segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

BAIXADA URGENTE - DENÚNCIA

MILITÃNCIA DO PDT REAGE
À BARGANHA POR CARGOS

Pela reação de algumas lideranças do partido, o “comodato” entre Washington Reis e o deputado Carlos Correia em torno da adesão do PDT à reeleição do prefeito tem tudo para dar errado. Nas negociações entre o ex-prefeito de São João de Meriti e o atual prefeito de Duque de Caias, o presidente do PDT/RJ cedeu a legenda sem reunir o partido, numa decisão típica do coronelismo que doía os chamados partidos de aluguel, aqueles que apóiam o candidato que oferecer mais vantagens para seus dirigentes. Em um comentário postado no blog, o tenente Melquisedec Nascimento, que se lançou candidato a prefeito com apoio do deputado Wagner Montes, afirma que o PDT é um partido histórico, que sempre defendeu a Justiça Social, a Liberdade e a Soberania nacional. Para o presidente da Amae – uma
associação de PMs e Bombeiros Militares – Duque de Caxias não é mais uma cidadezinha provinciana. Quem ainda pensa assim e continua a realizar as velhas práticas, corre seriíssimo risco de ser apresentado na imprensa algemado. Para Melquisedec, “o PDT não pode ser tratado dessa forma, como uma legenda qualquer, sem história e sem ter possuído estadistas. Trata-se de um verdadeiro acinte à história do partido essa briga por cargos em troca do apoio ao prefeito Washington Reis. O PDT de Caxias pode e deve ter um candidato próprio à prefeitura da cidade. Ademais, Caxias não pode ser tratada como um pedaço da Baixada Fluminense, ou mesmo um bairro da capital. Temos nossa identidade própria, jamais se poderia aceitar que políticos de outros municípios tenham cargos em Caxias”. E ele fecha o comentário com um brado que pode levantar a massa de insatisfeitos de todos os partidos no Município: “Duque de Caxias para os duquecaxienses!”.

• A se confirmarem as informações de que o novo Secretário do Trabalho e Emprego é um ex-prefeito da Baixada, a impressão é a de que a “Legião Estrangeira” que hoje acompanha o prefeito terá seus quadros bastante ampliados.
• Depois do fracasso com os Secretários de Cultura (Carmem Migueles), de Fazenda (Sérgio Rui – aquele que pretendia economizar cinco milhões por ano cortando beneficio dos servidores), do Trabalho (o ex-deputado Eraldo Macedo, demitido quando estava em coma num hospital do Rio), de Saúde (o folclórico biólogo Oscar Berro, responsável pelo tumulto no ultimo concurso para médicos), de Comunicação, o virtual Kiko (que não falava com jornalistas, pois é um excelente corretor de seguros), está na hora do prefeito lançar mão da chamada prata da casa e investir mais em pessoas que participaram da sua campanha em 2004 e moram e vivem os problemas de Duque de Caxias.
• A campanha pela reeleição será dura, mesmo com a participação, lado a lado, de Sérgio Cabral, César Maia e Garotinho, cujos prestígios seguem ladeira abaixo.
• Enquanto isso, os integrantes do PSOL, partido que saiu de uma costela do PT em meio à crise do mensalão, pretende fazer uma reunião publica para discutir. . . a regulamentação dos motos-táxis.
• O mais jovem partido do País incorre no mesmo víéis dos demais nanicos, que pegam um assunto da moda para tentar montar uma campanha eleitoral.
• Enquanto o povo continua enfrentando enchentes, deslizamentos, filas nas portas de hospitais e dos postos de saúde, além da invasão das vans, a turma do PSOL só pensa no perigo representado por um punhado de motoqueiros.
• Sobre as empresas de ônibus, na ilegalidade desde 1988, a concessão vencida dos serviços funerários e outros assuntos “mais quentes”, os seguidores de Heloisa Helena preferem guardar um suspeito silêncio. Por quê?

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

BAIXADA URGENTE - DENÚNCIA

FAVELAS ESTÃO AVANÇANDO
SOBRE OS RIOS DE XERÉM
Embora o prefeito seja da área da Construção Civil, a Secretaria de Habitação é um órgão inoperante. Por falta de uma política habitacional, as favelas continuam em expansão, tanto na horizontal, anexando novas áreas, como na vertical, com a venda de lajes e o surgimento de espigões. Nos últimos meses, surgiram novas favelas em Xerém, o Distrito com maior área do município, parcialmente integrante da Mata Atlântica. Enquanto derrubam árvores e constroem casas, os invasores também destroem as matas cilaires, que protegem as nascentes dos rios do Distrito, que ainda abastecem não só parte da Capital, mas também uma boa parte do Segundo Distrito, através da Barragem do rio Saracuruna, construída pela Petrobrás e, recentemente, doada à CEDAE. Com a chegada do verão, aumentou o número de famílias que buscam as cachoeiras de Xerém para combaterem o calor e como forma de um lazer barato. O problema é que a invasão dos turistas é desorganizada, usando até as barragens da Cedae como área de mergulho, sob as vistas impotentes dos seguranças particulares, contratados pela Cedae ou pelo IBAMA, que deveriam proteger a área. Além das invasões, patrocinadas e apoiadas por conhecidos políticos da região, temos também a invasão da turma do “colarinho branco”, inclusive a direção do Fluminense, como constatou o Secretário de Ambiente, Carlos Minc, numa “incerta” até o centro de treinamento do clube, em Xerém, que rendeu uma pequena multa ao clube das Laranjeiras. Se nada for feito com urgência, brevemente Xerém terá uma população maior, sem ruas, sem saneamento básico, com casas precárias, sem abastecimento de água e sem postos de Saúde e escolas, como já acontece em outras “comunidades”.
COMEÇOU A BRIGA NO PDT
PELOS 90 CARGOS EM CAXIAS
A nota do blog sobre a decisão do prefeito Washington Reis de liberar os 90 cargos de chefia da Secretaria de Trabalho e Emprego, em face do acordo firmado com o presidente do Diretório Regional do partido, o deputado e ex-prefeito de São João de Meriti, Carlos Correia, provocou as mais disparatadas reações na cidade. Dentro do PDT, a “turma do envelope” não se conforma em ficar com apenas 15 cargos, enquanto o grupo dos “históricos” critica o oportunismo dos seus rivais, em negociar o apoio à reeleição do prefeito apenas em troca de cargos, uma vez que o PDT é um partido de vanguarda e ideológico. O beicinho dos “históricos” é apenas um disfarce para a incômoda situação em que se encontram, tendo que fazer a campanha do prefeito, que é do PMDB, mas sem nada em troca. Entre os mais irritados com o “acordo” entre o deputado Carlos Correia e Washington Reis está o ex-vice-prefeito, Wilson Will Gonçalves, que não conseguiu nenhum dos 90 cargos. E a reação é ainda maior por saberem os pedetistas de Duque de Caxias que a maior parte dos cargos irá para pessoas ligadas ao deputado Carlos Correia, inclusive seu irmão, que será o Subsecretário, sem falar que o cargo mais importante será dado a um ex-prefeito da Baixada, que deverá cumprir a mesma rotina do ex-deputado Eraldo Macedo – irmão do Bispo Edir Macedo e tio do senador Marcelo Crivella – que raramente aparecia na Secretaria. Apesar das suas origens na Igreja Universal, Eraldo Macedo foi demitido pelo “irmão em Cristo” Washington Reis mesmo estando em coma numa cama de hospital, o que revela o coração piedoso do prefeito.
• Além dos problemas com a candidatura do deputado Wagner Montes, no Rio, o PDT, terá um outro abacaxi pela frente. Trata-se do Tenente Melquisedec Nascimento, presidente de uma Associação de PMs e Bombeiros Militares e com uma forte liderança não só entre os colegas de farda, mas também entre moradores do Município.
• Como a Segurança continua sendo o calcanhar de Aquiles do Governo de Sérgio Cabral, Nascimento tem condições de discutir esse assunto com toda a sociedade civil, tanto pelo lado da falta de segurança para o cidadão, como de perspectivas na carreiras para os PMs e Bombeiros, principalmente depois do reajuste “chorado” de 4% nos salários dos servidores no ano passado.
• Com o apoio declarado do deputado Wagner Montes, Nascimento poderá se tornar uma grande pedra no sapato do deputado Carlos Correia e do seu mais novo amigo de infância, Washington Reis. Como o PDT é um partido virtual, qualquer movimento brusco pode tirar o PDT da campanha eleitoral, tal e qual aconteceu nos idos de 80, quando uma parte da militância reagiu à entrada do então deputado Messias Soares.
• Mesmo tendo sua ficha de adesão abonada pelo governador Leonel Brizola, Messias Soares precisou brigar na Justiça Eleitoral para sair candidato. Até uma candidata foi importada, Márcia Cibillis Viana, para impedir o simpático Messias de disputar a prefeitura de Duque de Caxias. Ele venceu na Justiça, mas não teve tempo suficiente para a sua campanha e acabou derrotado.
• A situação hoje é diferente, a começar pela disputa no Rio de Janeiro, onde o partido terá de decidir se tenta vencer com Wagner Montes, que não é a menina dos olhos do Ministro Carlos Lupi mas lidera as pesquisas de intenção de voto, ou vai para o sacrifício e ajuda César Maia a eleger a deputada Solange Amaral, ou, pior ainda, garante a eleição do bispo Marcelo Crivella e entrega as chaves da Prefeitura do Rio à Igreja Universal, cujos bispos chutam as imagens da Virgem Maria ou as queimam e jogam no lixo, como ocorreu com as imagens feitas pelos índios Guaranis, no Rio Grande do Sul.
• O Fórum Cultural da Baixada Fluminense marcou uma reunião neste sábado, dia 12, às 14 horas no Campus da UERJ, na Vila São Luiz, em Duque de Caxias. Dentre os assuntos a serem tratados nesta reunião estarão: revisão da Carta Cultural, Armazém Cultural e eleições do Fórum.
• Em sua primeira viagem como governador em exercício ao interior fluminense, o deputado Jorge Picciani inaugurou, nesta quinta-feira (10/1), a 128ª Delegacia Legal de Rio das Ostras, na Região das Baixadas Litorâneas. Com esta unidade policial, o programa Delegacia Legal completa 103 unidades implantadas em todo o estado. Nos próximos seis meses estão previstas
mais nove unidades. Na área de Segurança, o orçamento para este ano está mais reforçado que em 2007, disse Picciani. A solenidade contou com a participação do prefeito de Rio das Ostras, Carlos Augusto Balthazar; do secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, e do secretário da Casa Civil, Régis Fichtner
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quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

BAIXADA URGENTE - DENÚNCIA

PDT DE CAXIAS TERÁ 90 CARGOS
Enquanto o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, resiste bravamente (mas não heroicamente) às pressões da Comissão de Ética do Palácio do Planalto, para que deixe a direção partidária se pretende continuar Ministro do Trabalho - para poder distribuir cargos nos estados para brizolistas amigos - o prefeito de Duque de Caias, Washington Reis, aceitou pagar um alto preço pelo apoio do PDT à sua reeleição. Nas negociações com o deputado Carlos Correia, ficou acertado que o PDT receberá a Secretaria de Trabalho e Emprego de porteira fechada, isto é, todos os 90 cargos de chefia e preenchidos sem concurso, serão ocupados por militantes do partido fundado por Brizola. O ex-prefeito de São João de Meriti e dirigente do PDT/RJ continua, porém, insistindo em colocar um irmão no comando da Secretaria, mas Washington Reis nega tal pedido, pois já tem compromisso com um outro ex-prefeito da Baixada, que poderá tomar posse como Secretário de Trabalho na próxima semana. Assim, só restará ao deputado Carlos Correia indicar o subsecretário. Na partilha dos cargos, o PDT/Caxias, que está estropiado desde a morte de Leonel Brizola, terá direito a apenas 15 cargos, que serão ocupados, logicamente, pela “turma do envelope”, apelido magistralmente pespegado pela professora Cândida Helena, que lidera a facção do Partido que não aderiu ao prefeito. Isto quer dizer que os pedetistas da Baixada disputarão, no tapa e a golpes (baixos0 de borduna, nada menos que 75 cargos. Projetos para a geração de empregos o PDT não têm. Em compensação, o partido revela uma invejável disposição para ocupar os espaços na administração. Com a grana (10%) que o partido vai receber dos seus militantes, encarrapitados nos 90 cargos da Secretaria de Trabalho e Emprego, como faz o PT, talvez o partido possa comprar uma nova bandeira para a sua velha sede, na atual Av. Leonel Brizola, ex-Presidente Kennedy, conforme lei proposta pelo deputado Zito e vetada por Sergio Cabral, cujo veto foi derrubado pelo plenário da ALERJ.

