GOVERNO REDUZ PENSÃO
POR
MORTE E AUXILIO
DESEMPREGO
As normas de acesso a
cinco benefícios trabalhistas e previdenciários serão alteradas pelo governo
federal. Nesta terça-feira (30), foram publicadas, no Diário Oficial da
União, as medidas provisórias com ajustes nas despesas do abono salarial,
do seguro-desemprego, do seguro-defeso para pescadores, da pensão por morte e
do auxílio-doença.
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As regras serão mais duras para o auxílio desemprego em 2015 |
O objetivo das novas
regras, informou o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, é eliminar
excessos, aumentar a transparência e corrigir distorções, visando à
sustentabilidade dos programas que utilizam os fundos de Amparo ao Trabalhador
(FAT) e da Previdência Social. “Todas as mudanças respeitam integralmente todos
os benefícios que já estão sendo pagos”, disse o ministro. “[Elas] não se
aplicam aos atuais beneficiados, não é retroativo”.
As medidas foram
anunciadas após encontro dos ministros da Previdência, do Trabalho, do
Planejamento e do representante do Ministério da Fazenda com representantes de centrais
sindicais, na tarde desta segunda-feira (29), no Palácio do Planalto. Elas
começam a valer de imediato, mas precisam ser aprovadas pelos deputados e
senadores para virarem lei. Elas vão gerar redução de custos de aproximadamente
R$ 18 bilhões por ano, a preços de 2015.
De acordo com Nelson
Barbosa, que vai assumir nesta quinta-feira (1º) o Ministério do Planejamento,
Orçamento e Gestão, o valor equivale a 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB),
soma dos bens e serviços produzidos no país, do próximo ano, e vai aumentar ao
longo do tempo, de acordo com a maior utilização dos benefícios.
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A pensão por morte será metade do salário ou provento do falecido |
A primeira medida
anunciada é o aumento da carência do tempo de carteira assinada do trabalhador
que tem direito a receber o abono salarial. Antes, quem trabalhava somente um mês
e recebia até dois salários mínimos tinha acesso ao benefício. Agora, o tempo
será de no mínimo seis meses ininterruptos. Outra mudança será o pagamento
proporcional ao tempo trabalhado, do mesmo modo que ocorre atualmente com o
décimo terceiro salário, já que, pela regra atual, o benefício era pago
igualmente para os trabalhadores, independentemente do tempo trabalhado.
O seguro-desemprego
também sofrerá alterações. Pelas regras atuais, o trabalhador pode solicitar o
seguro após trabalhar seis meses. Com as novas regras, ele terá que comprovar
vínculo com o empregador por pelo menos 18 meses na primeira vez em que
requerer o benefício. Na segunda solicitação, o período de carência será de 12
meses. A partir do terceiro pedido, a carência voltará a ser de seis meses.
Devido à grande
ocorrência de acúmulo de benefícios no seguro-desemprego do pescador artesanal,
conhecido como seguro-defeso, as regras de acesso, nesse caso, também terão
mudanças. A primeira delas visa a vedar o acúmulo de benefícios assistenciais e
previdenciários com o seguro-defeso. O benefício de um salário mínimo é pago
aos pescadores que exercem a atividade de forma exclusiva, durante o período em
que a pesca é proibida, visando à reprodução dos peixes.
Com base em estudos de
experiências internacionais, o governo pretende criar uma carência de dois anos
para quem recebe pensão por morte. Outra intenção é exigir tempo mínimo de dois
anos de casamento ou união estável para que os dependentes recebam a pensão.
“Não dá para casar na última hora para simplesmente transferir o benefício como
em casamentos oportunistas que ocorrem hoje”, justificou Mercadante.
A exceção é para os
casos em que o óbito do trabalhador ocorrer em função de acidente de trabalho,
depois do casamento ou para o caso de cônjuge incapaz. Nova regra de cálculo do
benefício também será estipulada e reduzirá o atual patamar de 100% do
salário-de-benefício para 50% mais 10% por dependente. Outra mudança é a
exclusão do direito a pensão para os dependentes que forem condenados
judicialmente pela prática de assassinato do segurado.
O auxílio-doença também
sofrerá alteração. O teto do benefício será a média das últimas 12
contribuições, e o prazo de afastamento a ser pago pelo empregador será
estendido de 15 para 30 dias, antes que o Instituto Nacional do Seguro Social
(INSS) passe a arcar com o auxílio-doença.
A única medida
anunciada hoje que valerá para todos os beneficiados será o aumento da
transparência dos programas. Os nomes dos beneficiados, a que auxílio têm
direito, por qual motivo e quanto recebem são informações que, de acordo com
Mercadante, estarão disponíveis publicamente na internet, da mesma forma que é
hoje para quem recebe o Bolsa Família.
O ministro explicou que
já existem medidas de auditoria permanente no Bolsa Família e disse que as
mudanças visam a dar isonomia à concessão dos programas. “Estamos fazendo com
critério, equidade, equilíbrio, preservando políticas, direitos adquiridos. São
ajustes e correções inadiáveis e indispensáveis”, afirmou.
Do lado do governo,
participaram do encontro Carlos Eduardo Gabas, secretário executivo do
Ministério da Previdência Social, confirmado nesta segunda-feira (29) pela
presidenta Dilma Rousseff à frente da pasta; Paulo Rogério Caffarelli,
secretário executivo do Ministério da Fazenda; Miriam Belchior, ministra do
Planejamento, Orçamento e Gestão; e Manoel Dias, ministro do Trabalho e
Emprego.
Os trabalhadores foram
representados por dirigentes da Central Única dos Trabalhadores, União Geral
dos Trabalhadores, Nova Central Sindical dos Trabalhadores, Central dos
Sindicatos Brasileiros e Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil.
(ABr)
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