terça-feira, 22 de janeiro de 2008

BAIXADA URGENTE

SEGURANÇA PÚBLICA – UMA QUESTÃO
DE IMPOTÊMCIA OU INCOMPETÊNCIA?
O jornal “O Dia publicou, recentemente, uma extensa reportagem, denunciando a existência de diversos caça-níqueis em Duque de Caxias, inclusive no Centro, a poucos metros da 59ª DP-Centro, do 15ª Batalhão da PM e da Receita Federal, órgãos que, teoricamente, deveriam combater o contrabando (das máquinas) e a exploração de jogos de azar. Procurado pela reportagem, o delegado Fábio Pacífico, depois de confessar que não tinha noção da existência desses cassinos, afirmou que, para reprimir esse tipo de crime, precisaria da colaboração da PM e da Receita Federal, órgão que atestaria, através de laudo, a existência de chips contrabandeados. Ainda que a existência dos caça-níqueis fosse o único crime praticado na cidade, é dever da autoridade reprimi-lo, pois o Código Penal prevê que qualquer cidadão pode e a autoridade policial tem o dever de prender quem estiver em flagrante delito. E o número de crimes, praticados diariamente na cidade, daria para formar uma enciclopédia. Temos, como exemplos, a destruição da Mata Atlântica e o desvio de rios em Xerém, a venda de animais silvestres nas feiras-livres, bancas de jogo do bicho nos pontos de ônibus, venda de bebidas a menores em diversas casas noturnas, além da exploração do lenocínio, como no Mercado Municipal, onde seis casas anunciam, entre outras atrações, “as melhores gatas da cidade por apenas R$ 9.99”
Como bacharel em Direito, o Delegado Fábio Pacífico também conhece o artigo do Código Penal que aborda o crime de prevaricação – que é o servidor publico, por interesse próprio ou de terceiro, deixar de praticar ato de sua competência, como é o caso de combater os atos criminosos denunciados por qualquer cidadão. E as casas que funcionam no Mercado Municipal, “vendendo mulheres”, não tem Alvará da Prefeitura, nem do Corpo de Bombeiros em matéria de segurança para o público freqüentador desses
inferninhos.
LENTIDÃO NAS OBRAS
IRRITA MOTORISTAS

Muita gente, principalmente motoristas, anda reclamando da lentidão com que são tocadas as obras, a cargo do DER, de duplicação da Av. Leonel Brizola, antiga Estrada Rio-Petrópolis. Afinal, apesar das precárias condições em matéria de engenharia de tráfego nos idos de 1920, o então presidente Washington Luis precisou de menos de dois anos para rasgar a estrada que ligaria a então Capital da República a Petrópolis, a “estrada de ouro”, como foi chamada pelos opositores do Governo da época. Para recuperar e duplicar o
trecho de 15 quilômetros entre Vigário Geral, na divisa com o Rio de Janeiro, e Campos Elíseos, o DER já gastou mais tempo do que o Governo Federal na construção de toda a estrada. E ainda faltam demolir uma clínica em frente ao Cemitério do Corte Oito, um prédio residencial ao lado do viaduto Brigadeiro Faria Lima, (foto Arquivo/Blog) no bairro do Centenário, e reconstruir uma ponte sobre o rio Sarapuí, no Gramacho, demolida pelo próprio DER por exigência do extinto DNOS – Departamento Nacional de Obras e Saneamento – pois a velha ponte provocava o estrangulamento do rio e a retenção de lixo naquele trecho. Talvez o atraso nas obras de duplicação da velha estrada seja uma estratégia política para que o eleitor, na hora de votar, em outubro próximo, para eleger o novo prefeito e uma nova Câmara de Vereadores, não se esqueça de que o Governo está trabalhando. . .
· Os deputados são contra o voto distrital, que reduziria o custo e o tempo da campanha eleitoral. Com isso, buscam se perpetuar no Congresso através das chamadas emendas do Orçamento. Numa reportagem deste domingo, o jornal “O Globo” deixou a bancada fluminense politicamente nua.
· O deputado peemedebista Bernardo Ariston, por exemplo, que é amigo do prefeito e patrocinador das obras do túnel na estação ferroviária, que estão tumultuando o tráfego no centro de Caxias, propôs emenda no valor de R$ 1,5 milhão para a construção de dois pórticos na entrada de Duque de Caxias. Ele justifica a emenda dizendo que as obras irão embelezar a cidade. Se o projeto for executado pela mesma empresa que cuidou do Natal, a cidade ficará um horror!
· Além do mais, Duque de Caxias, apesar da Prefeitura arrecadar R$ 1 bilhão por ano, tem milhares de famílias morando em encostas, sob as redes de Furnas ou em palafitas fincadas nas margens dos rios. Só no Gramacho, a Vila Fraternidade (que ocupa um terreno que foi dos Correios) tem 1.500 famílias que, hás 10 anos, esperam pelas casas prometidas pelo Governo do Estado.
· Já o tucano Alexandre Santos propôs uma emenda de R$ 500 mil para a Campanha Nacional de Escolas da Comunidade, com sede na Paraíba. Nos anos 60, essa ONG era responsável pelo Ginásio Ana Maria Gomes, que funcionava no prédio do Grupo Escolar Duque de Caxias e cobrava uma pequena taxa de centenas de alunos carentes. Hoje, ninguém conhece alguma obra social na Baixada que tenha o patrocínio da “Campanha”.
· Ao reproduzir a reportagem do jornal “Extra” desta segunda-feira, sobre a contratação de Duda Mendonça, para “melhorar a imagem do prefeito Washington Reis”, o blog dos amigos do prefeito acabou reforçando as críticas à desastrada atuação da Secretaria de Comunicação Social do município no atual Governo.
· A turma do “Transparência” não só reforça as críticas ao ex-Secretário, Francisco Assis Neto, o Kiko, que não é jornalista, mas também ao atual Secretário, o Sr. Michel Soares, “locutor oficial, que entende bem de locução, porém de simpatia e política, parece não entender nada”.
· Resta saber se as críticas reproduzidas pelo “Transparência” significam um alerta ao Prefeito para que reformule a sua política de comunicação, onde trocou um corretor de seguros por um locutor de campanha, agora com o reforço de um publicitário especializado em pesquisa eleitoral. Será que, finalmente, Washington Reis dará à Secretaria de Comunicação não só o status, mas também a eficiência de um órgão importante na relação entre governantes e governados?
· Atualmente, a Secretaria se limita a enviar algumas notas aos jornais sobre atos do prefeito ou os jogos do campeonato Carioca, onde o Duque de Caxias, time bancado pelo prefeito, lidera a chave “A” depois da goleada aplicada ao modesto time do América, que resultou na demissão do técnico do clube da Tijuca. Nesta quarta, os “meninos” do Duque de Caxias enfrentam, no Maracanã, o Fluminense de Renato Gaúcho e Cia.
· O amigo e internauta Paulo Feijoli, atento morador de Xerém, tem uma definição mais precisa sobre o topônimo Mantiquira (ou Mantiqueira), bairro do 4º Distrito: a montanha que chora. Devido ao encontro do ar úmido e quente da Baixada com o ar frio e seco da Serra de Petrópolis, a condensação faz com que a região de Xerém tenha sempre uma garoa, principalmente no verão..

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

BAIXADA URGENTE

A FÉ VALE OURO NUM
PAIS DE MISERÁVEIS

Está circulando na internet uma série de fotos de uma mansão, situada em Campos do Jordão, estância turística preferida das famílias bem nascidas e endinheiradas de S. Paulo e onde foram presos o ex-governador Paulo Maluf e seu filho, numa das espetaculosas operações da Polícia Federal, com direito à cobertura da imprensa, que mostrou o filho de Paulo Maluf algemado, mas viajando em seu próprio helicóptero até a capital paulista, onde a dupla ficou presa por poucos dias. O autor das fotos garante que essa mansão pertence, de fato, ao bispo Edir Macedo, tio do senador Marcelo Crivella, amigo de Lula e candidato a prefeito do Rio de Janeiro. Ao contrário do que registra a Bíblia (vinde a mim os humildes, pois deles será o reino dos Céus), o fundador da Igreja do Reino Universal faz questão de exibir o seu poderio econômico, que vai além da compra de emissoras de rádio e TV Mundo afora e da censura ao Orkut.

FOLHA DE SERVIDORES
PASSARÁ PARA A CAIXA

Numa decisão discutível e perigosa, o prefeito Washington Reis rompeu o contrato de exclusividade entre o município e o banco HSBC, para pagamento da folha de pessoal ativo, pensionistas e aposentados do Município, transferindo o pagamento de cerca de 15 mil servidores para a Caixa Econômica Federal. O pagamento de fevereiro, que será creditado no início de março, já será feito pela Caixa. Segundo informação da Assessoria de Imprensa da Prefeitura, Caixa Econômica Federal começa nesta segunda-feira (21/01) a abertura de novas contas para os cerca servidores, aposentados e pensionistas de Duque de Caxias. Eles vão deixar de receber seus salários pelo banco HSBC, como ocorria desde janeiro de 2005, a partir de março, quando receberão os pagamentos referentes ao mês de fevereiro em suas novas contas da Caixa. Todos os servidores do município receberão correspondência da Caixa, informando local e data para o agendamento da abertura das novas contas. A partir desta segunda-feira, também os empréstimos consignados só poderão ser feitos através da Caixa. As taxas dos empréstimos vão variar entre 1,7% e 2,5% ao mês, que estão entre as mais altas do mercado.