GOVERNO PODIA APROVEITAR
O CAMPO DE POUSO DE XERÉM
Agora que está com dinheiro sobrando, o prefeito Washington Reis, que ainda mora em Xerém, poderia dar uma melhor utilização ao hangar ali existente, onde pousavam os aviões que traziam técnicos italianos da Alfa Romeu, que desembarcavam no Galeão. O internauta Silas Correa, que mora em Xerém, enviou uma foto do hangar, com sujestões para que o local seja utilizado por pequenas aeronaves, pelos praticantes de asa delta, e até como escola de aeromodelismo em parceria com empresas, como a Celma-GE, ou escola para a formação de pessoal qualificado nessa área.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

BAIXADA URGENTE - DENÚNCIA

PM GANHA CARROS DE LUXO O governador do Ceará, Cid Gomes, irmão do deputado e ex-Ministro Ciro Gomes, do PSB, já começou a receber as primeiras das 482 viaturas da marca Toyota, Modelo HILUX SW4, compradas ao preço unitário de R$ 165.000,00, segundo tabela fornecida pela empresa Zeni Motors, revendedora da empresa japonesa em Cascavel, Paraná, o que resultaria numa despesa de cerca de R$ 70 milhões. Os veículos são equipados com câmbio automático, bancos de couro, ar condicionado e tração nas 4 rodas (para não atolarem no péssimo asfalto das rodovias federais que cortam o estado. O mais curioso é que tais mimos são importados da Argentina, o que significa a exportação de empregos e geração de renda para o país vizinho, além de encarecer a manutenção, pois as peças de reposição serão obrigatoriamente importadas. Um internauta caxiense, que passou uns dias em Fortaleza, fotografou os bólidos e está enviando pela web aos amigos, como forma de protesto contra o aumento dos impostos e o desperdício, por parte dos nossos governantes, onde se incluem Lula, governadores e prefeitos, do dinheiro arrecadado. O governador Cid Gomes faz lobby junto ao Planalto para que a Petrobrás forneça, a preços subsidiados, o GNV para alimentar os altos fornos de uma siderúrgica em construção na terra de Padre Cícero, produto. que a estatal ameaça cortar dos consumidores do Rio de janeiro, inclusive os motoristas de táxi.

A INVASÃO DAS MOTO-TÁXIS

Está explicada a impunidade dos moto-táxis. Os motoqueiros desfilam com camisas de políticos ligados ao Governo. Quando a praga surgiu, às vésperas das eleições de 2004, eles usavam propaganda de Laury Villar. Hoje, as camisas tem a “chancela” de deputados ligados a Washington Reis e Sérgio Cabral. Por isso eles estão dispensados de usarem capacetes, bem como os passageiros, além de ser permitido ouso de motos sem placas, o que é proibido pelo Código Nacional de Trânsito.

• Como se vê, não é só o prefeito Washington Reis que vai torrar R$ 300 milhões do PAC na demolição do Shopping Center. O Ceará também está ajudando a Argentina a exportar caros de luxo para o Brasil.
• O caso do governador Cid Gomes tem um perigoso precedente. O presidente Lula, desde que assumiu a Presidência da República, só viaja em carros da GM, fabricados na Austrália. O governo justifica a mordomia informando que os carros são cedidos em comodato, isto é, emprestados pela multinacional americana.
• Agora, vamos imaginar o Primeiro Ministro do Canadá comprando um avião da Embraer? Ou a Rainha da Inglaterra desfilando numa Fiat de luxo em plena Londres? Ou Presidente da França saudando data nacional do pais com uma taça de vinho português? Como reagiriam os cidadãos desses Países?
• O Duque de Caxias que, sob as bênçãos do prefeito Washington Reis e do ex-deputado Eurico Miranda conseguiu, em apenas um torneio, ascender à Primeira Divisão, está de cara nova. Contratou, por R$ 30 mil mensais, o ex-seleção Viola.
• Para disputar o torneio de acesso, o Duque de Caxias aproveitou a turma do CD (come e dorme) do Vasco da Gama, mas, para disputar o título de Campeão carioca, precisou montar um time novo, pois o acordo entre o prefeito e o dono de São Januário não permitia que o clube caxiense usasse os jogadores cruzmaltinos contra o time do ex-deputado.
• Será que a Federação e o Corpo de Bombeiros vão autorizar o Duque de Caxias a jogar contra Flamengo, Vasco, Botafogo e Fluminense no acanhado Estádio Telê Santana, que já foi Gaspar Correia Mayer, depois do acidente na Fonte Nova, em Salvador?


segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

BAIXADA URGENTE

TAQUARA - CONTRIBUIÇÃO À HISTÓRIA

Igreja de N. Sra. da Piedade de Inhomirim em ruínas

Guilherme Peres (Membro da Academia de
Letras de Meriti e fundador do IPAHB)

Abrangendo um imenso território com suas capelas filiais de “Serra Acima” e “Serra Abaixo”, a igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade de Inhomirim, (atualmente em ruinas)segundo monsenhor Pizarro que visitou essa paróquia no final do século XVIII, registrou sua criação no ano de 1677 “distante dois quarto de légua do Porto da Estrela”. Arruinada sua construção, obtiveram em 1700, de “Lourenço Álvares de Resende e sua mulher Helena da Cruz, a doação de 25 braças de terra em quadra à N. Sra. da Piedade além de mais 4 braças para casa de vivenda do pároco”.
Deliberando muda-la para mais próximo do Caminho do Inhomirim, os fregueses “conseguiram de João Martins Oleiro e sua mulher, a doação de 16 braças de terra de testada com 30 de fundo no campo da fazenda chamada Figueira, que se realizou no dia 1. de novembro de 1754”, iniciando sua construção com paredes de pedra e cal. Em seu interior “se levantaram sete altares, no maior dos quais tem assento o sacrário, onde permanentemente se conserva o Santíssimo Sacramento, cujo culto está a cargo de uma Irmandade ereta pela provisão de 29 de fevereiro de 1764”. A Igreja (foto) onde Luis Alves de Lima e Silva, o "Duque de Caxias", foi batizado, está em ruinas, sem que nem a Igreja, como instituição, nem o Ministério da Cultura ou o Governo do Estado tomem qualquer providência para recuperá-la antes do desabamento final.

DUQUE DE CAXIAS – Nascido no dia 25 de agosto de 1803 na fazenda São Paulo região da Taquara, o grande brasileiro Luiz Alves de Lima e Silva que mais tarde se tornaria o Duque de Caxias, usou sua espada para manter a unificação do território brasileiro durante o Império e a defesa do Brasil na Guerra do Paraguai. Foi batizado na “Freguesia de Inhomirim, aos doze dias do mês de setembro de mil oitocentos e três, pôs os Santos Óleos o padre Agostinho Lopes de Laet à Luiz, Inocente” conforme consta no assento de batismo que pertenceu aquela paróquia.
O TERRITÓRIO – Mencionando a fertilidade da terra, Pizarro relaciona os produtos da lavoura produzidos na região: cana, arroz, café, mandioca e legumes, relacionando: “duas fábricas de açúcar e três de aguardente se conservam no território abaixo da Serra; mas no tempo presente contam-se nove entre umas e outras”.
Citando os rios que faziam parte desse território, inicia com o rio Inhomirim que “fermentando entre a Serra Grande e a de Itacolomí, leva consigo o Rio do Ouro, pelo qual se divide a presente freguesia com a de Sururuí”. O Piabetá, o Bonga, o Caioaba, nascidos na Serra da Estrela “atravessa três vezes a Estrada Geral de Minas, se ajunta com o Saracuruna, pela qual finaliza o termo desta Freguesia e principia a da Freguesia do Pilar”.
Entre os portos fluviais, se refere aos dois “que se conduzem os efeitos do continente, são principais o da Estrela e de Anhum-mirim. No primeiro há suficiente numero de casas que formam um arraial belíssimo e acomodam notável porção de habitantes por todo o ano, sem o menor embaraço das pousadas em que se descansam os moradores de lugares distantes, e os viandantes de Minas Gerais acompanhados de fazendas de comércio”.
Descrevendo o comércio que se desenvolvia no Porto da Estrela, Pizarro afirma que “acham os caminhantes todas as provisões necessárias dos gêneros relativos ao alimento, à mercancia e as oficinas em casas estabelecidas e bem sortidas”. Referindo-se a Inhomirim: “vizinho à Matriz há outro arraial habitado por negociantes vários; e posto que compreenda menor número de edifícios e de casas mercantis é, contudo freqüentado pelos caminhantes da Estrada Geral para a Serra”.
CAPELA N. SRA. DO ROSÁRIO – Das capelas existentes “Serra Abaixo” sob sua administração eclesiástica, Pizarro menciona “a 1.ª de N. Sra. da Estrela, fundada a mais de 150 a 160 anos em sítio sobranceiro ao rio e porto de Anhum-Mirim, por Simão Botelho, irmão de Baltazar Botelho”.
A segunda capela é a de N. Sra. do Rosário, no sítio Taquara, que Pizarro diz ignorar sua fundação: “cuja antiguidade me foi oculta por não aparecer o seu título”. Entretanto, segundo Frei Cândido Spannagel (O. F. M.), a capela do Rosário na Taquara, vizinha da fazenda S. Paulo pertencente aos avós do Duque da Caxias e local de seu nascimento, “foi construída por Gonçalo Arieiras em 1743 e passou ao domínio do Cap. Ajudante Manoel Antônio em 1757; nesta data passou a fazenda e capela a ser propriedade do capitão José Cardoso de Mesquita a quem foi penhorada em 1794”, tendo sido arrematados em Praça Pública todos os bens que constituíam a fazenda, inclusive a capela, em 1798, pelo Dr. José de Oliveira Fagundes.
A sede da Fazenda da Taquara encontrava-se a cerca de dois quilômetros de distancia da Fazenda São Paulo, ambas situadas a margem da Estrada da Taquara.
Essa Capela foi assistida durante alguns anos pelo padre Luis José de Freitas Bello, tio do Duque de Caxias (entre 1809 a 1823) conforme consta nos livros de batizados da Paróquia de Inhomirim, conferidos por Frei Cândido Spannagel.

