LENTIDÃO DA JUSTIÇA DERRUBA
INELEGIBILIDADE
DA FICHA LIMPA
A
seis meses das eleições municipais, o Tribunal Superior Eleitoral ainda não
concluiu os julgamentos das medias liminares que garantiram candidaturas de políticos
que seriam atingidos ou pela Lei da Ficha Limpa, cuja vigência foi suspensa
pelo STF, ou pela lei das inelegibilidades. O deputado Washington Reis, por
exemplo, que teve rejeitadas as contas de 2007 e 2008 como prefeito do
município, motivo suficiente para que se registro como candidato fosse negado.
Em
nota enviada ao moderador do blog, Washington Reis disse que não tinha
pendências com a Justiça e que obtivera uma liminar, suspendendo os efeitos do
julgamento de suas contas pela Câmara Municipal. Pesquisando o portal do Poder Judiciário,
localizamos o Processo No: 0029651-29.2010.8.19.0000, em que o desembargador
Nagib Slaibi concedeu a liminar pedida pelo ex prefeito através de Mandado de
Segurança, medida que havia sido negada pelo próprio desembargador em processo
anterior, onde o requerente queria anular o próprio julgamento do Tribunal de
Contas do Estado, reprovando as suas contas. No novo recurso, agora apenas
contra a Câmara, o desembargador Nagib Slaibi concedeu a medida pleiteada,
proibindo a Câmara Municipal de Duque de Caxias de tomar qualquer medida em
relação ao assunto – prestação de contas – do ex prefeito.
Curiosamente,
a liminar, que continua valendo, só foi concedida em 6 de outubro de 2010, isto
é, TRÊS DIAS depois das eleições em que Washington Reis se elegeu deputado
federal. Assim, embora a Justiça tenha mantido a decisão do TCE, rejeitando as
contas do ex-prefeito, nada impede que ele volte a ser candidato e até se
eleja. Desta forma, o eleitor entrará na
cabine supostamente indevassável levando na mente uma grande dúvida –
Washington Reis foi um bom gestor e ágil dentro da lei como prefeito em 2007 ou
2009?
Ao
contrário do principio legal "in dúbio pro reo", a interrogação não
ajuda nem o candidato a provar a sua inocência, muito menos à Política do País,
pois, neste caso, a dúvida é sempre contra o réu, seja vereador ou Presidente
da República.
ZITO
AINDA ESPERA
O
APOIO DO PMDB
Em
uma longa entrevista publicada neste domingo pelo jornal "O Dia", com
inacreditável franqueza em que não deixou de fazer autocrítica e reconhecer que
seu atual governo deixa a desejar, o prefeito Zito (PP) fechou a entrevista
aconselhando o governador Sérgio Cabral, que apoia a candidatura do deputado
federal Washington Reis, do PMDB, a refletir sobre o momento político,
inclusive numa possível aliança PP-PMDB.
Em
tom confessional e até de ombro-amigo, o prefeito de Duque de Caxias manda uma
recado direto ao governador:
"Eu
espero que eles (PMDB/Caxias) percebam que o Zito pode ser um bom aliado e que
o PMDB possa apoiar o Zito porque talvez seja a última eleição de prefeito
minha. O Cabral pode intervir nisso aí se eles perceberem que não é o momento
deles".
Na
entrevista, Zito também mandou um recado para o seu ex vice (1996), ao garantir
que tem um completo dossiê sobre o seu principal adversário. Para o prefeito, a
vida política hoje exige todo o cuidado dos candidatos e a elaboração de um
dossiê sobre os adversários é uma estratégia importante, pois, mantendo segredo
sobre o conteúdo to tal "dossiê", seu detentor coloca os adversários
nas cordas, sem condições de reagir.
