têm mais uma razão para reclamaram da falta de apoio de Lula, Dilma e outras figuras de destaque na política nacional. É que a Procuradoria Geral da República, além da denúncia contra políticos por corrupção, deverá ingressar com ações específicas de improbidade contra as empresas envolvidas no Petrolão. 
Pela nova legislação, que a Presidente Dilma ainda não teve tempo de ler e discutir o decreto de sua regulamentação, as empresas – pessoas jurídicas – podem ser denunciadas por corrupção ativa e as punições vão desde uma expressiva multa, de alguns bilhões, até o fechamento da empresa.