· A novela do pagamento dos servidores de Duque de Caxias tem muitas passagens nebulosas. O contrato foi firmado no final de 2004, a poucos dias do ex-prefeito Zito passar o cargo, pegando de surpresa os servidores, que até então tinham plena liberdade de escolha do banco onde receberiam seus pagamentos e pensões.
· Ao saber do contrato entre a Prefeitura e banco inglês, Washington Reis prometeu, solenemente, que anularia o contrato no seu primeiro ato de prefeito, a partir de 1º de janeiro de 2005. Empossado, o novo prefeito preferiu manter o contrato e pedir uma “compensação” ao banco.
· A compensação foi a construção, ao custo de cerca de R$ 10 bilhões, de um escolão numa área de 10 mil metros quadrados que pertencia ao Frigorífico Santa Lúcia, no Sarapuy, onde hoje funciona uma unidade do Colégio Pedro II.
· O contrato firmado pelo ex-prefeito Zito garantia ao HSBC o pagamento da folha de pessoal por cinco anos. Com início em 2005, o contrato deveria valer até 2009. Em função da liberação de verbas do PAC, Washington Reis resolveu fazer média com Lula e transferiu a folha para a Caixa.
· Alguns advogados, que não estão na folha de pagamento da prefeitura, questionam a solução, acreditando que o banco inglês não var abrir mão de dois anos de contrato sem uma razoável compensação financeira, que acabará drenando recursos do município para uma instituição estrangeira, sem qualquer vantagem, seja para os servidores, seja para Duque de Caxias.
· O professor e pesquisador Newton Meneses, depois de dar um grande susto na família e nos amigos, já está em casa se recuperando de uma pneumonia, que obrigou a sua internação no CTI de um hospital carioca.
· Problemas à vista. A vitória por cinco x dois sobre o improvisado time do América, neste domingo, não é motivo de tranqüilidade para o time do Duque de Caxias. Além da contratação de jogadores com mais de 30 anos para disputar um campeonato corrido como a Taça Guanabara, com jogos no meio e nos fins de semana (nesta quarta, enfrenta o Fluminense), o técnico do ex-Tamoio ainda terá outros abacaxis pelo caminho.
· Além de não poder jogar em casa, seja no mini-estádio de Xerém, seja no Telê Santana, por não atenderem às condições impostas pelo Estatuto do Torcedor, o Duque de Caxias ainda enfrenta problemas de relacionamento entre os jogadores.
· Viola, por exemplo, não nega que não gosta de “gringo”, referindo-se ao colega sérvio Dusan, de 24 anos, um dos mais jovens do time caxiense.
· Segundo reportagem da “Folha de S. Paulo”, Viola reagiu mal à aproximação do sérvio, no hall do hotel no Flamengo, onde o time estava concentrado.
· Segundo o jornal paulista, Viola se desviou do colega, esbravejando: “Não tenho papo com esse cara. Ele é muito marrento. Não gosto de gringo. Não gosto de argentino, de sérvio. Não gosto de estrangeiro”, disse o atacante, ao ser questionado sobre seu relacionamento com Dusan. E racismo no Brasil ainda é crime, mesmo que o preconceito seja de um não-branco em relação a qualquer outra etnia, inclusive os gringos.
· Outro problema: as precárias condições do gramado do antigo campo do Tamoio, reformado pelo DER/RJ. Anda na quinta-feira, no jogo treino do Duque de Caxias com a seleção da Nicarágua, o treino teve que ser interrompido, pois o campo foi transformado numa imensa lagoa com poucos minutos de chuva. As condições das estradas estaduais, a começar pela Av. Leonel Brizola, Ex-presidente Kennedy, dão bem uma demonstração da falta de qualificação do DER/RJ em matéria de drenagem.
· Na sexta-feira, pela manha, garis da Prefeitura ainda lutavam para escoar a água que ficara empossada no gramado, numa prova de que o campo não tem um eficiente sistema de drenagem, mesmo o prefeito Washington Reis morando em Xerém e saber dos elevados índices pluviométrico da região. Aliás, um dos bairros de Xerém tem o nome de Mantiquira, uma expressão indígena que se refere a local de nevoeiro úmido, semelhante à garoa de S. Paulo.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

BAIXADA URGENTE - DENÚNCIA

40 FAMÍLIAS CONTINUAM VIVENDO
DEBAIXO DAS TORRES DE FURNAS

Apesar da empresa haver ter obtido na Justiça, no ano passado, a reintegração de posse da área de servidão por onde passam as torres de alta tensão de Furnas, na localidade de Vila Canaã, em Xerém, no 4º Distrito de Duque de Caxias, nada foi feito até agora pela Prefeitura para remover essas 40 famílias, que continuam vivendo sob risco permanente. Essa rede de Furnas, inaugurada no Governo Collor de Melo, leva energia elétrica da Estação do Parque São José, em Belford Roxo, para o Espírito Santo. A temporada de chuvas de verão, que começou em dezembro, aumenta a tensão entre as 40 famílias que construíram suas casas na área em questão. Para construir suas casas, os invasores da área escavaram as bases das torres, que podem desabar a qualquer momento, bastando para isso uma forte rajada de vendo, comum nesta época do ano, quando se formam os ciclones subtropicais. A queda de rede elétrica, além do risco para as famílias que vivem no local invadido, ainda compromete o abastecimento de energia elétrica ao Espírito Santo, elevando o risco de um apagão na terra capixaba. A foto enviada ao Blog por um internauta de Xerém está disponível no Google, caso o prefeito, que mora em Xerém, queira conferir o crescimento das favelas no Quatro Distrito, inclusive ao lado da praça de pedágio, em Santa Cruz da Serra.

CÂMARA DE CAXIAS PODERÁ
TER MAIS DOZE VEREADORES



O Movimento Duque de Caxias Legal, que acaba de surgir na cidade, está defendo um novo censo, a ser feito por uma instituição independente, para apurar a verdadeira população do Município. Segundo o IBGE, a população de Duque de Caxias não chega 900 mil habitantes, o que os organizadores do Movimento contestam. O censo independente, segundo os líderes do Caxias Legal, pretende demonstrar que o município possui mais de um milhão de habitantes, o que, pela Constituição Federal, (Art. 29, Inciso IV, alínea b) dará a cidade o direito de eleger entre 33, no mínimo, e 41 vereadores no máximo, em vez dos atuais 21. Se conseguirem levar essa proposta para as ruas e conquistarem respaldo em Brasília, teremos muitas mudanças no Governo a partir das próximas eleições. Com 33 vereadores, o prefeito a ser eleito em outubro terá de distribuir os cargos entre, pelos menos, 23 vereadores, ao invés do mínimo de 14, como ocorre atualmente, como forma de aprovar, sem emendas, todos os projetos do seu interesse.

· Finalmente, o Secretário de Fazenda do Estado, Sérgio Rui, abriu o seu saco de maldades (contra os servidores) e anunciou que o Governo pretende economizar R$ 200 milhões na folha de pagamento. Para justificar a medida, o Governo anunciou uma auditoria, a cargo da PUC-Rio, para apurar duplicidade de matrículas, acumulações indevidas de vantagens ou duplicidade de emprego, principalmente nas áreas de Saúde e Educação.
· Esse mesmo processo foi tentado em Caxias, quando o indefectível Sergio Rui era o todo poderoso da Fazenda do Município. Para isso, ele contratou uma ONG carioca, a quem a Prefeitura pagou mais de R$ 500 mil, a titulo de assessoria, isto é, 10% dos prometidos R$ 5 milhões que o município iria economizar com os cortes propostos na folha de pagamento.
· Para Sergio Rui, era preciso eliminar o pagamento de horas extras, na forma de tempo integral, gratificação de difícil acesso, de até 20%, para o pessoal do Magistério e as merendeiras (que ganham salário-mínimo), entre outras vantagens.
· O plano foi abortado pela intervenção do então deputado Gilberto Silva, alertado da medida absurda e ilegal pelo seu irmão e Secretário de Administração do Município, Orlando Silva, que não fora consultado sobre a proposta. O governo não fez os cortes propostos por Sérgio Rui, mas a ONG levou os R$ 500 mil prometidos pelo Secretário. Vamos ver, agora, quanto o Estado vai pagar à PUC para fazer uma auditoria, mais de um ano depois da posse do atual Governo.
· O MEC resolveu reduzir o número de vagas nas Faculdades de Direito privadas. Serão menos 6.323 vagas em 19 instituições. Do Rio de Janeiro, foram selecionadas o Centro Universitário Moacyr Sreder Bastos, a Universidade Castelo Branco, a Univercidade e, de Niterói, o Centro Universitário Plínio Leite pelo baixo índice de aproveitamento dos seus alunos no Provão.
· Ate agora, só os alunos saíram perdendo pela falta de fiscalização do MEC, pois os diplomas que recebem ao final do curso são rejeitados pelo mercado de trabalho pela falta de preparo dos novos bacharéis. O resultado do exame de ordem da OAB comprova que, mais de 70% dos novos bacharéis não tem condições de atuarem na Advocacia. Já os donos dessas faculdades, continuam desfrutando de boa vida e viajando, que ninguém é de ferro.
· É grande a pressão do prefeito sobre o MP para que investigue as condições em que foi feita recente pesquisa sobre a intenção de voto do eleitor caxiense. Tudo porque o resultado aponta para uma eleição a ser decidida ainda no primeiro turno em favor do deputado Zito.
· Também aumentou a pressão sobre a direção do PDT, para que confirme o apoio à reeleição de Washington Reis. Quarta-feira foi realizada uma tensa reunião na sede paralela, que reúne o grupo de apoio ao prefeito. Uma das versões que circulou na cidade revela que o deputado Wagner Montes mandou emissários para participarem da reunião e defenderem a candidatura própria do PDT.
· Para o prefeito, o apoio do PDT significa ganhar em duas frentes. A primeira será no tempo de propaganda dos candidatos no rádio e na TV e, a principal razão, eliminar no nascedouro qualquer candidatura que venha a provocar um segundo turno, de resultados imprevisíveis até o momento. Foi nessa linha de ação que Washington Reis negociou o apoio dos deputados Dica e Alexandre Cardoso, dois candidatos naturais nas eleições municipais.
· No Rio, por exemplo, o Ministro Carlos Lupi garante que seu candidato é o deputado Paulo Ramos, embora o também deputado Wagner Montes venha aparecendo nas pesquisas como principal candidato à cadeira hoje ocupada por César Maia, que não poderá disputar o cargo novamente, superando, de longe, o senador Marcelo Crivella, sobrinho do bispo Edir Macedo.
· Sérgio Cabral garante que os bandidos não impedirão as obras do PAC nas favelas do Estado. Alguém acredita no governador, que acaba de chegar de um giro pela Suíça, a pretexto de ajudar na campanha para que o Rio de Janeiro seja escolhido como sede das Olimpíadas de 2016?
· A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) promete abrir até outubro licitações para as 1.666 linhas de ônibus interestaduais em todo o País. Se o PMDB, que controla o órgão, não atrapalhar, será a primeira vez que as linhas serão submetidas a concorrência pública, já que as empresas que exploram esses serviços só têm uma autorização precária, que antes era concedida pelo DNER.
· A licitação será feita em duas etapas: na primeira, serão 19 linhas exploradas por empresas que entraram na Justiça contra a licitação determinada pela Constituição de 1988. O restante dos trechos deverá ser licitado de uma só vez.
· De acordo com o presidente da ANTT, José Alexandre Rezende, a licitação deverá trazer maior concorrência para o setor. No caso do trecho Rio de Janeiro - São Paulo, por exemplo, onde hoje operam quatro empresas, irão atuar seis. Na licitação, serão declaradas vencedoras as empresas que oferecerem menor tarifa, a exemplo do que ocorreu no ano passado na concorrência para novos pedágios nas estradas federais.
· Segundo a ANTT, os ônibus respondem hoje por 95% do transporte entre Estados no Brasil, levando 140 milhões de passageiros por ano. Com a crise na aviação comercial, muitos passageiros estão roçando o avião pelo ônibus, o que aumentou o número de veículos nas estradas, aumentando, proporcionalmente, o lucro dos empresários do setor.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

BAIXADA URGENTE - DENÚNCIA

PRÉDIO DE VELHA PADARIA
CONTINUA ABANDONADO


O coronel BM Carlos Eduardo Merenlender, que ocupa o cargo de Secretário de Defesa Civil de Duque de Caxias desde janeiro de 2005, é um homem flex, no melhor estilo “faz tudo”. Médico conceituado nas especialidades ginecologia e obstetrícia, ele não só consegue dar expediente integral nas suas diversas clínicas, inclusive uma badalada na Barra da Tijuca, ainda encontra tempo para estudar e participar de concursos, como o que foi realizado há poucos dias pela Prefeitura do Município na área da Saúde. Talvez por isso mesmo ele ainda não tenha tido tempo de verificar prédios abandonados há décadas, como o desta padaria na Av. Dr. Manoel Reis, no bairro Centenário, ou a marquise no prédio vizinho á Câmara Municipal, que pode desabar a qualquer momento, situação já denunciada pólo blog.