CAMINHO DE INHOMIRIM - Em terras doadas a Antônio da Fonseca ainda no final do século XVI e não ocupadas no prazo estipulado por Lei, essa grande sesmaria estendida a margem do Rio Inhomirim foi cedida a Domingues Fernandes, o “Cara de Cão”. Porém, também não sendo ocupada no prazo legal, o Governador Martim Correia de Sá, confirmou a posse de um novo sesmeiro, João Botelho, por despacho favorável de nove de setembro de 1603.
Em meados de 1650, seu filho Simão Botelho, construiu em um “monte sobranceiro” em frente ao porto, uma capela dedicada a Nossa Senhora da Estrela dos Mares, trazendo para essa região de terras férteis inúmeros sesmeiros, atraídos pela facilidade de transportar pelo rio Inhomirim, a produção agrícola em direção o Rio de Janeiro.
Bernardo Soares de Proença, sesmeiro em Suruí, também rasgou uma nova passagem, pela serra do Mar denominado “Caminho do Inhomirim”, iniciado à margem desse rio, subindo a serra e seguindo antigas trilhas indígenas passando por Córrego Seco, atual Petrópolis.
Concluído por volta de 1724, Aires de Saldanha comunicava ao Rei por carta em 11 de outubro desse ano a sua conclusão, e recebia a resposta através da Ordem Régia de 6 de julho de 1725, em que D. João V mandava agradecer a Bernardo Soares de Proença o serviço prestado “o qual ficava na Real Lembrança”.
O CALÇAMENTO - Tomando conhecimento das dificuldades encontradas nos caminhos de acesso entre o Rio de Janeiro e a região das minas, e o desejo dos súditos em realizar seu calçamento, D. João, Príncipe Regente, ordenou de Portugal através da Carta Régia enviada em outubro de 1799 ao vice-rei Conde de Resende “que fosse realizada essa obra desde logo”.
Durante as obras o vice-rei foi substituído por D. Fernando José de Portugal, acumulando as funções de Capitão-General do Rio de Janeiro, cujo estudo e planejamento foram entregues ao setor de Obras Públicas da Capitania.
Em 1802 eram iniciados os trabalhos e o vice-rei comunicava à Corte que “a parte mais impraticável de toda a estrada que é a serra da Estrela, no comprimento de légua e meia”, já estava em construção. Administrado pelo sargento-mor de Milícias, Domingos Francisco Ramos Fialho que planejou seu alargamento e medição, teve a supervisão contínua do capitão do Regimento de Engenheiros, Aureliano de Souza e Oliveira.
Este capitão era pai de Aureliano de Souza e Oliveira Coutinho, futuro Visconde de Sepetiba. Nomeado presidente do Rio de Janeiro por Carta Imperial de 1º. de abril de 1847, veio a ser o 13º. chefe do governo fluminense. Foi ele que assinou os primeiros contratos de colonização em 1845 com os alemães, que ocuparam Córrego Seco, a futura Petrópolis.
“Além de sua grandiosa obra na Serra da Estrela” diz Carlos de Oliveira, “foi morador do Córrego Seco por alguns anos – entre 1802 e 1809 – ali chegando em companhia da esposa D. Francisca Flávia de Proença Coutinho e do filho primogênito Aureliano de Oliveira e Souza Coutinho”.
Projetada com um traçado mais extenso e sinuoso para atenuar o declive das rampas, seguia pelo mesmo atalho ao lado das vertentes do rio Caioaba, cujo objetivo “era transformar o trecho em pauta numa estrada pavimentada que permitisse o tráfego de carroças em quaisquer situações meteorológicas”. Foi previsto também “calçadas laterais, bueiros e calhas de granito, bem como o abaulamento da pista, para controle do escoamento das águas pluviais”.
Medindo um comprimento de “30 palmos” (6,60m) de largura, “segura por três ordens de meio-fios, com suplemento de calçada lateral que os seguram e ao mais corpo da obra” e segundo informaria mais tarde o Major Júlio Koeler o seu comprimento era de “uma légua e um quarto” (8.250 metros).
Com o açúcar ocupando primeiro lugar na pauta das exportações, no início do século XIX o café já despontava como seu forte concorrente. Era necessário adaptar a região de estradas carroçáveis, e não depender só do transporte dos tropeiros, iniciando no velho “Caminho Novo do Inhomirim”, até então a única via oficial de ligação entre Minas Gerais e a Corte seu “empedramento”, facilitando a passagem de carros de tração animal.
Em julho de 1809, S. A. o Príncipe Regente D. João visitou essas obras na Baixada Fluminense já no seu término, e apesar do longo tempo exigido para sua realização em virtude das dificuldades encontradas, fez questão de conhecer o trabalho que ordenara, transformando o antigo caminho lamacento em “calçada de pedra”. Elogiou o esforço de todos e promoveu o já então major Aureliano ao posto de tenente-coronel, que por mais de sete anos morou naquele “sertão” (Serra da Estrela), 1882/1889, até o término da obra.
Hoje quem visita esta estrada, se encanta com as condições de preservação em que se encontra. Exatamente igual a 200 anos atrás quando foi construída, graças ao período em que ficou protegida pelo exército, durante sua ocupação com a instalação da Fábrica de Pólvora.
ESTRADA DA TAQUARA - Incorporadas às atuais estradas ou perdidas nas matas que retomaram seu antigo lugar, esses caminhos são hoje os testemunhos vivos de nosso passado de Brasil Colônia, quando o ouro e as pedras preciosas desciam das minas gerais através da Baixada Fluminense, ou o café durante o período do Império.
Caminhos de referência aos viajantes que partiam da Corte em direção ao interior da Província, assistiram durante o século XIX a descida das mulas gemendo ao peso do café, do fumo, dos queijos e do açúcar. Por eles subiam as tropas carregadas de ferramentas, louças, roupas, bijuterias, vinhos, sal e azeite. “Era um movimento contínuo de grandes comitivas com sua escravatura, seus cavalos e bestas ricamente ajaezadas”. Dentro desse cenário surgiu a Estrada da Taquara.
Servindo de variante para a subida da Serra, ia encontrar-se com o Caminho de Inhomirim na região de “Córrego Seco”, hoje Petrópolis. Após um percurso de cerca de oito quilômetros, passava em frente a sede da Fazenda São Paulo, engalanada por uma alameda de palmeiras que se agitavam ao vento. Em seguida mais dois quilômetros e atingia a Fazenda da Taquara seguindo em direção a raiz da Serra da Estrela em seu lado Oeste.
Não temos registros sobre esse calçamento, ainda que tosco, mas acreditamos que foi também durante o período do Império quando era grande o transito de homens e animais entre Serra Acima e Serra Abaixo, e que resistem até hoje como provam os vestígios deixados em toda a sua extensão até atingir Petrópolis, no encontro com o Caminho do Inhomirim no bairro que recebeu o seu nome: Taquara.
Na segunda metade do século XVIII, abriu-se uma ligação dessa estrada com o Caminho do Pilar ou Caminho Novo de Garcia Paes, que ia encontrar-se entre as sedes das fazendas de São Paulo e da Taquara, aumentando as opções para os viajantes que partiam do Porto do Pilar e o Porto de Estrela, seguindo ou chegando ao interior da Província, segundo o estado dos caminhos.
Segundo um mapa que nos foi oferecido gentilmente pelo jovem historiador Edson Ribeiro datado de 1850 intitulado: “Carta Topográphica e Administrativa da Província do Rio de Janeiro”, vê-se assinalada a Estrada da Taquara iniciando-se no Caminho do Inhomirim, bifurcando-se para a direita e terminando no encontro do mesmo caminho na região de Córrego Seco, hoje Petrópolis.
Em pesquisas colhidas pelo historiador Luis de Oliveira, sobre o então primeiro tenente engenheiro Julio Frederico Koeler que dirigia os trabalhos de construção da futura Petrópolis, este apresentou um relatório em 1835 ao Presidente da Província, descartando obras nessa estrada devidos aos “limitados recursos pecuniários”, e assim se pronunciando: “Vai do Pilar ou Porto da Estrela pelo engenho da Tacoara, Serra dos Três Irmãos, fundo da Fábrica de Pólvora, sai no Córrego Seco; deve-se abandonar de fato”.
Entretanto, em 1841 o Governo interessou-se pela recuperação dessa estrada como vemos no Relatório apresentado pelo mesmo então major Koeler, conforme assinala Luis de Oliveira: “informava ter levantada a planta da Estrada do Córrego Seco à Taquara, representando o seu conceito sobre a importância dessa via de comunicação que com o passar do tempo voltara a ser procurada”.
RELATÓRIOS DA PROVÍNCIA – Baseando-me nos textos publicados nos “Relatório da Província”, e colhidos por Edson Ribeiro, incansável estudioso dos caminhos do passado na região sudeste, vemos referencias a essa estrada:
No ano de 1849: “Carece de melhoramentos o caminho que segue da Vila da Estrela a Petrópolis pela Serra da Taquara e que vai ter à Freguesia do Pilar”.
No ano de 1850: “Caminho da Serra da Taquara. O mau estado em que se achava esse caminho de reconhecida utilidade, quer para a colônia, quer para os fazendeiros que por ela exportam os produtos de sua lavoura, reclamava alguns reparos importantes, especialmente na parte compreendida entre a fazenda de Joviano Varela e o Alto do Imperador. Com o resultado de uma subscrição promovida por vários fazendeiros, deu-se princípio a esses reparos em outubro passado e já em dezembro estava o dito caminho muito melhorado”.
Em 1858: “Os reparos do Caminho da Taquara desde a Raiz da Serra até o Alto do Imperador estão quase concluídos e espero que a despesa não exceda a 3:000$, concedida pela Lei nº. 1.869 de 1857”.
Em 1859: “Estrada da Taquara. Os reparos dessa estrada, que vão desde aquele ponto ao Alto do Imperador, acham-se confiados aos cidadãos Domingos Antonio Bello e Henrique Isidoro Xavier de Brito, havendo-se despedido até agora a quantia de 7:000$”.
Em 1870: “Portaria de 22 de abril de 1869, mandou a diretoria proceder aos reparos precisos com urgência dede a raiz da Serra da Taquara até o alto do Quitandinha, nas raias das terras coloniais de Petrópolis. Contratou-se então por empreitada com o Ten. cel. Henrique Isidoro Xavier de Brito pela quantia de 14:000$. Não consta que tenham tido começo as obras, pois o engenheiro do Distrito nada diz, apesar das ordens em contrário”.
Em 1871: “Estrada da Serra da Taquara. Recebidas em agosto de 1871 as obras de reparo da ponte compreendida entre o Alto e o Campo do Quitandinha em um ponto denominado Caxoeira, que estavam a cargo do Cel. Henrique Izidoro Xavier de Brito. Havia também obras na Estrada do Taquarussú ao Inhomirim e Rio Taquara (desobstrução e canalização)”
PERCORRENDO A ESTRADA – Respondendo ao requerimento de D. Anna Quitéria Joaquina de Oliveira, viúva do Coronel Luiz Álvares de Freitas Bello, fazendeiro e negociante na Taquara, dirigida ao Intendente Geral da Polícia, Paulo Fernandes Vianna em 1809, o coronel Aureliano de Souza e Oliveira, encarregado da obra da Serra em texto colhido por Luis de Oliveira assim se manifestou:
“Passei logo que me foi possível ao território da Tacuara a correr todas as estradas, caminhos e portos que servem aqueles moradores e fazendeiros para suas exportações...havendo ali uma Estrada Geral muito pública , que descendo da serra da Tacuara passa pelo mesmo território, e vem ao Porto da Estrela...onde tem toda comodidade e prontos meios de transportes.
Advirto, contudo que o Caminho Geral que aponto primeiro, carece de ser consertado em alguns passos como os mesmos povos o desejam; para cujo fim convocados que fosse a dar quarenta escravos pelo tempo de três semanas, esses debaixo da direção de algum hábil fazendeiro faria um serviço vantajoso e útil ao público”.

