GOVERNO ADIA A CRISE
ENERGÉTICA PARA 2015
Um tema
aparentemente técnico, mas que mexe diretamente com a vida dos brasileiros,
deve estar presente nos debates do segundo turno da campanha à Presidência da
República: a energia elétrica. Se, por um lado, a candidata do PT, Dilma
Rousseff, deverá lembrar o racionamento de energia de 2001, durante o governo
do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Aécio Neves, do PSDB, deve focar
suas críticas nos problemas atuais do setor, que podem resultar em reajustes na
conta de luz.
Para o
professor de ciência política da Universidade de Brasília (UnB) David
Fleischer, a questão da energia elétrica vai dar um “bate-boca quente” no
segundo turno das eleições. Segundo ele, a tentativa do governo de reduzir a
tarifa de energia resultou em “desastre total” para as distribuidoras. “Todo
esse populismo, o Aécio vai abordar. E, claro, a Dilma vai retrucar com o
apagão que houve no governo FHC”, analisa.
A
Medida Provisória 579, de 2012, promoveu a redução dos preços da energia
elétrica em 20% em média, mas estabeleceu uma série de condições para as
distribuidoras de energia, como a renovação antecipada das concessões que
estavam para vencer.
Segundo
análise do Tribunal de Contas da União, a medida trouxe desequilíbrio nas
contas do setor elétrico, processo agravado pelas chuvas abaixo do normal nos
últimos meses. Com isso, o governo teve que adotar medidas para socorrer as
distribuidoras, como a alocação de recursos do Tesouro e a autorização para
empréstimos no mercado, que deverão ser repassados para os consumidores por
meio da conta de luz.
O
coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) da Universidade
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Nivalde de Castro, acredita que o assunto
deve ser tratado de forma mais técnica durante a campanha.
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O reajuste nas contas de Luz em 2014 superarou a meta da inflação, de 6,5% |
“Não
creio que a questão da política energética em si receba um grande destaque,
porque é algo que tem um embasamento técnico muito grande e possivelmente não
se preste a discussões em campanhas eleitorais, onde se busca muito mais
destacar emoções do que razões”, avalia.
Mesmo
assim, ele acha que tanto o racionamento de 2001 quanto os problemas atuais do
setor podem ser abordados pelos dois candidatos. “Cada um tem os seus
argumentos, a presidenta Dilma tem razão de trazer à tona a questão do
racionamento de 2001, porque ele teve como causa básica a perda da capacidade de
planejamento. E o Aécio, certamente, vai trazer a questão da crise financeira,
que tem uma correlação direta com a crise hidrológica que o país está
passando”, disse.
Em
entrevista à Agência Brasil, Aécio Neves disse que a situação do setor elétrico
brasileiro é trágica. Segundo ele, os recursos aplicados pelo Tesouro nas
distribuidoras de energia poderiam ir para outras áreas, como saúde, educação e
segurança pública.
“Essa
política de usar dinheiro do Tesouro para forçar a queda das tarifas não deu
certo e causou instabilidade ao sistema. O que precisa ser feito é ampliar a
oferta, com o uso de energia eólica, por exemplo, mas só isso não é
suficiente”, disse o candidato.
A
candidata Dilma Rousseff lembrou recentemente, em sua conta no Twitter, o
racionamento de energia ocorrido em 2001, durante o governo do ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso, que é do mesmo partido de Aécio Neves. “O povo
brasileiro não quer de volta aqueles que trouxeram o racionamento de energia”,
disse Dilma.
O
programa de racionamento foi adotado de junho de 2001 a fevereiro de 2002 para
evitar um colapso no abastecimento de energia e atingiu as regiões Sudeste,
Centro-Oeste, Nordeste e parte da Região Norte.
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