MORTE DE JOVEM PODE TER SIDO
POR DENGUE HEMORRÁGICA

A Secretaria de Saúde de Duque de Caxias decidiu investigar a morte de um adolescente, que deu entrada na emergência do Hospital Duque de Caxias com suspeita de dengue hemorrágica, na manhã de sexta-feira (11). Mas a Secretaria não descarta que Alex Trancoso Fernandes, de 15 anos, possa ter sido vítima de meningite. O jovem morreu na madrugada de sábado (12) Segundo a Secretaria, o adolescente chegou ao “Duque” com alguns sintomas de dengue e passou por alguns hemogramas, que não confirmaram a doença. Numa tentativa de tentar confirmar o diagnóstico, a Secretaria municipal de Saúde determinou que agentes fossem ao bairro Corte Oito, no 1º Distrito, onde Alex morava para procurar possíveis focos de dengue, mas nada foi encontrado. Somente o laudo do laboratório poderá apontar a causa da morte do adolescente. A previsão, segundo a Secretaria, é que a informação seja divulgada em cinco dias. O adolescente foi enterrado na tarde de sábado (12) no Cemitério do Corte Oito, em Duque de Caxias. Enquanto isso, o próprio Poder Público concorre para facilitar a expansão do mosquito transmissor, como nessa lagoa ao lado da estação ferroviária de Gramacho, formada por vazamento na rede da Cedae que leva água pra o Parque Fluminense.

· A propósito da participação do Secretário de Defesa Civil no concurso da Secretaria de Saúde, é bom lembrar que o ex-prefeito Zito anulou o concurso para a Procuradoria depois da denúncia de que advogados, com cargos de chefia na PGM, haviam sido inscritos irregularmente no concurso. Será que Washington Reis vai anular o novo concurso por permitir a participação do coronel-secretário de Defesa Civil?
· Como diria o “Neguinho da beija flor” “Olha o dengue hemorrágico ai gente...” Segundo reportagem do jornal ”Diário de Petrópolis”, edição desta terça-feira (15/01) um morador da região de Fragoso, em Magé, está internado numa unidade de saúde do SUS na cidade de Petrópolis, com suspeita de dengue hemorrágico guardando confirmação do diagnostico. Em 2007, Petrópolis registrou 73 casos de dengue, sendo que 69 foram de pacientes de outros municípios, enquanto apenas quatro eram moradores da cidade imperial.
· Já está disponível na página do Tribunal de Justiça o calendário da Justiça Itinerante para 2008. Os municípios atendidos pelo projeto este ano serão Areal, Comendador Levy Gasparian, Macuco, Mesquita, Tanguá, Duque de Caxias e Carapebus. A Justiça Itinerante já fez 74.629 atendimentos desde a sua criação em 2004 até dezembro de 2007.
· Para saber em quais dias o ônibus estará em cada comunidade e os endereços onde os veículos estarão localizados basta acessar a página do Tribunal:
www.tj.rj.gov.br - Serviços - Justiça Itinerante. Um telefone gratuito (0800 285 2000) tira as dúvidas sobre o projeto
· Como o projeto tem a parceria da Defensoria Pública Geral do Estado e do Ministério Público do Estado, há possibilidade de que o processo seja finalizado no mesmo dia em que o requerente procura atendimento. Isso porque o ônibus funciona conectado à rede de informações do Tribunal de Justiça, compartilhando informações processuais de todo o Estado.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

BAIXADA URGENTE - DENÚNCIA

MILITÃNCIA DO PDT REAGE
À BARGANHA POR CARGOS

Pela reação de algumas lideranças do partido, o “comodato” entre Washington Reis e o deputado Carlos Correia em torno da adesão do PDT à reeleição do prefeito tem tudo para dar errado. Nas negociações entre o ex-prefeito de São João de Meriti e o atual prefeito de Duque de Caias, o presidente do PDT/RJ cedeu a legenda sem reunir o partido, numa decisão típica do coronelismo que doía os chamados partidos de aluguel, aqueles que apóiam o candidato que oferecer mais vantagens para seus dirigentes. Em um comentário postado no blog, o tenente Melquisedec Nascimento, que se lançou candidato a prefeito com apoio do deputado Wagner Montes, afirma que o PDT é um partido histórico, que sempre defendeu a Justiça Social, a Liberdade e a Soberania nacional. Para o presidente da Amae – uma
associação de PMs e Bombeiros Militares – Duque de Caxias não é mais uma cidadezinha provinciana. Quem ainda pensa assim e continua a realizar as velhas práticas, corre seriíssimo risco de ser apresentado na imprensa algemado. Para Melquisedec, “o PDT não pode ser tratado dessa forma, como uma legenda qualquer, sem história e sem ter possuído estadistas. Trata-se de um verdadeiro acinte à história do partido essa briga por cargos em troca do apoio ao prefeito Washington Reis. O PDT de Caxias pode e deve ter um candidato próprio à prefeitura da cidade. Ademais, Caxias não pode ser tratada como um pedaço da Baixada Fluminense, ou mesmo um bairro da capital. Temos nossa identidade própria, jamais se poderia aceitar que políticos de outros municípios tenham cargos em Caxias”. E ele fecha o comentário com um brado que pode levantar a massa de insatisfeitos de todos os partidos no Município: “Duque de Caxias para os duquecaxienses!”.

• A se confirmarem as informações de que o novo Secretário do Trabalho e Emprego é um ex-prefeito da Baixada, a impressão é a de que a “Legião Estrangeira” que hoje acompanha o prefeito terá seus quadros bastante ampliados.
• Depois do fracasso com os Secretários de Cultura (Carmem Migueles), de Fazenda (Sérgio Rui – aquele que pretendia economizar cinco milhões por ano cortando beneficio dos servidores), do Trabalho (o ex-deputado Eraldo Macedo, demitido quando estava em coma num hospital do Rio), de Saúde (o folclórico biólogo Oscar Berro, responsável pelo tumulto no ultimo concurso para médicos), de Comunicação, o virtual Kiko (que não falava com jornalistas, pois é um excelente corretor de seguros), está na hora do prefeito lançar mão da chamada prata da casa e investir mais em pessoas que participaram da sua campanha em 2004 e moram e vivem os problemas de Duque de Caxias.
• A campanha pela reeleição será dura, mesmo com a participação, lado a lado, de Sérgio Cabral, César Maia e Garotinho, cujos prestígios seguem ladeira abaixo.
• Enquanto isso, os integrantes do PSOL, partido que saiu de uma costela do PT em meio à crise do mensalão, pretende fazer uma reunião publica para discutir. . . a regulamentação dos motos-táxis.
• O mais jovem partido do País incorre no mesmo víéis dos demais nanicos, que pegam um assunto da moda para tentar montar uma campanha eleitoral.
• Enquanto o povo continua enfrentando enchentes, deslizamentos, filas nas portas de hospitais e dos postos de saúde, além da invasão das vans, a turma do PSOL só pensa no perigo representado por um punhado de motoqueiros.
• Sobre as empresas de ônibus, na ilegalidade desde 1988, a concessão vencida dos serviços funerários e outros assuntos “mais quentes”, os seguidores de Heloisa Helena preferem guardar um suspeito silêncio. Por quê?