“Quinze de setembro de oitocentos e nove.
Aureliano de Souza Oliveira -
Tenente Coronel encarregado da obra da Serra”.

Aqui vemos que o coronel Aureliano, sendo responsável pelas obras de calçamento do Caminho do Inhomirim, estava também empenhado em recuperar a Estrada da Taquara no início do século XIX, tudo levando a crer que ela serviu como variante àquele caminho durante o período do ouro, e havia interesse em dar continuidade ao transito durante ciclo do café.
BENS TOMBADOS – Pertencente ao 3º. Distrito de Duque de Caxias, o bairro da Taquara teve recentemente seus bens históricos tombados pelo Município, através do Conselho Municipal de Cultura baseando-se na Lei Orgânica dessa Cidade:
1º. – Museu Histórico da Duque de Caxias (antiga Fazenda São Paulo)
2º. – Igreja de Nossa Senhora do Rosário da Taquara.
3º. – Trajeto da Estrada Real denominado Estrada da Taquara.
Entretanto o Parque Municipal, uma reserva biológica pertencente à Floresta Atlântica denominado da Taquara, de responsabilidade da Prefeitura, está totalmente abandonado. Não há fiscalização e o corte de árvores é freqüente, ferindo frontalmente a biodiversidade da região e preocupando parte de seus moradores que dependem da água para sua sobrevivência, cada vez mais escassa.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
Oliveira, Luiz de – “Quatro Caminhos de Pedra que Cruzam a Região Petropolitana” – Revista IHGB – 1985 – RJ.
Pizarro e Araújo, José de Souza Azevedo – “Memórias Históricas do Rio de Janeiro” – INL – Imprensa Nacional – 1945 – Rio.
Lazaroni de Moraes, Dalva – “Esboço Histórico e Geográfico do Município de Duque de Caxias” – Arsgráfica Editora - D.Caxias, RJ
“Relatório da Província do Rio de Janeiro” - anos: 1849, 1850, 1858, 1859, 1862, 1870, 1871
Kroker, Frei Aniceto - “Inhomirim, 250 anos de Paróquia” Ed. Vozes, 1956.
Macedo, Edson – Apostilas e mapas fornecidos referentes à região da
Taquara – 2007

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

BAIXADA URGENTE

A NAU DOS INFELIZES

Senhor Deus dos desgraçados!/ Dizei-me vós, senhor Deus!
se é loucura... se é verdade /tanto horror perante os céus?!
Castro Alves em “Navio Negreiro”

* Guilherme Peres (Pesquisador e fundador do IPAHB)

Na manhã do dia 6 de setembro de 1842, uma belonave britânica de 26 canhões denominada H.M.S.Cleópatra, adentrava a baia de Guanabara para uma escala de alguns dias destinados ao abastecimento. Sua missão nesta viagem era transportar o tenente-general sir William Gomm, que ia tomar posse como governador nas ilhas Maurício. Ancorado próximo ao porto estava barco “Malabar”, também de bandeira inglesa com 64 canhões, no qual fazia parte da tripulação o reverendo inglês Pascoe Grenfell Hill que por questões pessoais, pediu transferência para o “Cleópatra”. Extasiado diante da imensidão da baia, o pastor registrou em seu diário: “A magnificência incomparável da baia do Rio, apertada na entrada, depois se abrindo em uma circunferência de dezessete léguas; suas cem ilhas; as montanhas que a envolvem mostrando cada mudança de contorno, coberta por uma riqueza de verdura do litoral até os cimos... misturando seus cumes com as nuvens; tudo isso compõe uma variedade e beleza que dificilmente cansa a vista. A cidade do lado esquerdo da entrada fica a quatro ou cinco milhas de distância da entrada”.
Ao desembarcar em frente ao Hotel Pharoux, comenta o grande movimento do cais nos barcos que saíam ou chegavam levando e trazendo passageiros e víveres dos navios ancorados ao largo. Contemplou uma praça na qual observou uma grande profusão de frutas e verduras espalhadas pelo chão e apregoadas por escravos.
“Uma alegria cordial se misturam ao redor de um pequeno fogareiro de carvão onde eles fritam seus peixes ou cozinham sua raiz de mandioca e batata doce. O trabalho mais pesado que se vê na rua é o do carregador de café, que leva sacos pesados na cabeça com seus passos acelerados, ao som de chaqualhantes substâncias dentro de uma bexiga que o chefe do grupo sacode e os outros acompanham cantando”.
Critica com veemência o Brasil por sua condição de país escravista, comentando que os casos de tortura e crueldade não eram divulgados pelos jornais do Rio de Janeiro, apenas anunciando casos de negros fugidos de uma jornada sobrecarregada de trabalho e subnutridos “dependendo dos caprichos do mau humor ou da avareza de seu dono”. Assistiu a um leilão de “mais ou menos vinte e cinco escravos de ambos os sexos, decentemente vestidos sentados em bancos atrás de uma mesa comprida, onde um de cada vez subia para ser melhor examinado pelos arrematadores. Um ar de obstinação parecia expressar seus sentimentos de degradação por estarem sendo postos à venda.”
No dia 14 de setembro daquele ano o “Cleópatra” levantou ferros singrando majestosamente em direção ao oceano Atlântico, buscando o continente africano.. Ao iniciar essa viajem o pastor Hill não suspeitava que fosse testemunhar para a posteridade através de seu diário, talvez o mais contundente registro que temos conhecimento das condições degradantes de um navio brasileiro destinado ao transporte de escravos, após ser aprisionado pelos ingleses. Num tom seco e direto, o pastor narra a ventura desse barco “tumbeiro” denominado “Progresso”, que seguia para o Rio de Janeiro. Deixando as ilhas Maurício, o ‘Cleópatra” se dirigiu-se à foz dos rios da região da costa de Moçambique, infestada de barcos negreiros. “Um novo interesse aqui se ligava a cada nau que fosse vista. O mercado de escravos na costa da África no presente momento, está quase confinado aos distritos de Quelimane e Sofala, tendo cessado no Porto, graças aos zelosos empenhos dos últimos e do presente governador”. Ancorado fora da barra, no dia 23 de março de 1843 o comandante mandou uma barca subir o rio em direção a cidade de Quelimane, trazendo na volta uma carta do governador narrando que dois barcos brasileiros, o “Desengano” e o “Confidência”, foram capturados pelo brigue H. M. Lily, cuja tripulação composta de brasileiros e portugueses, apresentara-se a ele, tendo sido devolvidos aos seus respectivos países.
No dia 31, uma embarcação de dois mastros foi avistada ao longe “indo furtivamente ao longo da margem” tendo sido fracassado a tentativa do Cleópatra em contatá-la, alguns escaleres foram enviados “para vigiarem os pequenos rios ao longo da costa.”.
Ao amanhecer do dia 12 de abril “ao voltarmos para Quelimare, o vigia no alto do mastro principal percebeu a sotavento uma embarcação que pela distância mal era visível; mas sua localização tendo sido considerada muito suspeita, a ordem foi de dirigir-se para ela”. Um vento forte seguido de chuva dificultava a perseguição à estranha embarcação. Após algum tempo o sol voltou a brilhar revelando próximo um “bergantim de linhas arrojadas como nós... desmastrado durante a ventania”. De repente o barco içou as velas pôs-se em fuga desfraldando a bandeira brasileira, em resposta a bandeira britânica que tremulada no mastro perseguidor.
Posicionaram-se os homens da tripulação em torno aos canhões e ouviu-se o primeiro tiro de advertência em direção ao bergantim. Seguiu-se mais alguns outros, sendo ignorados pelo perseguido até que, perdendo distância, arriou as velas e aguardou aproximação de seu captor Um escaler conduziu um oficial para tomar posse do navio, e substituir a bandeira brasileira pela bandeira britânica, pois aparentemente não havia dúvidas quanto sua atividade de navio negreiro. Seguiu-se o capitão acompanhado do narrador deste diário e “um cirurgião para examinar o estado de saúde a bordo da presa”.

