COLUNISTA REVELA A FARSA DA
NOVA CLASSE MÉDIA BRASILEIRA
Desde o Governo Lula, a
propaganda oficial insiste em que, graças a políticas de inclusão social, o
País incorporou ao mercado de consumo alguns milhões de brasileiros, que viviam
na linha de pobreza. A assertiva em parte é verdadeira, mas a ascensão de quem
morava em palafitas e na beira de barrancos e dos rios não tem todos os itens que
permitam classificar o cidadã como classe A. B, C, D ou E. pois serviços
básicos como educação, saúde, moradia e emprego com salário digno e carteira
assinada são privilégios de parcela muito pequena dos mais de 190 milhões de
brasileiros que formam a Nação.
Na quarta-feira (18), o
respeitado colunista Tão Gomes Pinto publicou no jornal eletrônico “Brasil/247”
um artigo em que desmonta a falácia da nova Classe Média, procloamada pelo
Governo e repetida, “ad nauseam”, pela mídia chapa branca de todo o País. Pela
importância e seriedade do trabalho do festejado jornalista, decidimos replicar
tal artigo, como forma de levantar um debate sobre a tal Nova Classe Média.
“SOMOS MUITO MAIS POBRES DO
QUE DIZ A PROPAGANDA OFICIAL”
O André
Forastieri, do R7, me deu um presente de Natal. Um argumento definitivo para
acabar com essa falácia da "nova classe média" com que os governos
tentaram nos iludir nos últimos anos.
Simplesmente não
existe a tal classe média "emergente".
E como diz o
André Forastieri no seu blog, "tanto malho e tanto marketing sobre a
ascenção social dos brasileiros mais pobres mascaram uma verdade bem
cruel".
Eu explico. Ou
melhor, o André explica: até hoje, as empresas de pesquisa usavam um modelo
chamado Critério Brasil para classificar os domicílios brasileiros.
Agora, as 180
empresas reunidas na Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep) vão
aposentar esse modelo.
O tal Critério
Brasil se baseava apenas no poder de compra das pessoas.
O novo - para
dizer qual é a minha classe social, ou a sua - inclui 35 indicadores, coisas à
toa, como acesso à rede de água, esgoto, rua pavimentada, nível de educação do
chefe da casa, número de empregados domésticos. Considera também a região do
domicílio.
Afinal, como diz
o Forastieri, vive-se melhor com dois mil reais no interior de Sergipe do que
no Rio de Janeiro.
Não sei, talvez.
O Rio tem a praia, sempre há a possibilidade de se fazer um arrastão, sem falar
nas imensas oportunidades que o tráfico oferece.
Bem, mas vamos
falar de agora. Do hoje...
A partir de
2014, quer queiram, quer não queiram, os principais institutos de pesquisa,
como Ibope, Nielsen, Ipsos e Data Folha, passarão a usar este novo critério.
Forastieri
explica que o novo critério foi desenvolvido por dois professores de marketing,
Wagner Kamakura (da Rice University) e José Afonso Mazzon (da FEA - USP).

No novo modelo,
a parte inferior da pirâmide - as classes C2, D e E - será maior que hoje.
Esta parte mais
pobre do Brasil equivaleria a 58% dos domicílios brasileiros. Pelo critério
atual, seriam 41,4%.
Portanto, apesar
da melhoria de renda indiscutível nos últimos anos, segundo Mazzon, o número de
pobres no país é maior do que se imagina.
Ou seja,
acrescenta: "a nova classe média não é tão grande assim como se costuma
divulgar".
Como se dividem
os domicílios brasileiros, segundo o novo modelo de divisão de classes:
A (2,8% da
população): Renda mensal média do domicílio de R$ 17.603,00
B (3,6%): R$
10.055,00
B2 (15,2%): R%
4.783,00
C1 (20,6%): R$ 2.745,00
C2 (20,6%): R$ 1.463,00
D (22,8%): R$ 1.019,00
E(14,4%): R$ 673,00
Os números
gritam a miséria de um país rico, diz Forastieri.
Pois é. Pena o
governo não enxergar isso. Ou melhor, tentar esconder essa realidade.
Vamos ver outros
indicadores que compõe esse modelo.
Por exemplo:
educação. Abaixo das classes A e B1, despenca o nível educacional.
Rua pavimentada
é luxo para muitos brasileiros. Rede de esgoto só chega a 37,9% da classe D e
9,5% da classe E.

A dupla escreveu
um livro, "Estratificação Socioeconômica e Consumo no Brasil".
No site do André
Forastieri você pode inclusive comprar o livro, ver um resumo dele em 34
slides, e até fazer um teste para verificar a que classe pertence.
O trabalho de
Mazzon e Kamakura foi escolhido o melhor estudo sobre marketing em países
emergentes em 2012 pelo Marketing Science Institute.
Mesmo assim, e
apesar dos professores oferecerem seu trabalho gratuitamente para o governo
federal, ele foi rejeitado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE),
órgão encarregado de pensar em estratégias para o futuro do país. Isso não
importa.
O fato é que
nenhum instituto de pesquisa, nenhuma empresa que queira saber quem está
comprando os seus produtos, nenhum partido político, deixará de experimentar o
novo critério.
Como diz
Forastieri, essa nova visão do Brasil guiará investimentos e ditará
prioridades. De marketing, de produção, de comunicação, etc.
Atualmente nós
vemos um País que conseguiu aumentar a capacidade de consumo de seu povo,
sim, mas onde quase 80% dos domicílios ainda têm renda abaixo de R$ 2.745,00.
E um Brasil que
apesar da nova TV, liquidificador e celular (e abençoados sejam), ainda é um
país de analfabetos ou semi.
E acrescenta
André Forastieri: "O estudo escancara a maneira vergonhosa como são
geridos nosso país, estados e municípios. Explicita o desperdício dos
nossos recursos em estádios, benesses e corrupção".
E vai mais longe: "Joga na nossa cara a nossa própria insensibilidade. Nós, que aprendemos desde cedo a desviar os olhos. Nós, que somos elite só por ter esgoto - e precisamos agora ter a coragem moral de meter a mão na merda".
E vai mais longe: "Joga na nossa cara a nossa própria insensibilidade. Nós, que aprendemos desde cedo a desviar os olhos. Nós, que somos elite só por ter esgoto - e precisamos agora ter a coragem moral de meter a mão na merda".
Nenhum comentário:
Postar um comentário