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

BAIXADA URGENTE - DENÚNCIA

FAVELAS ESTÃO AVANÇANDO
SOBRE OS RIOS DE XERÉM
Embora o prefeito seja da área da Construção Civil, a Secretaria de Habitação é um órgão inoperante. Por falta de uma política habitacional, as favelas continuam em expansão, tanto na horizontal, anexando novas áreas, como na vertical, com a venda de lajes e o surgimento de espigões. Nos últimos meses, surgiram novas favelas em Xerém, o Distrito com maior área do município, parcialmente integrante da Mata Atlântica. Enquanto derrubam árvores e constroem casas, os invasores também destroem as matas cilaires, que protegem as nascentes dos rios do Distrito, que ainda abastecem não só parte da Capital, mas também uma boa parte do Segundo Distrito, através da Barragem do rio Saracuruna, construída pela Petrobrás e, recentemente, doada à CEDAE. Com a chegada do verão, aumentou o número de famílias que buscam as cachoeiras de Xerém para combaterem o calor e como forma de um lazer barato. O problema é que a invasão dos turistas é desorganizada, usando até as barragens da Cedae como área de mergulho, sob as vistas impotentes dos seguranças particulares, contratados pela Cedae ou pelo IBAMA, que deveriam proteger a área. Além das invasões, patrocinadas e apoiadas por conhecidos políticos da região, temos também a invasão da turma do “colarinho branco”, inclusive a direção do Fluminense, como constatou o Secretário de Ambiente, Carlos Minc, numa “incerta” até o centro de treinamento do clube, em Xerém, que rendeu uma pequena multa ao clube das Laranjeiras. Se nada for feito com urgência, brevemente Xerém terá uma população maior, sem ruas, sem saneamento básico, com casas precárias, sem abastecimento de água e sem postos de Saúde e escolas, como já acontece em outras “comunidades”.
COMEÇOU A BRIGA NO PDT
PELOS 90 CARGOS EM CAXIAS
A nota do blog sobre a decisão do prefeito Washington Reis de liberar os 90 cargos de chefia da Secretaria de Trabalho e Emprego, em face do acordo firmado com o presidente do Diretório Regional do partido, o deputado e ex-prefeito de São João de Meriti, Carlos Correia, provocou as mais disparatadas reações na cidade. Dentro do PDT, a “turma do envelope” não se conforma em ficar com apenas 15 cargos, enquanto o grupo dos “históricos” critica o oportunismo dos seus rivais, em negociar o apoio à reeleição do prefeito apenas em troca de cargos, uma vez que o PDT é um partido de vanguarda e ideológico. O beicinho dos “históricos” é apenas um disfarce para a incômoda situação em que se encontram, tendo que fazer a campanha do prefeito, que é do PMDB, mas sem nada em troca. Entre os mais irritados com o “acordo” entre o deputado Carlos Correia e Washington Reis está o ex-vice-prefeito, Wilson Will Gonçalves, que não conseguiu nenhum dos 90 cargos. E a reação é ainda maior por saberem os pedetistas de Duque de Caxias que a maior parte dos cargos irá para pessoas ligadas ao deputado Carlos Correia, inclusive seu irmão, que será o Subsecretário, sem falar que o cargo mais importante será dado a um ex-prefeito da Baixada, que deverá cumprir a mesma rotina do ex-deputado Eraldo Macedo – irmão do Bispo Edir Macedo e tio do senador Marcelo Crivella – que raramente aparecia na Secretaria. Apesar das suas origens na Igreja Universal, Eraldo Macedo foi demitido pelo “irmão em Cristo” Washington Reis mesmo estando em coma numa cama de hospital, o que revela o coração piedoso do prefeito.
• Além dos problemas com a candidatura do deputado Wagner Montes, no Rio, o PDT, terá um outro abacaxi pela frente. Trata-se do Tenente Melquisedec Nascimento, presidente de uma Associação de PMs e Bombeiros Militares e com uma forte liderança não só entre os colegas de farda, mas também entre moradores do Município.
• Como a Segurança continua sendo o calcanhar de Aquiles do Governo de Sérgio Cabral, Nascimento tem condições de discutir esse assunto com toda a sociedade civil, tanto pelo lado da falta de segurança para o cidadão, como de perspectivas na carreiras para os PMs e Bombeiros, principalmente depois do reajuste “chorado” de 4% nos salários dos servidores no ano passado.
• Com o apoio declarado do deputado Wagner Montes, Nascimento poderá se tornar uma grande pedra no sapato do deputado Carlos Correia e do seu mais novo amigo de infância, Washington Reis. Como o PDT é um partido virtual, qualquer movimento brusco pode tirar o PDT da campanha eleitoral, tal e qual aconteceu nos idos de 80, quando uma parte da militância reagiu à entrada do então deputado Messias Soares.
• Mesmo tendo sua ficha de adesão abonada pelo governador Leonel Brizola, Messias Soares precisou brigar na Justiça Eleitoral para sair candidato. Até uma candidata foi importada, Márcia Cibillis Viana, para impedir o simpático Messias de disputar a prefeitura de Duque de Caxias. Ele venceu na Justiça, mas não teve tempo suficiente para a sua campanha e acabou derrotado.
• A situação hoje é diferente, a começar pela disputa no Rio de Janeiro, onde o partido terá de decidir se tenta vencer com Wagner Montes, que não é a menina dos olhos do Ministro Carlos Lupi mas lidera as pesquisas de intenção de voto, ou vai para o sacrifício e ajuda César Maia a eleger a deputada Solange Amaral, ou, pior ainda, garante a eleição do bispo Marcelo Crivella e entrega as chaves da Prefeitura do Rio à Igreja Universal, cujos bispos chutam as imagens da Virgem Maria ou as queimam e jogam no lixo, como ocorreu com as imagens feitas pelos índios Guaranis, no Rio Grande do Sul.
• O Fórum Cultural da Baixada Fluminense marcou uma reunião neste sábado, dia 12, às 14 horas no Campus da UERJ, na Vila São Luiz, em Duque de Caxias. Dentre os assuntos a serem tratados nesta reunião estarão: revisão da Carta Cultural, Armazém Cultural e eleições do Fórum.
• Em sua primeira viagem como governador em exercício ao interior fluminense, o deputado Jorge Picciani inaugurou, nesta quinta-feira (10/1), a 128ª Delegacia Legal de Rio das Ostras, na Região das Baixadas Litorâneas. Com esta unidade policial, o programa Delegacia Legal completa 103 unidades implantadas em todo o estado. Nos próximos seis meses estão previstas
mais nove unidades. Na área de Segurança, o orçamento para este ano está mais reforçado que em 2007, disse Picciani. A solenidade contou com a participação do prefeito de Rio das Ostras, Carlos Augusto Balthazar; do secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, e do secretário da Casa Civil, Régis Fichtner
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quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

BAIXADA URGENTE - DENÚNCIA

PDT DE CAXIAS TERÁ 90 CARGOS
Enquanto o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, resiste bravamente (mas não heroicamente) às pressões da Comissão de Ética do Palácio do Planalto, para que deixe a direção partidária se pretende continuar Ministro do Trabalho - para poder distribuir cargos nos estados para brizolistas amigos - o prefeito de Duque de Caias, Washington Reis, aceitou pagar um alto preço pelo apoio do PDT à sua reeleição. Nas negociações com o deputado Carlos Correia, ficou acertado que o PDT receberá a Secretaria de Trabalho e Emprego de porteira fechada, isto é, todos os 90 cargos de chefia e preenchidos sem concurso, serão ocupados por militantes do partido fundado por Brizola. O ex-prefeito de São João de Meriti e dirigente do PDT/RJ continua, porém, insistindo em colocar um irmão no comando da Secretaria, mas Washington Reis nega tal pedido, pois já tem compromisso com um outro ex-prefeito da Baixada, que poderá tomar posse como Secretário de Trabalho na próxima semana. Assim, só restará ao deputado Carlos Correia indicar o subsecretário. Na partilha dos cargos, o PDT/Caxias, que está estropiado desde a morte de Leonel Brizola, terá direito a apenas 15 cargos, que serão ocupados, logicamente, pela “turma do envelope”, apelido magistralmente pespegado pela professora Cândida Helena, que lidera a facção do Partido que não aderiu ao prefeito. Isto quer dizer que os pedetistas da Baixada disputarão, no tapa e a golpes (baixos0 de borduna, nada menos que 75 cargos. Projetos para a geração de empregos o PDT não têm. Em compensação, o partido revela uma invejável disposição para ocupar os espaços na administração. Com a grana (10%) que o partido vai receber dos seus militantes, encarrapitados nos 90 cargos da Secretaria de Trabalho e Emprego, como faz o PT, talvez o partido possa comprar uma nova bandeira para a sua velha sede, na atual Av. Leonel Brizola, ex-Presidente Kennedy, conforme lei proposta pelo deputado Zito e vetada por Sergio Cabral, cujo veto foi derrubado pelo plenário da ALERJ.

GOVERNO PODIA APROVEITAR
O CAMPO DE POUSO DE XERÉM
Agora que está com dinheiro sobrando, o prefeito Washington Reis, que ainda mora em Xerém, poderia dar uma melhor utilização ao hangar ali existente, onde pousavam os aviões que traziam técnicos italianos da Alfa Romeu, que desembarcavam no Galeão. O internauta Silas Correa, que mora em Xerém, enviou uma foto do hangar, com sujestões para que o local seja utilizado por pequenas aeronaves, pelos praticantes de asa delta, e até como escola de aeromodelismo em parceria com empresas, como a Celma-GE, ou escola para a formação de pessoal qualificado nessa área.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

BAIXADA URGENTE - DENÚNCIA

PM GANHA CARROS DE LUXO O governador do Ceará, Cid Gomes, irmão do deputado e ex-Ministro Ciro Gomes, do PSB, já começou a receber as primeiras das 482 viaturas da marca Toyota, Modelo HILUX SW4, compradas ao preço unitário de R$ 165.000,00, segundo tabela fornecida pela empresa Zeni Motors, revendedora da empresa japonesa em Cascavel, Paraná, o que resultaria numa despesa de cerca de R$ 70 milhões. Os veículos são equipados com câmbio automático, bancos de couro, ar condicionado e tração nas 4 rodas (para não atolarem no péssimo asfalto das rodovias federais que cortam o estado. O mais curioso é que tais mimos são importados da Argentina, o que significa a exportação de empregos e geração de renda para o país vizinho, além de encarecer a manutenção, pois as peças de reposição serão obrigatoriamente importadas. Um internauta caxiense, que passou uns dias em Fortaleza, fotografou os bólidos e está enviando pela web aos amigos, como forma de protesto contra o aumento dos impostos e o desperdício, por parte dos nossos governantes, onde se incluem Lula, governadores e prefeitos, do dinheiro arrecadado. O governador Cid Gomes faz lobby junto ao Planalto para que a Petrobrás forneça, a preços subsidiados, o GNV para alimentar os altos fornos de uma siderúrgica em construção na terra de Padre Cícero, produto. que a estatal ameaça cortar dos consumidores do Rio de janeiro, inclusive os motoristas de táxi.

A INVASÃO DAS MOTO-TÁXIS

Está explicada a impunidade dos moto-táxis. Os motoqueiros desfilam com camisas de políticos ligados ao Governo. Quando a praga surgiu, às vésperas das eleições de 2004, eles usavam propaganda de Laury Villar. Hoje, as camisas tem a “chancela” de deputados ligados a Washington Reis e Sérgio Cabral. Por isso eles estão dispensados de usarem capacetes, bem como os passageiros, além de ser permitido ouso de motos sem placas, o que é proibido pelo Código Nacional de Trânsito.

• Como se vê, não é só o prefeito Washington Reis que vai torrar R$ 300 milhões do PAC na demolição do Shopping Center. O Ceará também está ajudando a Argentina a exportar caros de luxo para o Brasil.
• O caso do governador Cid Gomes tem um perigoso precedente. O presidente Lula, desde que assumiu a Presidência da República, só viaja em carros da GM, fabricados na Austrália. O governo justifica a mordomia informando que os carros são cedidos em comodato, isto é, emprestados pela multinacional americana.
• Agora, vamos imaginar o Primeiro Ministro do Canadá comprando um avião da Embraer? Ou a Rainha da Inglaterra desfilando numa Fiat de luxo em plena Londres? Ou Presidente da França saudando data nacional do pais com uma taça de vinho português? Como reagiriam os cidadãos desses Países?
• O Duque de Caxias que, sob as bênçãos do prefeito Washington Reis e do ex-deputado Eurico Miranda conseguiu, em apenas um torneio, ascender à Primeira Divisão, está de cara nova. Contratou, por R$ 30 mil mensais, o ex-seleção Viola.
• Para disputar o torneio de acesso, o Duque de Caxias aproveitou a turma do CD (come e dorme) do Vasco da Gama, mas, para disputar o título de Campeão carioca, precisou montar um time novo, pois o acordo entre o prefeito e o dono de São Januário não permitia que o clube caxiense usasse os jogadores cruzmaltinos contra o time do ex-deputado.
• Será que a Federação e o Corpo de Bombeiros vão autorizar o Duque de Caxias a jogar contra Flamengo, Vasco, Botafogo e Fluminense no acanhado Estádio Telê Santana, que já foi Gaspar Correia Mayer, depois do acidente na Fonte Nova, em Salvador?


segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

BAIXADA URGENTE

TAQUARA - CONTRIBUIÇÃO À HISTÓRIA

Igreja de N. Sra. da Piedade de Inhomirim em ruínas

Guilherme Peres (Membro da Academia de
Letras de Meriti e fundador do IPAHB)

Abrangendo um imenso território com suas capelas filiais de “Serra Acima” e “Serra Abaixo”, a igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade de Inhomirim, (atualmente em ruinas)segundo monsenhor Pizarro que visitou essa paróquia no final do século XVIII, registrou sua criação no ano de 1677 “distante dois quarto de légua do Porto da Estrela”. Arruinada sua construção, obtiveram em 1700, de “Lourenço Álvares de Resende e sua mulher Helena da Cruz, a doação de 25 braças de terra em quadra à N. Sra. da Piedade além de mais 4 braças para casa de vivenda do pároco”.
Deliberando muda-la para mais próximo do Caminho do Inhomirim, os fregueses “conseguiram de João Martins Oleiro e sua mulher, a doação de 16 braças de terra de testada com 30 de fundo no campo da fazenda chamada Figueira, que se realizou no dia 1. de novembro de 1754”, iniciando sua construção com paredes de pedra e cal. Em seu interior “se levantaram sete altares, no maior dos quais tem assento o sacrário, onde permanentemente se conserva o Santíssimo Sacramento, cujo culto está a cargo de uma Irmandade ereta pela provisão de 29 de fevereiro de 1764”. A Igreja (foto) onde Luis Alves de Lima e Silva, o "Duque de Caxias", foi batizado, está em ruinas, sem que nem a Igreja, como instituição, nem o Ministério da Cultura ou o Governo do Estado tomem qualquer providência para recuperá-la antes do desabamento final.