ESCANDALO NA SAUDE ENVOLVE
QUATRO DEPUTADOS DA BAIXADA
O novo escândalo envolvendo os hospitais federais no Rio de Janeiro,
denunciado pela revista "Veja", teria a participação de quatro
deputados federai da Baixada. Os denunciados pelo ex-assessor do Ministro da
Saúde, Edson de Oliveira, são os deputados Nelson Burnier (PMDB) e ex-prefeito
de Nova Iguaçu, Cristiano (PTdoB), ex secretário de Habitação de Duque de
Caxias (2009/10), Marcelo Matos (PDT), irmão do prefeito Sandro Matos, de São
João de Meriti, e Áureo (PRTB), primo do deputado estadual Dica e que está sem
seu primeiro mandato.
De acordo com “Veja”, Oliveira afirma que passou, desde então, a ser
alvo de chantagem desse grupo de parlamentares que teriam como objetivo manter
um esquema de corrupção em órgãos de saúde do Estado, através da indicação de
pessoas ligadas aos parlamentares para controlar o uso das verbas dos
hospitais.

Em entrevista na manhã deste domingo (1º de abril), o Ministro Alexandre
Padilha afirmou que só soube da história ao ser procurado pela revista (Veja),
na segunda-feira (26) e que pediu investigação à Polícia Federal ainda na
semana passada.
Segundo Padilha, uma auditoria da Controladoria Geral da União, em
andamento, avalia todos os contratos de empresas e laboratórios com os seis
hospitais federais no Rio, foco dos desvios, segundo a revista.
"Consideramos o fato extremamente grave, que se associa a outros
fatos graves que o ministério detectou desde que começou a reforma
administrativa dos hospitais do Rio, em fevereiro de 2011", disse o
ministro. "Os fatos serão apurados até o fim, vamos tentar reaver os
recursos desviados da saúde".
GRUPO SADIA/PERIGÃO ACUSADO
DE FOMAÇÃO DE CARTEL DO LEITE
A Secretaria de Direito
Econômico (SDE) do Ministério da Justiça vai investigar fabricantes gaúchos de
laticínios por indícios de prática de cartel no mercado de leite pasteurizado.
O despacho informando a abertura de processo administrativo foi publicado hoje
(2) no Diário Oficial da União.
A decisão foi tomada com base
em investigação da Polícia Federal. Ente os alvos da apuração está a Elegê Alimentos (atual BRF Brasil
Foods), conglomerado que resultante da compra, pela Sadia, da concorrente
Perdigão e de outras empresas do ramo. No controle da BR FOODS estão, enetre
outros, os fundos de pensão Previ, Sisltel, Petros e Valia, todos vinculados a
empresas estatais, suas mantenedoras.
As investigações também
alcaçarão as Cooperativa Sul-Rio Grandense de Laticínios (Cosulati),
Cooperativa dos Pequenos Agricultores e Produtores de Leite da Região Sul
(Coopal), Indústria de Laticínios Santa Silvana, Thurmer & Leitzke,
Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio
Grande do Sul (Sindilat) – terão 30 dias para apresentar ao governo suas
defesas.
PROCESSO
CONTRA FILHO DE SARNEY
VOLTA
A SER DISCUTIDO NO SUPREMO
O
Supremo Tribunal Federal (STF) será mais uma vez provocado a se posicionar
sobre os limites de ação do Conselho de Controle de Atividades Financeiras
(Coaf) na apuração de delitos. Foi encaminhado à Suprema Corte um recurso que
pretende validar o uso dos relatórios de inteligência fornecidos pelo órgão
financeiro para autorizar a quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico de
investigados.
O
processo que servirá como pano de fundo para o debate é o relativo à Operação
Faktor (batizada inicialmente de Operação Boi Barrica), anulada pela Sexta
Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em setembro do ano passado. As
investigações da Polícia Federal começaram em 2006 para apurar suspeitas de
lavagem de dinheiro e crimes contra a ordem tributária no Maranhão. Um dos
envolvidos é Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney.
Para
o colegiado do STJ, o único fator que motivou a quebra de sigilo dos
investigados foi um relatório de movimentações atípicas fornecido pelo Coaf. Os
ministros entenderam que seriam necessárias outras diligências e mais provas
para justificar a quebra de sigilo, e não apenas o relatório do Coaf. Assim,
foi tomada a decisão de considerar a operação ilegal desde o início.
