MAIS DE 400 BILHÕES DE DÓLARES
SAÍRAM PELA PORTA DOS FUNDOS
Mais de 400 bilhões de dólares saíram ilegalmente do
Brasil em pouco mais de 40 anos, de acordo com a Global Financial Integrity
(GFI). Segundo a entidade, em 1960, saíam ilegalmente do país cerca de 310
milhões de dólares por ano. No início dos anos 2000, o valor subiu para 14,7
bilhões de dólares e, atualmente, de 2010 a 2012, foram cerca de 33,7 bilhões
de dólares anuais. A média equivale a 1% do PIB nacional.

“A menos que ações corretivas sejam tomadas, o custo
econômico destes fluxos ilícitos só vai continuar a crescer,” analisou Kar. De
acordo com o relatório, o chamado “Trade Misinvoicing” é responsável pela maior
parcela dos recursos que saíram ilegalmente do Brasil. O que quer dizer que 92,7%,
o equivalente a 372,3 bilhões de dólares escoaram por meio de superfaturamento
de notas fiscais.
Segundo Kar, o Brasil é um caso especialmente crítico e
preocupante, já que o percentual médio nesse tipo de lavagem de dinheiro supera
a média global de 80%. O estudo ainda revela que de todas as transações
econômicas internacionais realizadas entre o Brasil e outros países, o que
significa cerca de 590 bilhões de dólares no período de 1960 a 2012, 68% são de
fluxos ilícitos. Quanto ao mercado negro, estimou-se que ele é responsável por
38,9% do PIB no período em questão.
Contudo, o relatório, pelo menos, indicou queda desse
percentual, já que na década de 1960, o mercado negro formava 45,8% do PIB, em
1970, 55,1% e de 2010 a 2012, o peso do mercado negro no comércio exterior caiu
para 21,8%. Segundo a instituição, o decréscimo ocorreu por conta do rápido
crescimento econômico do país nos últimos anos. Os dados fazem parte do
relatório intitulado “Brasil: a fuga de capitais, os fluxos ilícitos, e as crises
macroeconômicas, 1960-2012″, divulgado pela entidade segunda-feira (8), no Rio
de Janeiro.
Para o presidente da GFI, Raymond Baker, há muitos anos o
Brasil tem sido reticente ao tratar de transações internacionais e da saída
ilícita de recursos. “É, no entanto, um problema real e crescente, como nossa
pesquisa mostra, e merece uma séria atenção dos formuladores de políticas”,
afirma.
Além dos marcos legais, a instituição apontou a
necessidade de desenvolvimento da capacidade técnica e humana necessária para
utilizar eficazmente os dados sobre informações fiscais que são compartilhados.
“No geral, o Brasil tem uma estrutura financeira definida, um forte compromisso
com a governança democrática e muitas das leis e procedimentos necessários para
conter os fluxos financeiros ilícitos e frear o mercado negro já em vigor”,
observou o conselheiro fiscal da GFI, Joshua Simmons.
Para ele, no entanto, essas vantagens devem ser
conjugadas com a capacidade e vontade política para implementar e aplicar tais
medidas. “Diminuir os fluxos financeiros ilícitos deve tornar-se uma prioridade
em todo o governo brasileiro”, conclui Simmons.
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