DUQUE DE CAXIAS – Nascido no dia 25 de agosto de 1803 na fazenda São Paulo região da Taquara, o grande brasileiro Luiz Alves de Lima e Silva que mais tarde se tornaria o Duque de Caxias, usou sua espada para manter a unificação do território brasileiro durante o Império e a defesa do Brasil na Guerra do Paraguai. Foi batizado na “Freguesia de Inhomirim, aos doze dias do mês de setembro de mil oitocentos e três, pôs os Santos Óleos o padre Agostinho Lopes de Laet à Luiz, Inocente” conforme consta no assento de batismo que pertenceu aquela paróquia.
O TERRITÓRIO – Mencionando a fertilidade da terra, Pizarro relaciona os produtos da lavoura produzidos na região: cana, arroz, café, mandioca e legumes, relacionando: “duas fábricas de açúcar e três de aguardente se conservam no território abaixo da Serra; mas no tempo presente contam-se nove entre umas e outras”.
Citando os rios que faziam parte desse território, inicia com o rio Inhomirim que “fermentando entre a Serra Grande e a de Itacolomí, leva consigo o Rio do Ouro, pelo qual se divide a presente freguesia com a de Sururuí”. O Piabetá, o Bonga, o Caioaba, nascidos na Serra da Estrela “atravessa três vezes a Estrada Geral de Minas, se ajunta com o Saracuruna, pela qual finaliza o termo desta Freguesia e principia a da Freguesia do Pilar”.
Entre os portos fluviais, se refere aos dois “que se conduzem os efeitos do continente, são principais o da Estrela e de Anhum-mirim. No primeiro há suficiente numero de casas que formam um arraial belíssimo e acomodam notável porção de habitantes por todo o ano, sem o menor embaraço das pousadas em que se descansam os moradores de lugares distantes, e os viandantes de Minas Gerais acompanhados de fazendas de comércio”.
Descrevendo o comércio que se desenvolvia no Porto da Estrela, Pizarro afirma que “acham os caminhantes todas as provisões necessárias dos gêneros relativos ao alimento, à mercancia e as oficinas em casas estabelecidas e bem sortidas”. Referindo-se a Inhomirim: “vizinho à Matriz há outro arraial habitado por negociantes vários; e posto que compreenda menor número de edifícios e de casas mercantis é, contudo freqüentado pelos caminhantes da Estrada Geral para a Serra”.
CAPELA N. SRA. DO ROSÁRIO – Das capelas existentes “Serra Abaixo” sob sua administração eclesiástica, Pizarro menciona “a 1.ª de N. Sra. da Estrela, fundada a mais de 150 a 160 anos em sítio sobranceiro ao rio e porto de Anhum-Mirim, por Simão Botelho, irmão de Baltazar Botelho”.
A segunda capela é a de N. Sra. do Rosário, no sítio Taquara, que Pizarro diz ignorar sua fundação: “cuja antiguidade me foi oculta por não aparecer o seu título”. Entretanto, segundo Frei Cândido Spannagel (O. F. M.), a capela do Rosário na Taquara, vizinha da fazenda S. Paulo pertencente aos avós do Duque da Caxias e local de seu nascimento, “foi construída por Gonçalo Arieiras em 1743 e passou ao domínio do Cap. Ajudante Manoel Antônio em 1757; nesta data passou a fazenda e capela a ser propriedade do capitão José Cardoso de Mesquita a quem foi penhorada em 1794”, tendo sido arrematados em Praça Pública todos os bens que constituíam a fazenda, inclusive a capela, em 1798, pelo Dr. José de Oliveira Fagundes.
A sede da Fazenda da Taquara encontrava-se a cerca de dois quilômetros de distancia da Fazenda São Paulo, ambas situadas a margem da Estrada da Taquara.
Essa Capela foi assistida durante alguns anos pelo padre Luis José de Freitas Bello, tio do Duque de Caxias (entre 1809 a 1823) conforme consta nos livros de batizados da Paróquia de Inhomirim, conferidos por Frei Cândido Spannagel.

CAMINHO DE INHOMIRIM - Em terras doadas a Antônio da Fonseca ainda no final do século XVI e não ocupadas no prazo estipulado por Lei, essa grande sesmaria estendida a margem do Rio Inhomirim foi cedida a Domingues Fernandes, o “Cara de Cão”. Porém, também não sendo ocupada no prazo legal, o Governador Martim Correia de Sá, confirmou a posse de um novo sesmeiro, João Botelho, por despacho favorável de nove de setembro de 1603.
Em meados de 1650, seu filho Simão Botelho, construiu em um “monte sobranceiro” em frente ao porto, uma capela dedicada a Nossa Senhora da Estrela dos Mares, trazendo para essa região de terras férteis inúmeros sesmeiros, atraídos pela facilidade de transportar pelo rio Inhomirim, a produção agrícola em direção o Rio de Janeiro.
Bernardo Soares de Proença, sesmeiro em Suruí, também rasgou uma nova passagem, pela serra do Mar denominado “Caminho do Inhomirim”, iniciado à margem desse rio, subindo a serra e seguindo antigas trilhas indígenas passando por Córrego Seco, atual Petrópolis.
Concluído por volta de 1724, Aires de Saldanha comunicava ao Rei por carta em 11 de outubro desse ano a sua conclusão, e recebia a resposta através da Ordem Régia de 6 de julho de 1725, em que D. João V mandava agradecer a Bernardo Soares de Proença o serviço prestado “o qual ficava na Real Lembrança”.
O CALÇAMENTO - Tomando conhecimento das dificuldades encontradas nos caminhos de acesso entre o Rio de Janeiro e a região das minas, e o desejo dos súditos em realizar seu calçamento, D. João, Príncipe Regente, ordenou de Portugal através da Carta Régia enviada em outubro de 1799 ao vice-rei Conde de Resende “que fosse realizada essa obra desde logo”.
Durante as obras o vice-rei foi substituído por D. Fernando José de Portugal, acumulando as funções de Capitão-General do Rio de Janeiro, cujo estudo e planejamento foram entregues ao setor de Obras Públicas da Capitania.
Em 1802 eram iniciados os trabalhos e o vice-rei comunicava à Corte que “a parte mais impraticável de toda a estrada que é a serra da Estrela, no comprimento de légua e meia”, já estava em construção. Administrado pelo sargento-mor de Milícias, Domingos Francisco Ramos Fialho que planejou seu alargamento e medição, teve a supervisão contínua do capitão do Regimento de Engenheiros, Aureliano de Souza e Oliveira.
Este capitão era pai de Aureliano de Souza e Oliveira Coutinho, futuro Visconde de Sepetiba. Nomeado presidente do Rio de Janeiro por Carta Imperial de 1º. de abril de 1847, veio a ser o 13º. chefe do governo fluminense. Foi ele que assinou os primeiros contratos de colonização em 1845 com os alemães, que ocuparam Córrego Seco, a futura Petrópolis.
“Além de sua grandiosa obra na Serra da Estrela” diz Carlos de Oliveira, “foi morador do Córrego Seco por alguns anos – entre 1802 e 1809 – ali chegando em companhia da esposa D. Francisca Flávia de Proença Coutinho e do filho primogênito Aureliano de Oliveira e Souza Coutinho”.
Projetada com um traçado mais extenso e sinuoso para atenuar o declive das rampas, seguia pelo mesmo atalho ao lado das vertentes do rio Caioaba, cujo objetivo “era transformar o trecho em pauta numa estrada pavimentada que permitisse o tráfego de carroças em quaisquer situações meteorológicas”. Foi previsto também “calçadas laterais, bueiros e calhas de granito, bem como o abaulamento da pista, para controle do escoamento das águas pluviais”.
Medindo um comprimento de “30 palmos” (6,60m) de largura, “segura por três ordens de meio-fios, com suplemento de calçada lateral que os seguram e ao mais corpo da obra” e segundo informaria mais tarde o Major Júlio Koeler o seu comprimento era de “uma légua e um quarto” (8.250 metros).
Com o açúcar ocupando primeiro lugar na pauta das exportações, no início do século XIX o café já despontava como seu forte concorrente. Era necessário adaptar a região de estradas carroçáveis, e não depender só do transporte dos tropeiros, iniciando no velho “Caminho Novo do Inhomirim”, até então a única via oficial de ligação entre Minas Gerais e a Corte seu “empedramento”, facilitando a passagem de carros de tração animal.
Em julho de 1809, S. A. o Príncipe Regente D. João visitou essas obras na Baixada Fluminense já no seu término, e apesar do longo tempo exigido para sua realização em virtude das dificuldades encontradas, fez questão de conhecer o trabalho que ordenara, transformando o antigo caminho lamacento em “calçada de pedra”. Elogiou o esforço de todos e promoveu o já então major Aureliano ao posto de tenente-coronel, que por mais de sete anos morou naquele “sertão” (Serra da Estrela), 1882/1889, até o término da obra.
Hoje quem visita esta estrada, se encanta com as condições de preservação em que se encontra. Exatamente igual a 200 anos atrás quando foi construída, graças ao período em que ficou protegida pelo exército, durante sua ocupação com a instalação da Fábrica de Pólvora.
ESTRADA DA TAQUARA - Incorporadas às atuais estradas ou perdidas nas matas que retomaram seu antigo lugar, esses caminhos são hoje os testemunhos vivos de nosso passado de Brasil Colônia, quando o ouro e as pedras preciosas desciam das minas gerais através da Baixada Fluminense, ou o café durante o período do Império.
Caminhos de referência aos viajantes que partiam da Corte em direção ao interior da Província, assistiram durante o século XIX a descida das mulas gemendo ao peso do café, do fumo, dos queijos e do açúcar. Por eles subiam as tropas carregadas de ferramentas, louças, roupas, bijuterias, vinhos, sal e azeite. “Era um movimento contínuo de grandes comitivas com sua escravatura, seus cavalos e bestas ricamente ajaezadas”. Dentro desse cenário surgiu a Estrada da Taquara.
Servindo de variante para a subida da Serra, ia encontrar-se com o Caminho de Inhomirim na região de “Córrego Seco”, hoje Petrópolis. Após um percurso de cerca de oito quilômetros, passava em frente a sede da Fazenda São Paulo, engalanada por uma alameda de palmeiras que se agitavam ao vento. Em seguida mais dois quilômetros e atingia a Fazenda da Taquara seguindo em direção a raiz da Serra da Estrela em seu lado Oeste.
Não temos registros sobre esse calçamento, ainda que tosco, mas acreditamos que foi também durante o período do Império quando era grande o transito de homens e animais entre Serra Acima e Serra Abaixo, e que resistem até hoje como provam os vestígios deixados em toda a sua extensão até atingir Petrópolis, no encontro com o Caminho do Inhomirim no bairro que recebeu o seu nome: Taquara.
Na segunda metade do século XVIII, abriu-se uma ligação dessa estrada com o Caminho do Pilar ou Caminho Novo de Garcia Paes, que ia encontrar-se entre as sedes das fazendas de São Paulo e da Taquara, aumentando as opções para os viajantes que partiam do Porto do Pilar e o Porto de Estrela, seguindo ou chegando ao interior da Província, segundo o estado dos caminhos.
Segundo um mapa que nos foi oferecido gentilmente pelo jovem historiador Edson Ribeiro datado de 1850 intitulado: “Carta Topográphica e Administrativa da Província do Rio de Janeiro”, vê-se assinalada a Estrada da Taquara iniciando-se no Caminho do Inhomirim, bifurcando-se para a direita e terminando no encontro do mesmo caminho na região de Córrego Seco, hoje Petrópolis.
Em pesquisas colhidas pelo historiador Luis de Oliveira, sobre o então primeiro tenente engenheiro Julio Frederico Koeler que dirigia os trabalhos de construção da futura Petrópolis, este apresentou um relatório em 1835 ao Presidente da Província, descartando obras nessa estrada devidos aos “limitados recursos pecuniários”, e assim se pronunciando: “Vai do Pilar ou Porto da Estrela pelo engenho da Tacoara, Serra dos Três Irmãos, fundo da Fábrica de Pólvora, sai no Córrego Seco; deve-se abandonar de fato”.
Entretanto, em 1841 o Governo interessou-se pela recuperação dessa estrada como vemos no Relatório apresentado pelo mesmo então major Koeler, conforme assinala Luis de Oliveira: “informava ter levantada a planta da Estrada do Córrego Seco à Taquara, representando o seu conceito sobre a importância dessa via de comunicação que com o passar do tempo voltara a ser procurada”.
RELATÓRIOS DA PROVÍNCIA – Baseando-me nos textos publicados nos “Relatório da Província”, e colhidos por Edson Ribeiro, incansável estudioso dos caminhos do passado na região sudeste, vemos referencias a essa estrada:
No ano de 1849: “Carece de melhoramentos o caminho que segue da Vila da Estrela a Petrópolis pela Serra da Taquara e que vai ter à Freguesia do Pilar”.
No ano de 1850: “Caminho da Serra da Taquara. O mau estado em que se achava esse caminho de reconhecida utilidade, quer para a colônia, quer para os fazendeiros que por ela exportam os produtos de sua lavoura, reclamava alguns reparos importantes, especialmente na parte compreendida entre a fazenda de Joviano Varela e o Alto do Imperador. Com o resultado de uma subscrição promovida por vários fazendeiros, deu-se princípio a esses reparos em outubro passado e já em dezembro estava o dito caminho muito melhorado”.
Em 1858: “Os reparos do Caminho da Taquara desde a Raiz da Serra até o Alto do Imperador estão quase concluídos e espero que a despesa não exceda a 3:000$, concedida pela Lei nº. 1.869 de 1857”.
Em 1859: “Estrada da Taquara. Os reparos dessa estrada, que vão desde aquele ponto ao Alto do Imperador, acham-se confiados aos cidadãos Domingos Antonio Bello e Henrique Isidoro Xavier de Brito, havendo-se despedido até agora a quantia de 7:000$”.
Em 1870: “Portaria de 22 de abril de 1869, mandou a diretoria proceder aos reparos precisos com urgência dede a raiz da Serra da Taquara até o alto do Quitandinha, nas raias das terras coloniais de Petrópolis. Contratou-se então por empreitada com o Ten. cel. Henrique Isidoro Xavier de Brito pela quantia de 14:000$. Não consta que tenham tido começo as obras, pois o engenheiro do Distrito nada diz, apesar das ordens em contrário”.
Em 1871: “Estrada da Serra da Taquara. Recebidas em agosto de 1871 as obras de reparo da ponte compreendida entre o Alto e o Campo do Quitandinha em um ponto denominado Caxoeira, que estavam a cargo do Cel. Henrique Izidoro Xavier de Brito. Havia também obras na Estrada do Taquarussú ao Inhomirim e Rio Taquara (desobstrução e canalização)”
PERCORRENDO A ESTRADA – Respondendo ao requerimento de D. Anna Quitéria Joaquina de Oliveira, viúva do Coronel Luiz Álvares de Freitas Bello, fazendeiro e negociante na Taquara, dirigida ao Intendente Geral da Polícia, Paulo Fernandes Vianna em 1809, o coronel Aureliano de Souza e Oliveira, encarregado da obra da Serra em texto colhido por Luis de Oliveira assim se manifestou:
“Passei logo que me foi possível ao território da Tacuara a correr todas as estradas, caminhos e portos que servem aqueles moradores e fazendeiros para suas exportações...havendo ali uma Estrada Geral muito pública , que descendo da serra da Tacuara passa pelo mesmo território, e vem ao Porto da Estrela...onde tem toda comodidade e prontos meios de transportes.
Advirto, contudo que o Caminho Geral que aponto primeiro, carece de ser consertado em alguns passos como os mesmos povos o desejam; para cujo fim convocados que fosse a dar quarenta escravos pelo tempo de três semanas, esses debaixo da direção de algum hábil fazendeiro faria um serviço vantajoso e útil ao público”.