O APRISIONAMENTO
A visão do quadro degradante que o pastor viu, mesmo em sua narrativa fria é horripilante. Negros nus e famintos se atropelavam no convés do navio arrebentando barricas de farinha, “a raiz da mandioca em pó; outros tendo quebrado os caixotes seguravam grandes pedaços de carne de porco e de boi; e alguns pegaram aves das gaiolas e as devoravam cruas”. Panos torcidos eram enfiados nos tonéis de aguardente, “um forte rum brasileiro do qual beberam em excesso”. Os gritos ensurdecedores de alegria foram ouvidos depois que toda a tripulação inglesa subiu a bordo para livrá-los das correntes de ferro, as quais muitos deles ainda estavam presos. Após a tripulação de dezessete homens serem transferida para o barco inglês composto de três espanhóis e o restante de portugueses e brasileiros, foi avaliado a situação: tratava-se do navio brasileiro “Progresso”, deslocando cerca de 140 toneladas procedente de Paranaguá e seguia em direção ao Rio de Janeiro. Sua carga era composta de 447 negros. “Desses 189 eram homens, poucos, no entanto, passando dos vinte anos; 45 mulheres e 213 meninos”. Havia um grande número de doentes a bordo, suspeitando-se que a princípio fosse de 25, mais tarde descobriu-se uma quantidade maior.
Segundo a tripulação o comandante havia perecido afogado no porto de embarque. Tempos depois se descobriu que ele permaneceu escondido entre seus subordinados para fugir ao rigor das leis inglesas. Dois espanhóis e um português voltaram para o barco “Progresso” com a tarefa de cozinharem para os negros, juntamente com nove marinheiros, um tenente, um mestre quarteleiro, um contramestre e o pastor Hill, autor do diário do qual estamos seguindo seu roteiro.
Ao longo do tombadilho o pastor descreve os negros recentemente libertados, dormindo, enquanto a nave desliza suavemente à brisa do mar calmo. Corpos esqueléticos, uns sobre os outros, disputam o pequeno espaço. De repente, “o céu começou a se encher de nuvens e um nevoeiro espalhou-se pelo horizonte para barlavento”.
Os fortes ventos seguidos de chuva provocaram as cenas de horror que se seguiram, com os marinheiros querendo chegar até as cordas para recolher as velas, e a pisotearem os negros que se alvoroçaram aos gritos acompanhados da ordem de mandar todos descer para o porão. Durante a noite, o calor sufocante agitou “quatrocentos infelizes seres humanos apertados em um porão com doze jardas de comprimento... rapidamente começaram a fazer um esforço para voltar ao ar livre” através das escotilhas fechadas em cima deles.
“A única passagem de ar, o calor sufocante do porão, e, talvez o pânico da situação inusitada fez com eles pressionassem... acumularam-se nas grades, e agarravam-se a ela lutando por ar. Mas com isso barravam completamente a sua entrada. Posso afirmar sem exagero que os gritos, o calor “a fumaça do tormento deles” que subia não pode ser comparadas a nada desse mundo. Um dos espanhóis avisou-se que a conseqüência disso seria de muitas mortes.
Pela manhã, cinqüenta e quatro corpos de homens, mulheres e crianças foram conduzidas para o tombadilho e jogados ao mar. “Era uma cena horrorosa vê-los passar um a um, os membros enrijecidos cobertos de sangue e de sujeira” Outros estavam feridos ou fracos demais para se erguer. Haviam sido pisoteados. “Alguns ainda tremendo foram deitados no tombadilho para morrer, água salgada eram jogada sobre eles para revivê-los, e um pouco de água entornada em suas bocas”.
A refeição daquele dia consistia de farinha e água, “quase metade de meio litro que eles agarravam com inconcebível avidez... suas gargantas deviam estar ressecadas pelos choros e gritos que vararam a noite adentro”.
Na véspera de Páscoa, o pastor parece desabafar diante de tanta degradação: “O mundo não consegue apresentar um espetáculo mais chocante da desgraça humana do que esse nosso navio apresenta. Parece que uma cena tão angustiante possa ser testemunhada sem causar um efeito prejudicial no espectador... depois se familiarizando, ele vai em certo grau insensibilizando seus sentimentos”.
Dia de Páscoa, domingo, 16 de abril. Avistou-se o “Cleópatra” com sinais de que queria se comunicar, sendo feito a aproximação. Receberam “um velho português chamado Valerian, para ajudar a reparar nossas velas que eram velhas e fracas”, e um cirurgião assistente “que começou a examinar os doentes. A maioria dos casos era de disenteria e de ferimentos ulcerados. Um homem tinha uma profunda escara infeccionada causada por chicotadas. Uma pobre criança de seis ou sete anos perdeu quase todo o dedo grande do pé comido por “niguas”, ou seja, bicho de pé”.
O ROUBO DA ÁGUA
Na manhã de segunda feira, os meninos que anteriormente haviam sido rejeitados à bordo do “Cleópatra” por suspeitas de varíola, finalmente foram aceitos cerca de cinqüenta, pois se tratava de “violenta espécie de coceira”. Acompanhados de víveres para alimentá-los, consistindo de “dois sacos de arroz, um de milho moído, uma boa quantidade de carne-seca... que só desse último artigo o “Progresso” carregava um estoque suficiente para alimentar os negros durante dois meses”, além de seiscentos sacos de feijão miúdo, guardado abaixo do tombadilho dos escravos, arroz inferior, farinha, e “22 enormes tonéis, cada uma comportando cinco ou seis barricas cada”.
Referindo-se ao depósito de provisões o pastor registra: “armários trancados cheios de cerveja comum e de cerveja preta forte; barris de vinho; licores de várias espécies; macarrão; vermiceli; tapioca da melhor qualidade; caixas de picles ingleses, cada uma contendo doze vidros; caixas de charutos; uva moscatel; tâmaras, amêndoas, nozes etc.etc. Os viveiros no tombadilho estão cheios de aves e patos e tem onze porcos”.
O “Cleópatra” afastou-se rapidamente dando o último adeus de despedida. Durante a jornada o espanhol que fazia parte da tripulação anterior em atividade no navio brasileiro “Progresso”, revelou ao pastor dados interessantes de sua vil profissão. Narrou que durante os “dois ou três meses”, em que ficaram à espera do embarque da carga humana na praia, os negros ficaram muito doentes, “Alguns deles tinham vindo de longe no interior e chegaram em condições deploráveis e cinqüenta foram rejeitados como incapacitados para viajar”.
Curiosa a resposta do tripulante quando perguntado se acreditava no fim do tráfego de escravos, que cada vez mais era combatido pelas nações que assinaram um pacto para esse fim, “ele achava que no Brasil, onde havia grandes enseadas isoladas que facilitavam o contrabando, haveria uma grande dificuldade em suprimir o tráfego, embora se a autoridade do governo simpatizasse com a causa poderia fazer muito”.
O “Progresso” havia sido o quarto navio apreendido naquele ano. “Em Quelimane, oito ou nove navios pegam sua carga anualmente” continua o espanhol “e, calculando por baixo, com quinhentos escravos em cada um... agora nenhum escapa, é um trabalho para homens desesperados... Na costa leste os negros geralmente são pagos em dinheiro, às vezes em “fazendas”, algodão grosseiro a um custo mais ou menos de dezoito dólares por homem e doze por meninos. No Rio de Janeiro, seu valor estimativo é de 500 mil réis por homens, 400 mil réis por mulheres e 400 mil réis por meninos. Assim sendo uma carga de quinhentos escravos, a um preço vil, o lucro vai passar de 19.000 libras”.
Uma manhã um negro morreu e foi jogado ao mar. Seu corpo flutuou em torno do navio batendo contra o casco “de barriga para cima durante meia hora”. A tripulação ficou temerosa que algum tubarão pudesse alcançá-lo. Finalmente o cadáver se afastou para todo o sempre. O maior sofrimento dos negros era a sede. Com a água racionada eles sorviam as gotas de chuva que pingavam das velas. “Colam seus lábios nos mastros molhados e engatinham até as gaiolas das aves para compartilhar os alimentos”. Na hora da refeição, constando de feijão cozido com arroz, a comida era distribuída em tinas “ao redor das quais eles estão sentados em grupo de dez, e, a um sinal, começam a mergulhar suas mãos na mistura e com grande habilidade levam o conteúdo até suas bocas”.
. Um tubarão de grande tamanho foi pescado pela guarnição e serviu de refeição para os negros que se arregalaram com alegria durante a refeição. Porém, antes de abrir o peixe, ficaram temerosos “de encontrar restos dos nossos camaradas falecidos”. Uma febre estranha atacou seis homens da guarnição, inclusive o pastor. Manoel, o cozinheiro português, foi o primeiro acamar-se com delírios. “Nessas febres da costa da África é necessário não ficar acovardado; por que se alguém se acovarda, em quatro dias morre”. E foi o que aconteceu com Manoel. “O corpo foi costurado dentro de um saco, com um chumbo para fazê-lo afundar, depois foi trazido para a popa, onde os ingleses e os espanhóis esperavam, eu li o modelo de Serviço Fúnebre para ser usado no mar: “Entrego seu corpo com honras no mar, esperando pela sua ressurreição, quando o mar deverá entregar seus mortos e a vida do mundo ocorrer”.
No final de abril durante uma noite, todos acordaram com gritos ouvidos no convés dos escravos. Ao verificar o motivo, denunciaram: “estão roubando água”. Confirmada a denúncia, foram responsabilizados sete elementos como autores do furto. “O mal resultante dessa delinqüência não é só da água retirada e sim a sujeira que fica dos trapos que eles mergulham nos barris para tirar o líquido”. Pela manhã os acusados foram amarrados no convés “e cada um recebeu de quinze a vinte chibatadas: um espanhol, um inglês e um negro forte se revezavam na tarefa”.
A LONGA VIAGEM
Após vários dias de calmaria o “Progresso” velejava sereno, acompanhado de cardumes de toninhas com os marinheiros tentando arpoá-las. Em poucos momentos o céu encheu-se de nuvens carregadas com os relâmpagos rasgando o horizonte, sinalizando o recolhimento das velas. Trovões rolaram acompanhando o vento e as ondas que varriam o convés. Os gritos dos negros recolhidos apressadamente ao porão, o ranger de cordas e do tabuado faziam crer que o navio estava prestes a se partir.
Ao se iniciar o mês de maio, o navio seguia sua rota em calmaria entrando num novo hemisfério. A estação fria se aproximava mantendo os negros aninhados no porão. “Os negros nus já estavam começando a tremer e a bater os dentes”, que aumentava à medida que o navio avançava para o norte. As noites eram geladas e em uma manhã “sete negros foram encontrados mortos e entre eles uma menina”. A morte estendia suas asas com mais calamidade sobre esses infelizes. Em seu diário o pastor registra as cicatrizes de letras marcadas no peito e nos ombros dos negros, que segundo um português da guarnição, é para marcar as iniciais de seus respectivos donos. “Quando o navio chega ao Rio eles podem reconhecer suas propriedades” acrescentando que “a condição do negro é muito pior no Rio onde eles andam esfarrapados e maltratados “como um escravo” do que em Havana, onde às vezes está mais bem vestido do que muito branco”.
Nova tempestade colheu o “Progresso” com “vento violento acompanhado de chuva” ceifando mais vidas de negros recolhidos ao porão. Pela manhã: “três mortos foram as primeiras coisas que meus olhos viram no convés; um homem coberto por um cabo de corda, uma coisa horrível e repugnante; o pobre menino que sofria com bicho-de-pé e que agüentou seu sofrimento com muita paciência e uma menina, cujos dois olhos ontem estavam completamente fechados por causa de uma inflamação na cabeça. Suas vidas foram durante um tempo, uma carga pesada para eles e não poderiam se mais prolongadas, mas com certeza foram encurtadas pela inclemência do tempo”.
As tempestades se sucediam com freqüência. Ao entrarem nas zonas de turbulências com nuvens ameaçadoras, antecipava-se o recolhimento das velas e os negros eram recolhidos ao porão. “Rajadas se sucediam umas às outras misturando mar e ar em um lençol pulverizador, cegando os olhos do timoneiro. Ondas subindo altas, acima de nós, jogando para o céu as espumas de suas cristas e ameaçando engolir o navio a qualquer momento”. Cavalgando sobre as vagas, o velho brigue transportava em seu interior “os gritos agudos dos doentes através da escuridão da noite, subindo acima do barulho dos ventos e das ondas, pareciam as coisas mais tristes de todos os horrores desse infeliz navio”.
Ao amanhecer a mesma rotina trágica: três corpos jaziam no convés para serem lançados no mar: “o de um homem e os de dois meninos, trazidos do porão para o convés”. O homem havia sido surrado por seus companheiros alguns dias antes, e naturalmente não agüentou a falta de ar no porão na noite anterior. Dentre as doenças dos negros que se manifestavam à bordo, “os casos de feridas ulceradas assumiam uma aparência tão horrível que eu agora mal consigo olhar. Esses pobres pacientes, também estão sem exceção, atacados de disenteria, da qual eles têm certeza que vão morrer mesmo se curados das feridas”. O estado de desnutrição era cada vez era evidente na aparência dos negros transportados pelo “Progresso”. “Um menino que estava a um estado que não se consegue conceber em um ser humano”, durante a administração de um remédio composto de camomila, “Antonio o fez sentar para beber, quando sua cabeça caiu para frente e morreu nessa posição”.
Navegando numa região de calmaria, um horrível mau cheiro passou a exalar do porão impregnando todo o navio. A mistura das fezes e do suor dos negros doentes e esqueléticos que não podiam se locomover para o convés e permaneciam asfixiados num calor sufocante, faziam com que a tripulação se sentisse incomodada, “e na nossa cabine na popa é quase intolerável”.
“Aparentemente nada se movia nem no ar nem no mar nem no céu, exceto os enormes albatrozes, com suas azas de dezesseis pés bem abertas, dando volta uma atrás da outra e, às vezes passando tão perto, que quase tocam a grinalda da popa na qual eu estava sentado”.
Ao entardecer sombras foram vistas no horizonte denunciando terras, confirmada ao amanhecer com o aparecimento dos pombos do Cabo, em conjunto com os albatrozes e várias velas que surgiam ao longe, suspeitando que fosse a “baia Plettemberg, entre a baia de Algoa e o Cabo, alguns negros apontam interessados e curiosos para lá, mas um grande número deles senta-se junto no convés, com suas cabeças descansando nos joelhos aparentemente em uma apatia total para tudo ao redor”.
A morte ceifaria naquela manhã mais três meninos. Seus corpos estendidos no convés eram parte da rotina diária, “embora, durante os últimos sete dias os casos fatais tenham atingido uma média de quatro por dia”. No dia 1º. de junho, o “Progresso” se aproximava da costa quando foram transportados do porão mais oito corpos, “e agora não podemos mais nos aventurar a joga-los ao mar como antes, porque as ondas podem leva-los para alguma praia desabitada da baia na qual entramos ontem à noite”. Na baia de São Simão, o nevoeiro desfeito deixou ver dezenas de mastros e velas de barcos que se confundiam ancorados ao largo.