O
caso será enviado ao STF a pedido do Ministério Público Federal (MPF) que, em
recurso, argumenta que o argumento do STJ para anular as provas é “frágil” e
“insustentável”. O envio do recurso para o Supremo foi liberado pelo
vice-presidente do STJ, ministro Felix Fischer.
O
uso de documentos do Coaf para basear a apuração de ilegalidades também está
sendo tratado no processo de associações de magistrados contra investigações da
Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). No ano passado, o CNJ
muniu-se de relatório do Coaf sobre movimentações atípicas no Poder Judiciário
para iniciar uma série de apurações em 22 tribunais do país.
Devido
a uma liminar do ministro Ricardo Lewandowski, a investigação parou no primeiro
alvo das suspeitas, o Tribunal de Justiça de São Paulo, onde o relator foi
desembargador. As entidades de juízes alegavam que o relatório promoveu a
quebra ilegal do sigilo de 216 mil juízes e servidores em todo o país.
Atualmente, o processo está sob os cuidados do ministro Luiz Fux.
CASOS DE POLÍCIA
A Polícia Federal anunciou
nesta segunda (2) que conseguiu prender o ex-procurador-chefe do INSS Raimundo
Linhares de Araújo, de 82 anos. Ele havia sido condenado, na década de 1990, a
11 anos de prisão, por integrar a quadrilha liderada pela ex advogada Jorgina
Maria de Freitas Fernandes, mas estava foragido. Condenado pelos crimes de
peculato (que é a apropriação indevida de bens ou recursos públicos) e formação
de quadrilha, ele foi preso quinta-feira (29), em Nova Iguaçu, na Baixada
Fluminense, e encaminhado ao Presídio Ary Franco.
O grupo de Georgina de Freitas
causou um prejuízo aos cofres públicos de R$ 500 milhões, por meio de fraudes
previdenciárias. Raimundo Linhares foi procurador do INSS entre1984 e 1989 e de
1990 a 1991. A ex advogada
Jorgina de Freitas esteva presa desde 1997, quando foi extraditada da Costa
Rica (ela havia sido condenada em 1992). Desde 2007 Georgina vivia em regime
semi aberto, trabalhando e dormindo na unidade prisional. Em 12 de junho de
2010 recebeu o alvará de soltura, deixando o presídio Nelson Hungria, no
Complexo de Gericinó, em Bangu, zona oeste do Rio Em fevereiro de 2011, ela foi
nomeada pelo governador Sérgio Cabral para o cargo de assessora do presidente
da Cedae, Wagner Victer.
RÁPIDAS
• A chamada "guerra intestina" entre o PT e
o PMDB pelo controle das verbas da Saúde está no centro desse novo escândalo.
Embora a denuncia tenha partido de um membro do PMDB e amigo pessoal do
ministro Alexandre Padilha, ela atinge parlamentares de outros partidos da base
aliada, o que se convencionou chamar de "fogo amigo".
• Repete-se o mesmo "script" do escândalo do
Hospital de Pediatria do Fundão envolvendo as empresas Toesa, Rufolo, Locanty e
Bella Vista. Nesse caso, os denunciantes deixaram de fora conhecidas
empreiteiras, muito mais poderosas que as quatro denunciadas e que faturam
bilhões em contratos com o Estado, Prefeituras e o Governo Federal.
• Segundo dados do Ministério da Saúde, 40 contratos
da pasta com instituições médicas --como contratos de obras, locação de
equipamentos e fornecimentos de medicamentos-- foram suspensos desde o início
do ano passado. A revisão de contratos teria resultado em economia de mais de
R$ 50 milhões
• A novidade nesse novo escândalo, segundo
"Veja", é o envolvimento de deputados da Baixada, como o ex-prefeito
de Nova Iguaçu Nelson Burnier, do ex-secretário de Habitação do Governo Zito,
Cristiano, do irmão do prefeito de São João de Meriti, Marcelo Matos, e o neófito
Áureo, primo do deputado estadual Dica, candidato a prefeito de Duque de
Caixas.