“Quinze de setembro de oitocentos e nove.
Aureliano de Souza Oliveira -
Tenente Coronel encarregado da obra da Serra”.

Aqui vemos que o coronel Aureliano, sendo responsável pelas obras de calçamento do Caminho do Inhomirim, estava também empenhado em recuperar a Estrada da Taquara no início do século XIX, tudo levando a crer que ela serviu como variante àquele caminho durante o período do ouro, e havia interesse em dar continuidade ao transito durante ciclo do café.
BENS TOMBADOS – Pertencente ao 3º. Distrito de Duque de Caxias, o bairro da Taquara teve recentemente seus bens históricos tombados pelo Município, através do Conselho Municipal de Cultura baseando-se na Lei Orgânica dessa Cidade:
1º. – Museu Histórico da Duque de Caxias (antiga Fazenda São Paulo)
2º. – Igreja de Nossa Senhora do Rosário da Taquara.
3º. – Trajeto da Estrada Real denominado Estrada da Taquara.
Entretanto o Parque Municipal, uma reserva biológica pertencente à Floresta Atlântica denominado da Taquara, de responsabilidade da Prefeitura, está totalmente abandonado. Não há fiscalização e o corte de árvores é freqüente, ferindo frontalmente a biodiversidade da região e preocupando parte de seus moradores que dependem da água para sua sobrevivência, cada vez mais escassa.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
Oliveira, Luiz de – “Quatro Caminhos de Pedra que Cruzam a Região Petropolitana” – Revista IHGB – 1985 – RJ.
Pizarro e Araújo, José de Souza Azevedo – “Memórias Históricas do Rio de Janeiro” – INL – Imprensa Nacional – 1945 – Rio.
Lazaroni de Moraes, Dalva – “Esboço Histórico e Geográfico do Município de Duque de Caxias” – Arsgráfica Editora - D.Caxias, RJ
“Relatório da Província do Rio de Janeiro” - anos: 1849, 1850, 1858, 1859, 1862, 1870, 1871
Kroker, Frei Aniceto - “Inhomirim, 250 anos de Paróquia” Ed. Vozes, 1956.
Macedo, Edson – Apostilas e mapas fornecidos referentes à região da
Taquara – 2007

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

BAIXADA URGENTE

A NAU DOS INFELIZES

Senhor Deus dos desgraçados!/ Dizei-me vós, senhor Deus!
se é loucura... se é verdade /tanto horror perante os céus?!
Castro Alves em “Navio Negreiro”

* Guilherme Peres (Pesquisador e fundador do IPAHB)