O OUTRO LADO DO MUNDO
Aproximando-se do cais, o navio lançou ferros, sendo logo visitado pelo fiscal sanitário. Em seguida o superintendente do Hospital Naval, também foi a bordo conduzido pelo pastor, já que eram velhos conhecidos, visitou o porão destinado aos escravos. “Por mais que ele estivesse acostumado a cenas de sofrimento, ele foi incapaz de suportar a vista, superando tudo o que ele podia conceber de miséria humana. Uma menina pequena chorava amargamente, presa entre as tábuas e lutando para libertar seus membros enfraquecidos, até que lhe deram assistência”.
Desembarcando no cais e após um descanso, o reverendo dirigiu-se abordo do “Isis” para cumprimentar um velho conhecido: sir John Marchal. De volta para a terra resolveu fazer a última visita ao “Progresso”, onde encontrou mais seis corpos empilhados no convés junto aos oito do dia anterior esperando para serem enterrados na praia. Os mais saudáveis já tinham sido embarcados em vagões para a cidade do Cabo. Cada um dos que era liberado, diz o pastor em seu diário: “recebia um casaco novo e quente, calças, e eram colocados agasalhados em confortáveis em vagões abertos... passei pelos negros e não os encontrei mais conformados com a mudança da situação... Cada mulher tinha um cobertor branco novo, além de roupas... responderam aos seus nomes, mas mostraram poucos sinais de alegria na ocasião. Dúvida e medo predominavam e seus semblantes pareciam aqueles das vítimas condenadas”.
Durante a limpeza do navio foi encontrado um menino preso nas taboas do porão em adiantado estado de putrefação. “Parte de uma das mãos tinha sido devorada e um olho completamente roído pelos ratos... os doentes que desembarcaram ainda são numerosos”.
Após cinqüenta dias da viajem de volta ao continente africano, chegava ao fim um dos mais dramáticos depoimentos de fatos abomináveis que envergonham as relações humanas. O “Progresso”, navio brasileiro apreendido pela bandeira britânica com sua carga infame de 397 negros destinados ao Rio de Janeiro, chegava ao porto próximo à cidade do Cabo com 223 sobreviventes, reduzidos em 175 homens, mulheres e crianças que pereceram em condições degradantes.

POSFÁCIO
Percorrendo o Rio de Janeiro durante a primeira metade do século XIX, o viajante inglês G. W. Freireyss registrou uma visita feita ao mercado do Valongo: “Basta entrar numa das espaçosas salas de um traficante na Capital, para ver uma porção de negros recém-chegados divertirem-se à moda do seu país, o que o traficante lhes permite por que sabe que a falta de movimento e a nostalgia lhes diminuem o infame lucro. Encontramos aí alguns centos de negros nus e rapados, diversos tantos na idade como no sexo, que formavam uma grande roda, batendo palmas com toda a força, acompanhadas com os pés e com um canto gritado e de três notas apenas”.
Após as primeiras visões desta degradação humana, Freireyss assinala que os navios chegavam com a quarta parte de sua carga doente, “enquanto outros que trazem consigo os germens da moléstia, sucumbem poucos dias depois da chegada”.
Muito já se escreveu sobre a história social do Brasil desde o processo colonial. O tráfico negreiro é um desses temas que enodoam seu relato, iniciando com o aprisionamento de uma população ordeira do interior do continente africano por tribos litorâneas e negociando seus irmãos com traficantes de nações européias. Famílias inteiras transformadas em escravos contribuíram durante mais de três séculos para o esplendor econômico dos impérios coloniais incluindo o britânico, que se travestiu de inquisidor do tráfego negreiro no século XIX por interesses econômicos.
Escrevi esse relato resumindo o texto do livro: “Cinqüenta Dias a Bordo de um Navio Negreiro”, transcrito do diário de bordo do reverendo Pascoe Grenfell Hill, garimpado no raríssimo acervo do bibliógrafo e acadêmico José Mindlin, traduzido por Marisa Murray e publicado recentemente pela José Olímpio Editora, na coleção Baú de Histórias.
** Revisão do texto: Professor Wagner Cortaz

sábado, 29 de dezembro de 2007

BAIXADA URGENTE

OS 64 ANOS DE DUQUE DE CAXIAS
De produtor de laranja a
grande pólo econômico

Um sobrado na Av. Presidente Kennedy, ao lado de um Shopping, serviu de sede da Prefeitura até a mudança para a Praça Roberto Silveira, nos anos 50. Na década de 30, era possível pegar caranguejos na área hoje ocupada pelo Centro Cultural Oscar Niemayer.

Na década de 30, era possível pegar caranguejos na área hoje ocupada pelo Centro Cultural Oscar Niemayer.

Neste 31 de dezembro, quando será ponto facultativo para as repartições públicas, Duque de Caxias estará comemorando 64 anos de emancipação político-administrativa, período em que passou de uma simples Vila – encravada na Baixada Fluminense, região dominada pela Malária e grande produtora de laranja na primeira metade do Século XX – à segunda cidade em importância econômica do Estado do Rio e um dos maiores PIBs do País, superando a maioria das Capitais. Mesmo depois de perder a FNM – a primeira fábrica de automóveis e caminhões do País – nos anos 60, o Município não perdeu a sua vocação para o progresso, atraindo empresas de outros Estados e até do exterior.
Como pólo industrial e exportador e dispondo de uma área de 442 quilômetros quadrados, Duque de Caxias oferece desde a facilidade de acesso por estrada de ferro e rodovias, baixo custo da terra, disponibilidade de energia elétrica – inclusive, uma termoelétrica movida a GNV – mão-de-obra qualificada em cursos profissionalizantes de 2º Grau e diversas Faculdades, inclusive a UERJ, até o acesso fácil a portos e aeroportos, o que garante uma forte participação do município no comércio exterior, gerando divisas importantes para o nosso crescimento econômico.
Alguns pesquisadores e historiadores defendem a tese de que a emancipação da então Vila Meriti não foi uma conquista do seu Povo, resultado de uma campanha comandada pela UPC – União Popular Caxiense – mais tarde transformada na Associação Comercial do Município. Para eles, a emancipação do antigo 8º Distrito de Iguaçu teria sido apenas um ato de força dos governantes da época, tese defendida pela professora Helenita Maria Beserra da Silva num trabalho publicado na revista “Pilares da História”, editada pelo Instituto Histórico da Câmara, em sua edição de dezembro de 2003.
Bacharel em História, com licenciatura plena pela UERJ, e pós-graduação em História do Brasil pela UFF, a pesquisadora, que também é professora de História da rede estadual, discorda de alguns analistas, que apontam a decadência política do Estado Novo (1937-1945) como fator preponderante, preferindo a tese de que, ao atender aos reclamos do povo que pedia mais autonomia para os distritos e vilas, o Governo Vargas estava, na verdade, tentando atrair as simpatias populares e continuar manobrando as lideranças locais, um estilo hoje endossado pelo Governo Luola e as suas “bolsas. E a emérita professora afirma:
“A emancipação do município se deu numa tentativa política de organizar o quadro territorial do País”, pois essa política de redivisão territorial, que abria as portas para novas lideranças locais, foi igualmente aplicada em outras regiões do País.
A propósito da origem do movimento emancipacionista, a professora Helenita Maria da Silva lembra a prisão do jornalista Sylvio Goulart, fundador do “Jornal do Povo” já falecido e um dos subscritores de um abaixo-assinado, firmado em 25 de julho de 1940, a favor da divisão de Iguaçu, sem qualquer referência à Vila Meriti. O documento, que provocou irritação do interventor federal no Rio de Janeiro, Ernani do Amaral Peixoto, que viria a ser sogro do ex-governador Moreira Franco, afirmava:
“Divida-se o município. Sim, porque é obra de alta política administrativa, de perfeita compreensão das possibilidades econômicas e financeiras da terra que governa, porque é DAR A CADA UM SEGUNDO AQUILO QUE PRODUZ’.
Junto com Sylvio Goulart, responderam a processo perante o Tribunal de Segurança Nacional os Srs. Rufino Gomes Jr., Amadeu Lanzeloti, Joaquim Linhares, José Basílio da Silva, Antonio Moreira de Carvalho, Luis Antonio Felix, Mario Pina Cabral (que mais tarde viria a ser um dos fundadores da Cia. Telefônica de Duque de Caxias), Ramiro Gonçalves, Costa Maia e Abílio Teixeira. Além de processado, Sylvio Goulart acabou vendo o seu jornal “A Voz do Povo de Caxias”, pioneiro na imprensa da Baixada Fluminense, fechado pela Ditadura.
A perseguição aos autores do manifesto emancipacionista se repetiria 28 anos depois, quando foi preso, menos de 24 horas depois de editado o famigerado “AI-5” (13-12-1968), o vice-prefeito Ruyter Poubel, advogado e jornalista, transformado em subversivo pela Ditadura apenas por haver elaborado um manifesto, pedindo que Duque de Caxias fosse excluído da lista de Municípios considerados de interesse da Segurança Nacional e, por conseqüência, impedidos de elegerem seus prefeitos a partir das eleições de 1970. O manifesto, subscrito pelas principais entidades de classe e empresariais do Município, inclusive clubes de serviços e a Associação Médica local, foi publicado como matéria paga por um grupo de empresários nos principais jornais do Rio,
Um dos mais fortes indícios de que a emancipação da Vila Meriti foi um ato improvisado, sem qualquer ligação com os movimentos liderados pela UPC – União Popular Caxiense – é que o Decreto-Lei Estadual nº 1.055 foi publicado no dia 31 de dezembro de 1943, às vésperas de um feriado. O decreto desmembrava alguns distritos de Nova Iguaçu, como Meriti, Imbariê (ex-Estrela) e parte de Belford Roxo, e criava o Município de Duque de Caxias. No mesmo dia da sua publicação, foi realizada a cerimônia de instalação do novo Município.
Tanta pressa não podia resultar em coisa boa. Para começar, não havia um local onde pudesse ser instalada a nova Prefeitura. O jeito foi requisitar, às pressas, uma das casas da Vila Meriti, sede do novo Município. A escolhida, não por acaso, foi uma ampla casa na Estrada Rio Petrópolis, a poucos passos da estação ferroviária, que servia de residência do deputado e empresário Tupynambá de Castro, amigo do interventor Amaral Peixoto e que, com a derrubada do “Estado Novo”, surgiu como um dos líderes do Partido Social Democrático – o velho PSD – comandado justamente pelo genro do ex-ditador Getúlio Vargas.
Hoje, a antiga sede da Prefeitura continua de pé, mas funcionando como hotel, em plena zona de prostituição do centro da cidade e pouco distante da casa do ex-deputado Tenório Cavalcante, eterno adversário político e desafeto de Tupynambá de Castro e na mesma calçada onde fica a Catedral de Santo Antonio, sede da Diocese de Duque de Caxias e São João de Meriti, município que herdou o antigo topônimo de Duque de Caxias, São João Batista de Trairaponga. Diante da promessa do atual prefeito, Washington Reis, de duplicar a antiga Rio-Petrópolis até a ponte sobre o rio Meriti, na divisa com Vigário Geral, já há quem defenda a demolição do Hotel Municipal, já que não é considerado por nenhum órgão governamental como patrimônio da História do município.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

