A PETROBRÁS FOI DESTAQUE NO NOTICIÁRIO POLICIAL EM 2014
Em 2014 as atenções no meio político voltaram-se para as
revelações e desdobramentos da Operação Lava Jato, da Polícia Federal (PF).
Iniciada em março de 2014, a investigação mostrou um grande esquema de
corrupção dentro da maior empresa pública brasileira, a Petrobras. O Ministério
Público denunciou, até dezembro, pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro
e organização criminosa, 36 envolvidos. Na lista estão o doleiro Alberto
Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da companhia, Paulo Roberto Costa,
acusado de receber propina de Youssef para facilitar negócios na estatal. A PF
chegou ao ex-diretor depois de descobrir que ele recebeu um jipe Land Rover de
Youssef. O ex-diretor da estatal também é acusado de superfaturamento na
compra, pela Petrobras, da Refinaria de Pasadena, no Texas (EUA).
Após negar à CPI da Petrobras que houvesse corrupção na
estatal, Paulo Roberto Costa aceitou fechar acordo de delação premiada com os
procuradores que atuaram na Lava Jato. Por meio desse instrumento, o suspeito
de cometer crimes se compromete a colaborar com as investigações e denunciar
outros integrantes do esquema. Em troca, o delator recebe benefícios como a
redução da pena. Por causa do acordo, Paulo Roberto Costa cumpre prisão
domiciliar.
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Alberto Yousseff e Paulo Roberto Costa forneceram dados preciosos para as investigações da Operação Lava Jato |
Costa denunciou, então, a participação de integrantes de
cinco partidos no esquema: PT, PMDB, PP, PSDB e PSB. Eles teriam recebido
dinheiro desviado da estatal. O doleiro Alberto Youssef e dois executivos da
empresa Toyo-Setal também fecharam acordo de delação premiada com o Ministério
Público Federal.
Ainda entre os denunciados por crimes de corrupção, lavagem
de dinheiro e organização criminosa estão 22 empresários de seis empreiteiras:
Camargo Corrêa, Engevix, Galvão Engenharia, Mendes Júnior, OAS e UTC. Outras
três empresas - Odebrecht, Iesa e Queiroz Galvão - foram investigadas pela PF,
mas não tiveram executivos denunciados. Segundo a PF, as nove empresas
investigadas têm R$ 59 bilhões em contratos com a Petrobras.
Segundo as investigações, a Petrobras contratava as
empreiteiras que assinavam com a estatal contratos superfaturados para prestar
serviços como construção de obras e fornecimento de materiais. Os valores
extras eram rateados entre doleiros, lobistas e partidos políticos.
Em abril, a apreensão de documentos na sede da Petrobras,
no Rio de Janeiro, pela PF, marcou o início da segunda fase da Operação Lava
Jato. Em maio, foi concedida pela Justiça a quebra do sigilo bancário da
estatal.
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Renato Duque |
Em novembro, já na sétima fase da operação, em mais uma
ação, a PF prendeu vários suspeitos de envolvimento no esquema como o
ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque, e executivos de grandes
empreiteiras, como a OAS, Camargo Corrêa e Queiroz Galvão. Parte dos executivos
foi solta após depoimentos.
O procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da
força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) responsável pela Operação Lava
Jato, estima que o esquema denunciado desviou cerca de R$ 300 milhões. Segundo
o MPF, o valor mínimo de ressarcimento é R$ 1 bilhão.
Depois de meses de pressão, em dezembro, a presidenta da
Petrobras, Graça Foster, reuniu a imprensa para dizer que conversou com a
presidenta Dilma Rousseff sobre a sua própria demissão e sobre a saída dos
outros diretores da empresa. Segundo ela, o assunto foi tratado algumas vezes
com a presidenta, devido às investigações da Operação Lava Jato e ao atraso que
isso tem causado ao fechamento do balanço financeiro do terceiro trimestre da
empresa.
Na mesma entrevista, Graça Foster disse que os e-mails
encaminhados pela ex-gerente da Petrobras Venina da Fonseca, antes de 2014, não
explicitavam denúncias sobre irregularidades. Segundo ela, ninguém da diretoria
atual sabia da corrupção dentro da empresa até a Petrobras ser citada na
Operação Lava Jato.
A presidenta Dilma Rousseff, em café da manhã de Natal com
jornalistas, saiu em defesa da presidenta da Petrobras. Dilma disse aos
jornalistas que não há motivos para demitir Graça Foster por não haver provas
das denúncias feitas contra ela. Apesar disso, a presidenta sinalizou que
trocará os representantes do Conselho de Administração da estatal. (Com Agência
Brasil)
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