Na manhã do dia 6 de setembro de 1842, uma belonave britânica de 26 canhões denominada H.M.S.Cleópatra, adentrava a baia de Guanabara para uma escala de alguns dias destinados ao abastecimento. Sua missão nesta viagem era transportar o tenente-general sir William Gomm, que ia tomar posse como governador nas ilhas Maurício. Ancorado próximo ao porto estava barco “Malabar”, também de bandeira inglesa com 64 canhões, no qual fazia parte da tripulação o reverendo inglês Pascoe Grenfell Hill que por questões pessoais, pediu transferência para o “Cleópatra”. Extasiado diante da imensidão da baia, o pastor registrou em seu diário: “A magnificência incomparável da baia do Rio, apertada na entrada, depois se abrindo em uma circunferência de dezessete léguas; suas cem ilhas; as montanhas que a envolvem mostrando cada mudança de contorno, coberta por uma riqueza de verdura do litoral até os cimos... misturando seus cumes com as nuvens; tudo isso compõe uma variedade e beleza que dificilmente cansa a vista. A cidade do lado esquerdo da entrada fica a quatro ou cinco milhas de distância da entrada”.
Ao desembarcar em frente ao Hotel Pharoux, comenta o grande movimento do cais nos barcos que saíam ou chegavam levando e trazendo passageiros e víveres dos navios ancorados ao largo. Contemplou uma praça na qual observou uma grande profusão de frutas e verduras espalhadas pelo chão e apregoadas por escravos.
“Uma alegria cordial se misturam ao redor de um pequeno fogareiro de carvão onde eles fritam seus peixes ou cozinham sua raiz de mandioca e batata doce. O trabalho mais pesado que se vê na rua é o do carregador de café, que leva sacos pesados na cabeça com seus passos acelerados, ao som de chaqualhantes substâncias dentro de uma bexiga que o chefe do grupo sacode e os outros acompanham cantando”.
Critica com veemência o Brasil por sua condição de país escravista, comentando que os casos de tortura e crueldade não eram divulgados pelos jornais do Rio de Janeiro, apenas anunciando casos de negros fugidos de uma jornada sobrecarregada de trabalho e subnutridos “dependendo dos caprichos do mau humor ou da avareza de seu dono”. Assistiu a um leilão de “mais ou menos vinte e cinco escravos de ambos os sexos, decentemente vestidos sentados em bancos atrás de uma mesa comprida, onde um de cada vez subia para ser melhor examinado pelos arrematadores. Um ar de obstinação parecia expressar seus sentimentos de degradação por estarem sendo postos à venda.”
No dia 14 de setembro daquele ano o “Cleópatra” levantou ferros singrando majestosamente em direção ao oceano Atlântico, buscando o continente africano.. Ao iniciar essa viajem o pastor Hill não suspeitava que fosse testemunhar para a posteridade através de seu diário, talvez o mais contundente registro que temos conhecimento das condições degradantes de um navio brasileiro destinado ao transporte de escravos, após ser aprisionado pelos ingleses. Num tom seco e direto, o pastor narra a ventura desse barco “tumbeiro” denominado “Progresso”, que seguia para o Rio de Janeiro. Deixando as ilhas Maurício, o ‘Cleópatra” se dirigiu-se à foz dos rios da região da costa de Moçambique, infestada de barcos negreiros. “Um novo interesse aqui se ligava a cada nau que fosse vista. O mercado de escravos na costa da África no presente momento, está quase confinado aos distritos de Quelimane e Sofala, tendo cessado no Porto, graças aos zelosos empenhos dos últimos e do presente governador”. Ancorado fora da barra, no dia 23 de março de 1843 o comandante mandou uma barca subir o rio em direção a cidade de Quelimane, trazendo na volta uma carta do governador narrando que dois barcos brasileiros, o “Desengano” e o “Confidência”, foram capturados pelo brigue H. M. Lily, cuja tripulação composta de brasileiros e portugueses, apresentara-se a ele, tendo sido devolvidos aos seus respectivos países.
No dia 31, uma embarcação de dois mastros foi avistada ao longe “indo furtivamente ao longo da margem” tendo sido fracassado a tentativa do Cleópatra em contatá-la, alguns escaleres foram enviados “para vigiarem os pequenos rios ao longo da costa.”.
Ao amanhecer do dia 12 de abril “ao voltarmos para Quelimare, o vigia no alto do mastro principal percebeu a sotavento uma embarcação que pela distância mal era visível; mas sua localização tendo sido considerada muito suspeita, a ordem foi de dirigir-se para ela”. Um vento forte seguido de chuva dificultava a perseguição à estranha embarcação. Após algum tempo o sol voltou a brilhar revelando próximo um “bergantim de linhas arrojadas como nós... desmastrado durante a ventania”. De repente o barco içou as velas pôs-se em fuga desfraldando a bandeira brasileira, em resposta a bandeira britânica que tremulada no mastro perseguidor.
Posicionaram-se os homens da tripulação em torno aos canhões e ouviu-se o primeiro tiro de advertência em direção ao bergantim. Seguiu-se mais alguns outros, sendo ignorados pelo perseguido até que, perdendo distância, arriou as velas e aguardou aproximação de seu captor Um escaler conduziu um oficial para tomar posse do navio, e substituir a bandeira brasileira pela bandeira britânica, pois aparentemente não havia dúvidas quanto sua atividade de navio negreiro. Seguiu-se o capitão acompanhado do narrador deste diário e “um cirurgião para examinar o estado de saúde a bordo da presa”.

O APRISIONAMENTO
A visão do quadro degradante que o pastor viu, mesmo em sua narrativa fria é horripilante. Negros nus e famintos se atropelavam no convés do navio arrebentando barricas de farinha, “a raiz da mandioca em pó; outros tendo quebrado os caixotes seguravam grandes pedaços de carne de porco e de boi; e alguns pegaram aves das gaiolas e as devoravam cruas”. Panos torcidos eram enfiados nos tonéis de aguardente, “um forte rum brasileiro do qual beberam em excesso”. Os gritos ensurdecedores de alegria foram ouvidos depois que toda a tripulação inglesa subiu a bordo para livrá-los das correntes de ferro, as quais muitos deles ainda estavam presos. Após a tripulação de dezessete homens serem transferida para o barco inglês composto de três espanhóis e o restante de portugueses e brasileiros, foi avaliado a situação: tratava-se do navio brasileiro “Progresso”, deslocando cerca de 140 toneladas procedente de Paranaguá e seguia em direção ao Rio de Janeiro. Sua carga era composta de 447 negros. “Desses 189 eram homens, poucos, no entanto, passando dos vinte anos; 45 mulheres e 213 meninos”. Havia um grande número de doentes a bordo, suspeitando-se que a princípio fosse de 25, mais tarde descobriu-se uma quantidade maior.
Segundo a tripulação o comandante havia perecido afogado no porto de embarque. Tempos depois se descobriu que ele permaneceu escondido entre seus subordinados para fugir ao rigor das leis inglesas. Dois espanhóis e um português voltaram para o barco “Progresso” com a tarefa de cozinharem para os negros, juntamente com nove marinheiros, um tenente, um mestre quarteleiro, um contramestre e o pastor Hill, autor do diário do qual estamos seguindo seu roteiro.
Ao longo do tombadilho o pastor descreve os negros recentemente libertados, dormindo, enquanto a nave desliza suavemente à brisa do mar calmo. Corpos esqueléticos, uns sobre os outros, disputam o pequeno espaço. De repente, “o céu começou a se encher de nuvens e um nevoeiro espalhou-se pelo horizonte para barlavento”.
Os fortes ventos seguidos de chuva provocaram as cenas de horror que se seguiram, com os marinheiros querendo chegar até as cordas para recolher as velas, e a pisotearem os negros que se alvoroçaram aos gritos acompanhados da ordem de mandar todos descer para o porão. Durante a noite, o calor sufocante agitou “quatrocentos infelizes seres humanos apertados em um porão com doze jardas de comprimento... rapidamente começaram a fazer um esforço para voltar ao ar livre” através das escotilhas fechadas em cima deles.
“A única passagem de ar, o calor sufocante do porão, e, talvez o pânico da situação inusitada fez com eles pressionassem... acumularam-se nas grades, e agarravam-se a ela lutando por ar. Mas com isso barravam completamente a sua entrada. Posso afirmar sem exagero que os gritos, o calor “a fumaça do tormento deles” que subia não pode ser comparadas a nada desse mundo. Um dos espanhóis avisou-se que a conseqüência disso seria de muitas mortes.
Pela manhã, cinqüenta e quatro corpos de homens, mulheres e crianças foram conduzidas para o tombadilho e jogados ao mar. “Era uma cena horrorosa vê-los passar um a um, os membros enrijecidos cobertos de sangue e de sujeira” Outros estavam feridos ou fracos demais para se erguer. Haviam sido pisoteados. “Alguns ainda tremendo foram deitados no tombadilho para morrer, água salgada eram jogada sobre eles para revivê-los, e um pouco de água entornada em suas bocas”.
A refeição daquele dia consistia de farinha e água, “quase metade de meio litro que eles agarravam com inconcebível avidez... suas gargantas deviam estar ressecadas pelos choros e gritos que vararam a noite adentro”.
Na véspera de Páscoa, o pastor parece desabafar diante de tanta degradação: “O mundo não consegue apresentar um espetáculo mais chocante da desgraça humana do que esse nosso navio apresenta. Parece que uma cena tão angustiante possa ser testemunhada sem causar um efeito prejudicial no espectador... depois se familiarizando, ele vai em certo grau insensibilizando seus sentimentos”.
Dia de Páscoa, domingo, 16 de abril. Avistou-se o “Cleópatra” com sinais de que queria se comunicar, sendo feito a aproximação. Receberam “um velho português chamado Valerian, para ajudar a reparar nossas velas que eram velhas e fracas”, e um cirurgião assistente “que começou a examinar os doentes. A maioria dos casos era de disenteria e de ferimentos ulcerados. Um homem tinha uma profunda escara infeccionada causada por chicotadas. Uma pobre criança de seis ou sete anos perdeu quase todo o dedo grande do pé comido por “niguas”, ou seja, bicho de pé”.
O ROUBO DA ÁGUA
Na manhã de segunda feira, os meninos que anteriormente haviam sido rejeitados à bordo do “Cleópatra” por suspeitas de varíola, finalmente foram aceitos cerca de cinqüenta, pois se tratava de “violenta espécie de coceira”. Acompanhados de víveres para alimentá-los, consistindo de “dois sacos de arroz, um de milho moído, uma boa quantidade de carne-seca... que só desse último artigo o “Progresso” carregava um estoque suficiente para alimentar os negros durante dois meses”, além de seiscentos sacos de feijão miúdo, guardado abaixo do tombadilho dos escravos, arroz inferior, farinha, e “22 enormes tonéis, cada uma comportando cinco ou seis barricas cada”.
Referindo-se ao depósito de provisões o pastor registra: “armários trancados cheios de cerveja comum e de cerveja preta forte; barris de vinho; licores de várias espécies; macarrão; vermiceli; tapioca da melhor qualidade; caixas de picles ingleses, cada uma contendo doze vidros; caixas de charutos; uva moscatel; tâmaras, amêndoas, nozes etc.etc. Os viveiros no tombadilho estão cheios de aves e patos e tem onze porcos”.
O “Cleópatra” afastou-se rapidamente dando o último adeus de despedida. Durante a jornada o espanhol que fazia parte da tripulação anterior em atividade no navio brasileiro “Progresso”, revelou ao pastor dados interessantes de sua vil profissão. Narrou que durante os “dois ou três meses”, em que ficaram à espera do embarque da carga humana na praia, os negros ficaram muito doentes, “Alguns deles tinham vindo de longe no interior e chegaram em condições deploráveis e cinqüenta foram rejeitados como incapacitados para viajar”.
Curiosa a resposta do tripulante quando perguntado se acreditava no fim do tráfego de escravos, que cada vez mais era combatido pelas nações que assinaram um pacto para esse fim, “ele achava que no Brasil, onde havia grandes enseadas isoladas que facilitavam o contrabando, haveria uma grande dificuldade em suprimir o tráfego, embora se a autoridade do governo simpatizasse com a causa poderia fazer muito”.
O “Progresso” havia sido o quarto navio apreendido naquele ano. “Em Quelimane, oito ou nove navios pegam sua carga anualmente” continua o espanhol “e, calculando por baixo, com quinhentos escravos em cada um... agora nenhum escapa, é um trabalho para homens desesperados... Na costa leste os negros geralmente são pagos em dinheiro, às vezes em “fazendas”, algodão grosseiro a um custo mais ou menos de dezoito dólares por homem e doze por meninos. No Rio de Janeiro, seu valor estimativo é de 500 mil réis por homens, 400 mil réis por mulheres e 400 mil réis por meninos. Assim sendo uma carga de quinhentos escravos, a um preço vil, o lucro vai passar de 19.000 libras”.
Uma manhã um negro morreu e foi jogado ao mar. Seu corpo flutuou em torno do navio batendo contra o casco “de barriga para cima durante meia hora”. A tripulação ficou temerosa que algum tubarão pudesse alcançá-lo. Finalmente o cadáver se afastou para todo o sempre. O maior sofrimento dos negros era a sede. Com a água racionada eles sorviam as gotas de chuva que pingavam das velas. “Colam seus lábios nos mastros molhados e engatinham até as gaiolas das aves para compartilhar os alimentos”. Na hora da refeição, constando de feijão cozido com arroz, a comida era distribuída em tinas “ao redor das quais eles estão sentados em grupo de dez, e, a um sinal, começam a mergulhar suas mãos na mistura e com grande habilidade levam o conteúdo até suas bocas”.
. Um tubarão de grande tamanho foi pescado pela guarnição e serviu de refeição para os negros que se arregalaram com alegria durante a refeição. Porém, antes de abrir o peixe, ficaram temerosos “de encontrar restos dos nossos camaradas falecidos”. Uma febre estranha atacou seis homens da guarnição, inclusive o pastor. Manoel, o cozinheiro português, foi o primeiro acamar-se com delírios. “Nessas febres da costa da África é necessário não ficar acovardado; por que se alguém se acovarda, em quatro dias morre”. E foi o que aconteceu com Manoel. “O corpo foi costurado dentro de um saco, com um chumbo para fazê-lo afundar, depois foi trazido para a popa, onde os ingleses e os espanhóis esperavam, eu li o modelo de Serviço Fúnebre para ser usado no mar: “Entrego seu corpo com honras no mar, esperando pela sua ressurreição, quando o mar deverá entregar seus mortos e a vida do mundo ocorrer”.
No final de abril durante uma noite, todos acordaram com gritos ouvidos no convés dos escravos. Ao verificar o motivo, denunciaram: “estão roubando água”. Confirmada a denúncia, foram responsabilizados sete elementos como autores do furto. “O mal resultante dessa delinqüência não é só da água retirada e sim a sujeira que fica dos trapos que eles mergulham nos barris para tirar o líquido”. Pela manhã os acusados foram amarrados no convés “e cada um recebeu de quinze a vinte chibatadas: um espanhol, um inglês e um negro forte se revezavam na tarefa”.
A LONGA VIAGEM
Após vários dias de calmaria o “Progresso” velejava sereno, acompanhado de cardumes de toninhas com os marinheiros tentando arpoá-las. Em poucos momentos o céu encheu-se de nuvens carregadas com os relâmpagos rasgando o horizonte, sinalizando o recolhimento das velas. Trovões rolaram acompanhando o vento e as ondas que varriam o convés. Os gritos dos negros recolhidos apressadamente ao porão, o ranger de cordas e do tabuado faziam crer que o navio estava prestes a se partir.
Ao se iniciar o mês de maio, o navio seguia sua rota em calmaria entrando num novo hemisfério. A estação fria se aproximava mantendo os negros aninhados no porão. “Os negros nus já estavam começando a tremer e a bater os dentes”, que aumentava à medida que o navio avançava para o norte. As noites eram geladas e em uma manhã “sete negros foram encontrados mortos e entre eles uma menina”. A morte estendia suas asas com mais calamidade sobre esses infelizes. Em seu diário o pastor registra as cicatrizes de letras marcadas no peito e nos ombros dos negros, que segundo um português da guarnição, é para marcar as iniciais de seus respectivos donos. “Quando o navio chega ao Rio eles podem reconhecer suas propriedades” acrescentando que “a condição do negro é muito pior no Rio onde eles andam esfarrapados e maltratados “como um escravo” do que em Havana, onde às vezes está mais bem vestido do que muito branco”.
Nova tempestade colheu o “Progresso” com “vento violento acompanhado de chuva” ceifando mais vidas de negros recolhidos ao porão. Pela manhã: “três mortos foram as primeiras coisas que meus olhos viram no convés; um homem coberto por um cabo de corda, uma coisa horrível e repugnante; o pobre menino que sofria com bicho-de-pé e que agüentou seu sofrimento com muita paciência e uma menina, cujos dois olhos ontem estavam completamente fechados por causa de uma inflamação na cabeça. Suas vidas foram durante um tempo, uma carga pesada para eles e não poderiam se mais prolongadas, mas com certeza foram encurtadas pela inclemência do tempo”.
As tempestades se sucediam com freqüência. Ao entrarem nas zonas de turbulências com nuvens ameaçadoras, antecipava-se o recolhimento das velas e os negros eram recolhidos ao porão. “Rajadas se sucediam umas às outras misturando mar e ar em um lençol pulverizador, cegando os olhos do timoneiro. Ondas subindo altas, acima de nós, jogando para o céu as espumas de suas cristas e ameaçando engolir o navio a qualquer momento”. Cavalgando sobre as vagas, o velho brigue transportava em seu interior “os gritos agudos dos doentes através da escuridão da noite, subindo acima do barulho dos ventos e das ondas, pareciam as coisas mais tristes de todos os horrores desse infeliz navio”.
Ao amanhecer a mesma rotina trágica: três corpos jaziam no convés para serem lançados no mar: “o de um homem e os de dois meninos, trazidos do porão para o convés”. O homem havia sido surrado por seus companheiros alguns dias antes, e naturalmente não agüentou a falta de ar no porão na noite anterior. Dentre as doenças dos negros que se manifestavam à bordo, “os casos de feridas ulceradas assumiam uma aparência tão horrível que eu agora mal consigo olhar. Esses pobres pacientes, também estão sem exceção, atacados de disenteria, da qual eles têm certeza que vão morrer mesmo se curados das feridas”. O estado de desnutrição era cada vez era evidente na aparência dos negros transportados pelo “Progresso”. “Um menino que estava a um estado que não se consegue conceber em um ser humano”, durante a administração de um remédio composto de camomila, “Antonio o fez sentar para beber, quando sua cabeça caiu para frente e morreu nessa posição”.
Navegando numa região de calmaria, um horrível mau cheiro passou a exalar do porão impregnando todo o navio. A mistura das fezes e do suor dos negros doentes e esqueléticos que não podiam se locomover para o convés e permaneciam asfixiados num calor sufocante, faziam com que a tripulação se sentisse incomodada, “e na nossa cabine na popa é quase intolerável”.
“Aparentemente nada se movia nem no ar nem no mar nem no céu, exceto os enormes albatrozes, com suas azas de dezesseis pés bem abertas, dando volta uma atrás da outra e, às vezes passando tão perto, que quase tocam a grinalda da popa na qual eu estava sentado”.
Ao entardecer sombras foram vistas no horizonte denunciando terras, confirmada ao amanhecer com o aparecimento dos pombos do Cabo, em conjunto com os albatrozes e várias velas que surgiam ao longe, suspeitando que fosse a “baia Plettemberg, entre a baia de Algoa e o Cabo, alguns negros apontam interessados e curiosos para lá, mas um grande número deles senta-se junto no convés, com suas cabeças descansando nos joelhos aparentemente em uma apatia total para tudo ao redor”.
A morte ceifaria naquela manhã mais três meninos. Seus corpos estendidos no convés eram parte da rotina diária, “embora, durante os últimos sete dias os casos fatais tenham atingido uma média de quatro por dia”. No dia 1º. de junho, o “Progresso” se aproximava da costa quando foram transportados do porão mais oito corpos, “e agora não podemos mais nos aventurar a joga-los ao mar como antes, porque as ondas podem leva-los para alguma praia desabitada da baia na qual entramos ontem à noite”. Na baia de São Simão, o nevoeiro desfeito deixou ver dezenas de mastros e velas de barcos que se confundiam ancorados ao largo.