BAIXADA URGENTE - DENÚNCIA

PREFEITO CONFIRMA A REMOÇÃO
DE 40 FAMÍLIAS NO CENTENÁRIO

Enquanto a prefeitura se prepara para derrubar um prédio residencial no Centenário, está entregue a um animal a limpeza do terreno de um antigo conjunto em ruínas do extinto IAPI, em Xerém, bairro onde o prefeito reside. http://www.panoramio.com/photo/6711713

Durante a cerimônia de assinatura do protocolo para a transferência de R$ 15 milhões do PAC para a continuação das obras de duplicação da Av. Presidente Kennedy, recém-batizada, contra a vontade de Sérgio Cabral, como Governador Leonel Brizola, o prefeito Washington Reis confirmou a demolição, para breve, de um prédio de apartamentos ao lado do viaduto do Centenário, construído pelo extinto BNH. No local, invadido há décadas, moram 40 famílias, que serão removidas do local para permitir a demolição do edifício. O prefeito garantiu que as famílias serão amparadas pela Prefeitura, embora o prédio hoje pertença ao Unibanco, que era a instituição encarregada pelo BNH de executar os contratos dos compradores inadimplentes. Na cerimônia, realizada na manhã desta quinta-feira (27/12) e que contou com a presença do governador Sérgio Cabral e do Ministro das Cidades, Márcio Fortes, o prefeito garantiu que todos os obstáculos á duplicação dos primeiros 15 quilômetros da antiga Estrada Rio-Petrópolis, construída pelo Presidente Washington Luis e inaugurada em 2 de agosto de 1928, serão superados, pois quando decidiu executar a obra sabia das dificuldades que iria enfrentar, mas pensou,primeiro, nos benefícios para os moradores dos 12 bairros caxienses servidos por essa importante via, que liga o Centro à Rodovia Washington Luis, em Campos Elíseos.

GUARDAS EXPULSAM MORADORES DE RUA

Uma cena constrangedora foi protagonizada pela Guarda Municipal na manhã desta quita-feira (27/12) em plena Praça do Pacificador, no centro de Duque de Caxias. O flagrante foi feito pouco antes da chegada do Ministro das Cidades, Márcio Fortes, que vinha trazer o cheque de R$ 15 milhões do PAC para ajudar nas obras de duplicação da Av. Presidente Kennedy. Cumprindo ordens superiores, os guardas expulsam moradores de rua, que costumam dormir embaixo do prédio da Biblioteca Municipal Leonel Brizola, cujas vidraças ainda conservam as marcas dos tiros de fuzil disparados por bandidos em dezembro de 2006. A remoção dos moradores de rua foi uma preocupação do Prefeito para evitar novo constrangimento com a visita do Ministro, como ocorreu recentemente, quando Márcio Fortes reclamou da falta de iniciativa da Prefeitura para dragar o canal dos Caboclos, que passa ao lado do Shopping Center e provoca enchentes em diversos bairros e no entorno da rodoviária. Essa é uma velha “política social”, a de remover os mendigos e moradores de rua por ocasião da visita de autoridades, escondendo “debaixo do tapete” um grave problema social (a falta de moradias e de empregos), que afeta milhões de brasileiros, tanto nas grandes, como nas pequenas cidades. (Foto: Beto Dias)

• Depois dos discursos e das fotos para a propaganda política, Washington Reis convidou o governador e o Ministro Márcio Fortes para almoçarem numa churrascaria da Rodovia Washington Luis, que foi o QG da campanha do prefeito em 2004.
• Durante o almoço, acompanhado por jornalistas e donos de jornais da Baixada, o ex-Secretário de Comunicação da Prefeitura, Kiko (que não é jornalista), anunciou que o Governo do Estado e a Prefeitura vão ampliar a verba que, mensalmente, destinam aos veículos da imprensa nanica.
• Além das indefectíveis perguntas de quanto cada veículo irá receber para continuar apoiando o Governo, um assunto, que não estava na pauta de Kiko, dominou a conversa com os jornalistas: o papel do marqueteiro Duda Mendonça na campanha de reeleição de Washington Reis.
• Kiko confirmou que o marqueteiro vai ajudar na campanha de alguns prefeitos ligados a Sérgio Cabral, mas será uma “colaboração à distância”, sem assinatura de contratos e outras formalidades.
• Ao final do encontro,, que foi amistoso apesar da visível contrariedade de alguns donos de jornais, Kiko deixou claro que haverá mudanças no funcionamento da Secretaria de Comunicação da Prefeitura, para se adequar às necessidades do Governo em tornar público as suas realizações, que não estariam merecendo da mídia a importância que o governo entende como devida. Ou seja, Washington Reis continua desdenhando do poder dos nanicos, preferindo os grandes órgãos de imprensa da Capital, que continuam batendo pontualmente no governo, isto é, revelando que a coleta de lixo vai de mal a pior, que as filas nos hospitais e postos de saúde continuam e que as obras da Kennedy seguem muito devagar.
• Na semana passada, o deputado Zito fez mais uma visita ao Parque Muísa, na divisa do Município com Belford Roxo, onde verificou que está entregue literalmente às baratas e ratos uma praça por ele construída numa comunidade que ocupa uma servidão embaixo das torres de energia elétrica de Furnas, próximo à Feuduc e ao Lote XV.
• Muito aplaudido pelos moradores, Zito garantiu que voltará à Prefeitura em 2008, quando irá retomar o programa de obras nos bairros da periferia, como o fez nos oito anos em que esteve à frente da administração da cidade que é o 15º PIB per capta do País.
• A bomba política deste Natal não foi a adesão de pois partidos nanicos à campanha pela reeleição do prefeito. A verdadeira bomba política que vai sacudir a cidade nos próximos meses foi a presença, no Parque Muísa, dos irmãos Marcos Figueiredo, deputado do PSC, partido sob o controle de Garotinho, e do seu irmão, o vereador Fernando Figueiredo, que agora integra a bancada de Zito na Câmara de Duque de Caxias.
• Autor do requerimento que resultou na criação da CPI da Ampla, para discutir a instalação pela concessionária de chips eletrônicos reprovados pelo Inmetro, Marcos Figueiredo goza de reconhecido prestígio não só em Imbariê, onde nasceu e seguiu as pegadas de seu pai, mas também em Campos Elíseos e Saracuruna, áreas exploradas pela Ampla e de onde partiram as principais reclamações contra o uso do chip, que erra sempre a favor da multinacional.
• Com a decisão de apoiar a candidatura de Zito, os irmãos Figueiredo já começaram a colher os frutos, pois perderam todos os cargos que detinham tanto no governo do estado, como na prefeitura. A represália da dupla Sergio Cabral-Washington Reis não fez vergar a espinha dos irmãos Figueiredo, que seguiram a carreira do pai, Fernando Figueiredo, uma indiscutível liderança de Imbariê na vida política do município.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

BAIXADA URGENTE - DENÚNCIA

AGRICULTURA FAMILIAR
ABANDONADA EM XERÉM


Sem contar com apoio da Prefeitura, principalmente na manutenção das estradas vicinais de terra batida, os agricultores de Xerém estão abandonando a produção de frutas e legumes, transformando sítios em loteamentos irregulares, que acabaram resultando na formação de novas favelas. Até as maquinas recentemente compradas pela Prefeitura estão parando pelas estradas do Distrito, por falta de uma eficiente manutenção, como é o caso da pá mecânica da foto, abandonada próximo ao Centro de Treinamentos do Fluminense antes do natal. A favelização de Xerém pode ser comprovada num portal mantido por moradores do local(http://www.panoramio.com/photo/6523322) .

CAXIAS RECEBE MAIS
R$ 15 MILHÕES DO PAC


O prefeito Washington Reis, e o governador Sérgio Cabral assinam nesta quinta-feira (27/12) com o ministro das Cidades, Márcio Fortes, um convênio para a liberação de R$ 15 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para a conclusão das obras de duplicação da Avenida Presidente Kennedy. A cerimônia acontecerá no Centro Cultural Oscar Niemeyer, na Praça do Pacificador, às 11h30.
A duplicação da antiga Estrada Rio-Petrópolis, inaugurada em 1928 pelo presidente Washington Luis, foram iniciadas em 2005, numa parceria entre o governo do Estado e a Prefeitura, com previsão de consumir R$ 76 milhões em seus quase 15 quilômetros entre a ponte sobre o rio Meriti, divisa com a cidade do Rio de Janeiro e entroncamento com a Rodovia Washington Luis, na altura da Reduc. Além da pista dupla, a nova Presidente Kennedy vai ganhar três novas pontes, iluminação especial, muretas e paredão para contenção de encostas. A Avenida Presidente Kennedy é a principal ligação entre o centro do Município e 12 bairros da periferia e o Município de Belford Roxo. Ela começa na divisa com a cidade do Rio de Janeiro, na altura do bairro de Vigário Geral e termina no quilômetro 13 da BR-040 (Rodovia Washington Luiz), uma variante construída nos anos 50 pelo DNER, entre a Av. Brasil, na altura de Cordovil, no Rio de Janeiro, e Campos Elíseos, no segundo Distrito de Duque de Caxias, para desviar o trânsito pesado do centro de Duque de Caxias

Com o dinheiro do PAC, o prefeito vai poder desapropriar e demolir este prédio de apartamentos na Av. Presidente Kennedy


