GOVERNO PERDEU R$ 42 BI COM
DESONERAÇÕES DESDE JANEIRO
Uma das
principais armas do governo para estimular o consumo e manter o emprego, as
desonerações estão custando cada vez mais ao contribuinte. Segundo a Receita
Federal, o governo deixou de arrecadar R$ 42,087 bilhões nos cinco primeiros
meses do ano com as reduções de tributos. O montante é 46,9% superior ao
registrado no mesmo período do ano passado, quando a renúncia fiscal tinha
chegado a R$ 28,642 bilhões.

A
isenção de tributos federais sobre a cesta básica diminuiu o caixa do governo
em R$ 3,888 bilhões neste ano, contra R$ 1,715 bilhão nos cinco primeiros meses
de 2013. Desde março do ano passado, os produtos da cesta básica não pagam mais
PIS, Cofins e IPI. No
Zerada
desde fevereiro de 2012, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico
(Cide) também está provocando perdas significativas nos cofres federais. O
governo abriu mão de R$ 5,299 bilhões de janeiro a maio com o tributo, que era
cobrado na gasolina e no diesel. A quantia é maior que os R$ 4,784 bilhões
registrados no mesmo período do ano passado. A diferença deve-se ao fato de que
o aumento no preço dos combustíveis faz a Receita Federal deixar de arrecadar
mais em 2014.
Novas
reduções de tributos que não vigoraram na maior parte de 2013 também estão
aumentando os custos das desonerações. A retirada do Imposto sobre a Circulação
de Mercadorias e Serviços (ICMS) da base de cálculo do PIS e da Cofins das
mercadorias importadas fez o governo deixar de arrecadar R$ 1,517 bilhão neste
ano. Anunciada em dezembro do ano passado, a redução a zero do PIS e da Cofins
na importação de álcool puro e naftalina acarretou a perda de R$ 1,480 bilhão.
De
acordo com a Receita Federal, o único tipo de desoneração cujo impacto diminuiu
em 2014 foi a do IPI. De janeiro a maio, o governo deixou de arrecadar R$ 4,706
bilhões com o imposto, queda de 6,4% em relação aos cinco primeiros meses de
2013 (R$ 5,028 bilhões). A recomposição gradual das alíquotas do IPI dos
veículos, dos móveis e da linha branca – fogão, geladeira, máquina de lavar e
tanquinho – é a principal responsável pelo crescimento da receita.
As
desonerações foram uma das responsáveis pela queda real (descontada a inflação)
de 5,95% na arrecadação de maio. Foi a primeira vez no ano em que a arrecadação
federal ficou menor que a do mesmo mês de 2013. (ABr)
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