CONGRESSO FOI DESCUIDADO
COM O SUPERENDIVIDAMENTO
O Congresso Nacional perdeu o momento certo de
discutir regras que estanquem o superendividamento da população, disse sexta-feira
(18) o presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Roque
Pellizzaro Júnior. Para ele, o mercado regulou-se naturalmente e não há mais
necessidade de rever o Código de Defesa do Consumidor (CDC) nesse aspecto, como
propõe a comissão criada no Senado para modernizar a cartilha.

Na semana passada, os senadores que integram a
comissão especial de revisão do Código de Defesa do Consumidor conheceram a
proposta do relator, Ricardo Ferraço (PMDB-ES), que pode ser o texto final
sobre o tema. Um dos pontos da proposta trata da situação de endividamento dos
consumidores impulsionada pelas facilidades de acesso ao crédito.
No texto, estão regras que estabelecem o
compartilhamento de responsabilidade entre agentes financeiros e consumidores e
obrigam bancos e financeiras a analisar antecipadamente a capacidade de
pagamento do cliente e a fornecer todas as informações sobre as condições do
crédito, como juros e encargos.
Segundo Pellizzaro, o mercado já cumpre as
exigências pelas condições naturais. “Se eu vendo para você acima da sua
capacidade [de pagamento], você não vai me pagar, e eu vou ter que arcar com o
prejuízo. O próprio mercado se ajusta”, disse o economista. Para ele, os
mecanismos para garantir maior segurança às operações de crédito devem
priorizar a concorrência e não precisam estar no CDC.
O representante dos lojistas disse que modelo atual
"não é ruim", mas ressaltou que modalidades como a do crédito
consignado criam distorções, “porque prende o dinheiro antes da pessoa
deliberar o que quer fazer com esse dinheiro”. Segundo ele, foi essa modalidade
que abriu espaço para anúncios de financeiras, veiculados abertamente em
jornais e na televisão, com promessas de crédito fácil, sem exigência de
comprovação de débitos abertos ou de comprometimento com outras operações.
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