• O blog (http://novaduquedecaxias.blogspot.com/), dos amigos de Washington Reis, anunciou esta semana que o prefeito fechou acordo com dois partidos nanicos, PTN e PSDC, o que garantiria a sua reeleição. O acordo foi democraticamente negociado e fechado diretamente pelo prefeito com a direção regional dos partidos, uma característica comum aos partidos de aluguel.
• Funcionando com comissões provisórias, esses partidos são levados a acordos desse tipo, que surpreenderam os candidatos a vereador, que trabalhavam em favor do deputado Zito. Foi uma repetição do “caso Eduardo Paes”, que o governador Sérgio Cabral enfiou pela goela do diretório municipal do PMDB do Rio de Janeiro, numa tentativa de “melar” o acordo firmado entre o Anthony Garotinho e o prefeito César Maia, e inviabilizar a candidatura do DEM, onde Solange Amaral aparece como a candidata do atual alcaide carioca.
• É uma situação semelhante a que experimentou o próprio Washington Reis quando se lançou candidato em 2004. Embora pertencesse à bancada de deputados do PMDB, o atual prefeito não controlava o diretório municipal do partido, subordinado há décadas ao ex-deputado Silvério do Espírito Santo. Democraticamente, Garotinho veio a Duque de Caxias, fez uma convenção extraordinária e obrigou o partido a aceitar o seu candidato.
• Resta saber se PT e PSDC terão votos para eleger pelo menos um vereador e garantir uma bancada fiel a Washington Reis, mesmo que ele venha a ser derrotado em outubro. Afinal, não se trata de um plebiscito, pois há outros nomes em cogitação, inclusive pelo PDT que, embora participe do Governo (a turma do envelope) pode lançar candidato próprio, como deseja o deputado Wagner Montes, candidato a prefeito no Rio e que pretende ampliar a sua área de influência política, incluindo a Baixada.
• Termina nesta sexta-feira (28/12) o prazo para se inscrever no Concurso de Monografias sobre os 200 anos da chegada de Dom João VI e da família real ao Brasil, promovido pela Assembléia Legislativa do Rio. Os trabalhos podem ser enviados pelos Correios ou entregues no Protocolo Geral da Alerj, na Rua da Alfândega, 8, térreo, no Centro do Rio.
• Serão premiados três trabalhos inéditos sobre o tema com o mínimo de cinco e o máximo de 20 páginas de texto, contendo notas, bibliografia e anexos. Podem concorrer ao prêmio todos os alunos da rede de escolas públicas municipais e estaduais do ensino fundamental e médio do estado, com a supervisão de um professor orientador, que também será premiado
• “Queremos recuperar esse fato histórico que desenvolveu o Brasil de tal maneira que, desde aquela época, nunca se viu um conjunto de ações tão empreendedoras. D. João VI é uma figura política da maior importância na constituição do nosso País”, afirma o deputado Luiz Paulo (PSDB), autor do projeto que criou o concurso.
• O primeiro lugar receberá R$ 3 mil, sendo que, neste caso, o prêmio também será estendido ao professor orientador, que ganhará R$ 1.500. O segundo lugar ficará com R$ 2 mil e o terceiro, com R$ 1 mil. Segundo o edital, o resultado do concurso será divulgado no dia 15 de fevereiro de 2008, após anúncio feito pelo presidente da Assembléia, deputado Jorge Picciani (PMDB), em sessão no Plenário Barbosa Lima Sobrinho. A premiação dos melhores trabalhos deverá acontecer dentro da semana comemorativa dos 200 anos da chegada de D. João VI ao Rio, entre os dias 7 e 14 de março de 2008.
• Contribuição à história, originalidade da abordagem, objetividade do trabalho, clareza na linguagem adotada e a média aritmética das notas atribuídas por cada um dos três especialistas em História do Brasil, que formarão a comissão julgadora, serão os critérios levados em conta para o resultado. Os trabalhos, premiados ou não, passarão a fazer parte do acervo cultural da Alerj e poderão ser publicados no site da Casa

Presidente Kennedy, ao lado do viadutor do Centenário.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

BAIXADA URGENTE - DENÚNCIA

PARCERIA INÉDITA GARANTE
CRIADOURO DO AEDES AEGPTY

Uma parceria inédita está garantindo a tranqüila reprodução do mosquito “Aedes Aegipti”, transmissor da Dengue e da Malária, em Duque de Caxias. Trata-se da omissão da Prefeitura e da inércia da direção da “Supervia”, empresa que explora o serviço de trens urbanos no Grande Rio. Ao lado dos trilhos que ligam as estações de Gramacho e Jardim Primavera, um vazadouro de lixo serve de berçário para o mosquito que transmite a Dengue. Assim, de nada servem os milhões investidos pelo Ministério da Saúde no controle dos vetores da doença, se o poder público local e as empresas não adotarem medias eficazes contra a proliferação do mosquito. O flagrante foi feito no trecho entre o rio Sarapuí e a estação de Gramacho e ao lado de uma favela, o que talvez explique o lançamento do lixo na via férrea, pois denota a falta de providências por parte da Prefeitura para um correto recolhimento do lixo, mesmo em favelas. (Foto: Beto Dias)

XERÉM VAI EXPORTAR VACINA
BCG PARA A CHINA E O JAPÃO

Depois do anuncio da criação de uma Faculdade de Tecnologia em Xerém, uma parceria entre o Inmetro e a Universidade Federal do Rio de Janeiro, que deverá promover seu primeiro vestibular em março, uma nova e ótima notícia vem do 4º Distrito de Duque de Caxias. Depois de uma luta de 20 anos, a Fundação Ataulpho de Paiva, que pertence ao Governo do Estado, anuncia para o próximo ano a inauguração da sua unidade em Xerém, que irá produzir a vacina BCG, que previne a tuberculose e é aplicada em bebês. Com investimentos de cerca de U$ 15 milhões de dólares em equipamento, a nova unidade da Fundação irá aumentar a sua produção de BCG das atuais 25 milhões de unidades, para 60 milhões, o que permitirá a sua exportação, já tendo iniciado as negociações com países de alta tecnologia na indústria farmacêutica, como China, Japão, Paquistão e Índia. Com isso, a unidade de São Cristóvão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, passará a se dedicar apenas à produção de medicamentos para uso oral. A área construída em Xerém é de 5.500 metros quadrados e a produção de BCG deve atingir o seu auge já no início de 2009.

• Criada em agosto deste ano, a CPI da Assembléia Legislativa que investiga denúncias de irregularidades nos medidores da concessionária de energia elétrica Ampla já obteve importantes conquistas desde a sua criação e a realização de onze reuniões ordinárias e uma ida à Brasília para encontro com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A principal delas, segundo o presidente da CPI, deputado Marco Figueiredo (PSC), foi a instalação de 1.300 medidores comparadores pelo Inmetro nas residências dos moradores que tiveram um aumento no valor de sua conta de luz. “A CPI exigiu a instalação destes medidores e já estamos colhendo os primeiros resultados. Um morador de Duque de Caxias obteve uma redução de 50% na sua conta. Isso prova que o chip da Ampla não é confiável”, frisou o parlamentar
• Os medidores comparadores começaram a ser instalados pelo Inmetro no final do mês de setembro e o trabalho deve ser concluído até o final de dezembro. Os medidores são aparelhos de medição comparativa, colocados ao lado dos chips e estão sendo conferidos de 15 em 15 dias pelo instituto, tempo necessário para a coleta de dados, enquanto a Ampla confere as informações de dois em dois dias. Para impedir que a empresa de energia possa conferir os dados que constam nos medidores, a CPI solicitou ao Inmetro a instalação de tarjas nos displays evitando, assim, que a Ampla busque informações privilegiadas sobre o andamento da medição comparativa.
• Em novembro de 2006, foi registrado o primeiro problema. Foi com um medidor eletrônico instalado em uma padaria no bairro de Saracuruna, no Segundo Distrito de Duque de Caxias. Neste caso, a conta do usuário saltou de R$ 1.000 para R$ 2.500 depois da instalação do novo sistema. A partir deste caso, ficou comprovada a primeira falha grave no medidor. Os técnicos do Inmetro garantiram que, em condições adversas, o aparelho pode apresentar variação da medição
• A solicitação para a suspensão da instalação dos medidores ocorreu na reunião seguinte, e foi realizada por meio da portaria 371, de 1º de outubro de 2007, do Inmetro, que suspendeu a instalação de novos medidores eletrônicos até que o modelo fosse aprovado pelo órgão.
• Alheia a todo o burburinho em torno dos chips e num prova de que a Agência não se preocupa com o consumidor, a Aneel prorrogou, no último dia 5 e por mais 120 dias, a instalação dos medidores no estado. Para tentar solucionar a questão, a CPI irá acionar os ministérios públicos Federal (MPF) e o Estadual (MPE) para que intervenham a fim de• Em nota pública de esclarecimento, o Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco põe a nu os interesses econômicos e mercantilistas por trás da decisão, irrevogável, do Presidente Lula de promover a transposição das águas do Rio São Francisco. Pela sua importância para melhorar o nível do debate em torno da obra, transcrevemos o que achamos essenciais.
• Diz a nota que, no uso de suas prerrogativas legais, definidas na "Lei das Águas" (Lei 9.433/97), “o Comitê definiu que as prioridades de uso das águas do rio São Francisco, como insumo produtivo, é o atendimento às demandas internas da bacia, não autorizando o seu uso para transposições com fins econômicos, como é o caso do atual projeto do Governo Federal, em particular, no que se refere ao eixo norte”
• “Solidário com o povo nordestino que sofre com a seca no semi-árido, o Comitê aprovou o uso externo das águas do rio São Francisco para abastecimento humano e dessedentação animal, em situações de escassez comprovada. · No entendimento do CBHSF, o atual projeto de transposição, particularmente o eixo norte, é essencialmente um projeto de interesse econômico, sendo apenas uma pequena parcela das águas, em valor bastante inferior a 26 m3/s, destinada ao consumo humano e animal”.
• “O Plenário do CBHSF, respaldado em estudos técnicos e em amplas consultas públicas em todos os Estados da Bacia, rejeitou categoricamente, em várias ocasiões, o atual projeto de transposição, em particular o eixo Norte”.
• “O Plano de Recursos Hídricos da Bacia, ao contrário do que divulga o Ministério, deixa claro que o atual projeto de transposição trará prejuízos e sérias restrições ao desenvolvimento futuro da bacia, com perspectiva de esgotamento da disponibilidade hídrica para usos consuntivos (vazão que pode ser retirada do rio) em um horizonte de 20 anos, constituindo- se, portanto, em um projeto de transferência de emprego e renda”.
• Diante dessa nota, fica insustentável a posição do deputado Ciro Gomes, lobista de uma siderúrgica no Ceará, ao tentar desqualificar politicamente a atriz Letícia Sabatella, por ela ter, aberta e francamente, insurgir-se contra a arrogância do Governo e a pressa em iniciar as obras, antes de uma correta avaliação de alternativas formuladas por órgãos deste mesmo governo. A adoção do centralismo democrático está acabando com o que havia de romântico e tentador no PT, que se tornou um clone do DEM e do PMDB.
reverter a decisão.