• Embora mantenha viva a esperança de formar uma dobradinha PP-PMDB, na
entrevista a "O Dia" o prefeito não deixou de alfinetar o seu ex-vice,
Washington Reis, que o sucedeu no período de 2005-2008 à frente da segunda mais
rica cidade (em receita de impostos) do Estado
• Zito repete que, no atual mandato, encontrou uma herança perversa, "Fiquei
com os pés e as mãos amarrados e não pude dar velocidade como eu sempre dei no
progresso e no trabalho da nossa cidade".
• Sobe a situação econômico-financeira do município, Zito garante que
herdou nada menos de R$ 240 milhões em dívidas.
Ele falou ainda da rede escolar do município. E não perdoou o seu
adversário.
"Recebemos uma herança educacional dificílima, com os prédios
caindo aos pedaços. Deixamos a cidade entre as 10 primeiras colocadas e
recebemos entre as 10 piores no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação
Básica). Ou seja: está em 82º lugar".
• Com relação ao crônico problema da falta
d'água, o prefeito admite que "a água serve primeiro à Zona Sul, à Barra
da Tijuca, e nossas cidades são as últimas. Duque de Caxias é a última cidade a
receber água".
• Embora tenha, diplomaticamente, evitado
críticas diretas ao governador Sério Cabral, Zito reconheceu que a Baixada não
é olhada pelo Governo do Estado com a importância que tem, tanto do ponto de
vista econômico, pelo desenvolvimento experimentado na última década, quanto
social, pela contribuição da mão de obra da região ao desenvolvimento da
Capital.
• Quanto a uma solução para o impasse, ao
contrário de outros políticos que defendem a municipalização, Zito prefere a
criação de um consórcio de Prefeituras, que assumiria a administração da rede
distribuidora, hoje sob controle da
Cedae.
• Essa solução, o consórcio, já se mostrou
inviável no caso do SAMU, cujas verbas (do SUS) são administradas por um
consórcio liderado por Nova Iguaçu. Como cada prefeito prefere administrar a
sua própria sucessão, o consórcio não consegue colocar em prática o projeto
SAMU, que resolveria boa parte do problema da superlotação dos hospitais
através da Central Reguladora.
(• Para salvar a imagem de
Sérgio Cabral, Zito acabou distribuindo carapuças para todos os prefeitos,
inclusive ele, ao afirmar que falta um pouquinho mais de empenho dos,
prefeitos).
• Zito admite que na Baixada cada um cuida de
si. "Nós não percebemos que o problema é de todos, de uma região que, às
vezes, é esquecida; que nós temos que nos unir para que sejamos mais lembrados.
Acho que falta deixar a vaidade de lado" recomenda o prefeito de Duque de
Caxias.
• Todas as atenções da cidade estarão voltadas para a
sessão da Câmara de Vereadores de Duque de Caxias que, espera-se, deverá
instalar as duas CPIs que irão investigar todos as licitações realizadas pelo
Legislativo e o Executivo desde janeiro de 2005, isto é, abrangendo os Governos
Washington Reis e Zito, bem como as Comissões Executivas comandadas pelos
vereadores Junior Reis (20052008) e Mazinho (a partir de janeiro de 2009).
• No caso da Câmara, o objetivo da CPI é investigar os
contratos de prestação de serviços, enquanto na outra CPI o alvo serão as
contratações de mão de obra terceirizada, o que colocará em debate os milionários
contratos firmados pela Prefeitura com os Grupos Delta e Facility (W. Reis) e
Locanty (Zito).
• No caso da reforma da estação ferroviária e a construção
do mergulhão, que permanece interditado, o custo superou a casa dos R$ 32
milhões, enquanto no caso do Hospital Municipal Moacyr do Carmo, as estimativas
variam entre R$ 80 e 110 milhões.
• Outro tema da CPI da Prefeitura será a situação dos
mais de três mil ex empregados da
Facility, demitidos no "Reveillon" de 2009 e a poucas horas da posse
do novo prefeito. Na época, a emrpesa mandou com os demitidos fossem procurar
seus direitos. . .
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