INFRAERO PISOU
NO FREIO
DEPOIS DA
COPA DO MUNDO
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O aeroporto de Fortaleza ainda tem obras paralisadas |
No
terceiro bimestre, nos meses de maio e junho os investimentos atingiram o ápice
por conta dos gastos com o Mundial, na casa dos R$ 308,2 milhões. No bimestre
seguinte (julho e agosto) caíram para R$ 248,2 milhões. Já no bimestre de
setembro e outubro, os valores diminuíram mais uma vez, caindo para R$ 225,6
milhões. A queda dos investimentos a partir do segundo semestre, influenciou o
desempenho geral da estatal em 2014. Entre janeiro e outubro as aplicações da
Infraero caíram em relação ao mesmo período do ano passado.
Em 2013,
do R$ 1,6 bilhão dotado, cerca de R$ 1,2 bilhão foi gasto nos dez primeiros
meses do ano, ou seja, execução de 74,3%. Este ano, dos R$ 1,7 bilhão
disponíveis apenas R$ 1,1 bilhão foi gasto, ou 69,1%. O levantamento do Contas
Abertas foi realizado na Portaria nº 28, 28 de novembro de 2014, publicada no
Diário Oficial da União. Os valores foram atualizados pelo IGP-DI, da Fundação
Getúlio Vargas. Os dados são do Departamento de Coordenação e Governança das
Empresas Estatais, do Ministério do Planejamento.
De acordo
com a estatal, em 2013 estavam em andamento grandes empreendimentos, bem como a
aquisição de diversos veículos e equipamentos operacionais e de segurança que
seriam utilizados nos aeroportos, com destaque para os terminais localizados
nas cidades-sede da Copa do Mundo. A empresa ainda afirmou que a execução de
2014 é satisfatória, já que este ano foram rescindidos contratos importantes
como os das obras de Fortaleza e de Florianópolis. “Cabe destacar que o
planejamento da Infraero é realizar o máximo dos montantes previstos na LOA
para 2014”.
Apesar do
esforço pré-copa, de acordo com o Tribunal de Contas da União, metade das obras
previstas nos aeroportos para Copa do Mundo ainda não está pronta. De um total
de 26 obras programadas para o Mundial, 12 ainda estão incompletas. Esses
empreendimentos não terminaram, mesmo com os gastos tendo aumentado 60%. A
conta para essas obras passou de R$ 2,6 bilhões para R$ 4,4 bilhões.
Os
problemas foram encontrados até em aeroportos privatizados antes da Copa. O TCU
apontou que o aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, não ganhou o terminal e
a área de desembarque previstos. Menos de 4% do projeto foi executado. A obra
do aeroporto de Fortaleza, foi outra que quase não andou: 16% de tudo que
estava previsto foi realizado. Em Belo Horizonte, menos da metade da pista de
pouso do sistema de pátios está pronta.
Essas são
as situações consideradas críticas pelo Tribunal de Contas da União. Nos
aeroportos de Cuiabá, Rio de Janeiro, Curitiba, Manaus e Salvador também foram
encontrados problemas. As empresas contratadas devem ser substituídas, por
falta de cumprimento de contrato. Já nos aeroportos que foram privatizados
antes da Copa, como Viracopos, em Campinas, em que a obra só ficou pronta agora
em outubro, com atraso, a empresa será multada pela Agência de Aviação Civil.
No de Guarulhos, em São Paulo, e no de Brasília, o cronograma de investimentos
não foi rigorosamente cumprido.
Na
comparação com o mesmo período em uma série histórica de 14 anos, 2006 foi o
ano com maior valor investido percentualmente, 80,8% pela estatal. Em seguida,
foi 2013, com 74,3%. Em termos gerais, a Infraero chegou a usar parte da
receita em investimentos em quatorze anos em torno dos 8,6% (menor valor em
2008) e 80,8% (maior valor). Já ao comparar por dotação anual, a estatal apenas
entrou na casa dos bilhões em 2007, com a reserva de R$ 1,9 bilhão. Nos anos
seguintes não saiu mais desse patamar, mesmo com os altos e baixos
demonstrados. Logo no ano seguinte, em 2008, paradoxalmente ou não, com a crise
que marcou o período, a dotação subiu nas alturas, com seu maior valor em 14
anos, de R$ 3 bilhões. Mesmo assim, a ideia de investir mais, ao que parece,
não deu muitos frutos, demonstrando o pior percentual, de 8,6%, ou R$ 265,2
milhões.
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