O OUTRO LADO DO MUNDO
Aproximando-se do cais, o navio lançou ferros, sendo logo visitado pelo fiscal sanitário. Em seguida o superintendente do Hospital Naval, também foi a bordo conduzido pelo pastor, já que eram velhos conhecidos, visitou o porão destinado aos escravos. “Por mais que ele estivesse acostumado a cenas de sofrimento, ele foi incapaz de suportar a vista, superando tudo o que ele podia conceber de miséria humana. Uma menina pequena chorava amargamente, presa entre as tábuas e lutando para libertar seus membros enfraquecidos, até que lhe deram assistência”.
Desembarcando no cais e após um descanso, o reverendo dirigiu-se abordo do “Isis” para cumprimentar um velho conhecido: sir John Marchal. De volta para a terra resolveu fazer a última visita ao “Progresso”, onde encontrou mais seis corpos empilhados no convés junto aos oito do dia anterior esperando para serem enterrados na praia. Os mais saudáveis já tinham sido embarcados em vagões para a cidade do Cabo. Cada um dos que era liberado, diz o pastor em seu diário: “recebia um casaco novo e quente, calças, e eram colocados agasalhados em confortáveis em vagões abertos... passei pelos negros e não os encontrei mais conformados com a mudança da situação... Cada mulher tinha um cobertor branco novo, além de roupas... responderam aos seus nomes, mas mostraram poucos sinais de alegria na ocasião. Dúvida e medo predominavam e seus semblantes pareciam aqueles das vítimas condenadas”.
Durante a limpeza do navio foi encontrado um menino preso nas taboas do porão em adiantado estado de putrefação. “Parte de uma das mãos tinha sido devorada e um olho completamente roído pelos ratos... os doentes que desembarcaram ainda são numerosos”.
Após cinqüenta dias da viajem de volta ao continente africano, chegava ao fim um dos mais dramáticos depoimentos de fatos abomináveis que envergonham as relações humanas. O “Progresso”, navio brasileiro apreendido pela bandeira britânica com sua carga infame de 397 negros destinados ao Rio de Janeiro, chegava ao porto próximo à cidade do Cabo com 223 sobreviventes, reduzidos em 175 homens, mulheres e crianças que pereceram em condições degradantes.

POSFÁCIO
Percorrendo o Rio de Janeiro durante a primeira metade do século XIX, o viajante inglês G. W. Freireyss registrou uma visita feita ao mercado do Valongo: “Basta entrar numa das espaçosas salas de um traficante na Capital, para ver uma porção de negros recém-chegados divertirem-se à moda do seu país, o que o traficante lhes permite por que sabe que a falta de movimento e a nostalgia lhes diminuem o infame lucro. Encontramos aí alguns centos de negros nus e rapados, diversos tantos na idade como no sexo, que formavam uma grande roda, batendo palmas com toda a força, acompanhadas com os pés e com um canto gritado e de três notas apenas”.
Após as primeiras visões desta degradação humana, Freireyss assinala que os navios chegavam com a quarta parte de sua carga doente, “enquanto outros que trazem consigo os germens da moléstia, sucumbem poucos dias depois da chegada”.
Muito já se escreveu sobre a história social do Brasil desde o processo colonial. O tráfico negreiro é um desses temas que enodoam seu relato, iniciando com o aprisionamento de uma população ordeira do interior do continente africano por tribos litorâneas e negociando seus irmãos com traficantes de nações européias. Famílias inteiras transformadas em escravos contribuíram durante mais de três séculos para o esplendor econômico dos impérios coloniais incluindo o britânico, que se travestiu de inquisidor do tráfego negreiro no século XIX por interesses econômicos.
Escrevi esse relato resumindo o texto do livro: “Cinqüenta Dias a Bordo de um Navio Negreiro”, transcrito do diário de bordo do reverendo Pascoe Grenfell Hill, garimpado no raríssimo acervo do bibliógrafo e acadêmico José Mindlin, traduzido por Marisa Murray e publicado recentemente pela José Olímpio Editora, na coleção Baú de Histórias.
** Revisão do texto: Professor Wagner Cortaz