
• Para poder cumprir os acordos com vistas à reeleição, Washington Reis não mede esforços para desalojar antigos companheiros de campanha e, assim, abrir novas vagas. Há poucos dias, ele demitiu uma funcionária sob o estapafúrdio pretexto de que ela aparecera numa página do Orkut em companhia do deputado Sandro Matos, de São João de Meriti. Até recentemente, o deputado era um dos muitos amigos de infância do prefeito.
• O curioso é que, em 2004, a ex-funcionária fora candidata a vereadora com apoio desse mesmo deputado, tendo conquistado cerca de 800 votos. Em 2006, ela retribuiu a ajuda, fazendo a campanha do deputado em Caxias, sob a proteção do prefeito. Agora, sem mais nem menos, ela perdeu o cargo.
• O mesmo vem acontecendo na Secretaria de Educação, com diretoras sendo substituídas sob pressão de vereadores da situação, que indicam para as vagas pessoas do seu grupo, geralmente irmãs, esposas e mães. Assim, ao invés de subordinadas à Secretária, as novas diretoras passam a ser meras funcionárias dos gabinetes dos vereadores.
• Na fila da Caixa, na manhã desta terça-feira, uma funcionária da Secretaria de Educação dizia poucas e boas a propósito da “venda” da folha de pagamento dos servidores para a Caixa Econômica Federal. E dava detalhes dos números da transação envolvendo a Caixa, o prefeito e o HSBC.
• Sendo um banco internacional de larga experiência, o HSBC não abriria mão de dois anos de contrato (até dezembro de 2009) de mão beijada. Seria interessante se o MP, só por curiosidade, resolvesse perguntar às duas instituições de crédito sobre o montante da transação, quanto e a quem a Caixa pagou pela folha dos 15 mil (número mágico) servidores de Caxias.
• Em sessão realizada quinta-feira (06/03), o Conselho de Ética da Assembléia Legislativa deu início à tomada de depoimentos dos suspeitos de envolvimento na fraude da entrega do auxílio-educação, benefício a que os funcionários da Casa têm direito ao comprovarem a matrícula de seus filhos em escolas privadas.
• “O que ficou provado aqui hoje é que existe alguma coisa errada e que temos que ter muita cautela. Não poder haver o açodamento de culpar e nem de inocentar. O que estamos fazendo é mostrar à população que o Legislativo não compactua com tudo isso e que, se for preciso, vai cortar na própria carne e com faca afiada”, assegurou o presidente do conselho, deputado Paulo Melo (PMDB).
• Durante a reunião, os três ouvidos – Renato Sivuca Ferreira, Wanderley Galdiano Pereira e Marco Aurélio Marins – negaram envolvimento com a fraude. Renato Ferreira, o Sivuquinha, e Galdiano são ex-funcionários da Assembléia e Marco Aurélio é dono da Associação Cultural Educacional Pedro Ernesto, em Saracuruna, segundo distrito de Duque de Caxias.
• O único convidado que não compareceu foi um homem conhecido como Bira Ferreira, que deverá novamente ser convocado. “O Bira, ou Lourival, não sei ao certo, parece ser uma peça-chave nessa engrenagem e já estamos com nossos assessores realizando diligências para localizá-lo”, informou Melo, que, durante a reunião, soube que o denunciado é professor da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec) e mora em Guapimirim, Região Metropolitana do Rio. O presidente do conselho disse ainda que irá promover uma acareação entre Sivuquinha e as supostas vítimas da fraude.
• Após a sessão, o relator do processo, deputado Edson Albertassi (PMDB), declarou que, dentro de dez dias, irá apresentar ao Conselho de Ética seu relatório. “Já recebemos por escrito a maioria das defesas dos deputados envolvidos. Vamos envidar todos os esforços para agilizar essa investigação, pois queremos esclarecer para a população que a Casa não está nada de acordo com práticas como esta”, garantiu.
• “O mandato é inalienável e não se delega a ninguém aquilo que o povo nos deu. Somos 15 milhões de habitantes no estado e apenas 70 se transformam em deputados”, lembrou Paulo Melo. Na próxima segunda-feira (10/03), o conselho fará uma nova reunião para ouvir algumas das mulheres que teriam sido vítimas da fraude.
• A Comissão de Ética já sabe que apenas três deputados, Jane Cozzolino (PTC), Renata do Posto (PTB) e João Peixoto (PSDC) respondem por 60% dos 200 pedidos de auxílio-educação pagos pela Alerj, com dinheiros públicos que faltam para melhorar a rede de ensino do Estado e os vencimentos do pessoal da Educação. Cada auxílio-educação corresponde a R$ 450 reais por dependente matriculado, mesmo que a família more em Guapimirim e a escola fique no Jardim Leal, em Duque de Caxias, distante cerca de 30 Km da casão do estudante-beneficiário. Com isso, pelos gabinetes dos três deputados passam cerca de R$ 257.500 por mês.
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