DEPOIS
DA FAXINA DNIT E VALEC
ACELERAM
OS INVESTIMENTOS
As duas
unidades com maior aporte orçamentário vinculadas ao Ministério dos
Transportes, a Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S.A. (Valec) e o
Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) aumentaram os
investimentos neste ano. Passados os primeiros nove meses, houve acréscimo de
R$ 440,2 nas aplicações da Valec e de R$ 2,1 bilhões do Dnit, quando comparados
ao mesmo período do ano passado.
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Juquinha teve os bens bloqueados pela Justiça |
O Dnit
é a unidade orçamentária do Ministério dos Transportes que costuma ter as
maiores dotações destinadas a investimentos. Em valores constantes, já
atualizados pela inflação, a previsão inicial neste ano (R$ 12,5 bilhões) foi
menor em R$ 1,9 bilhões do que a do ano passado (R$ 14,4 bilhões). Entretanto,
considerado o que já foi aplicado até setembro, 2014 poderá ter crescimento
efetivo dos investimentos. Até então, o Dnit já desembolsou R$ 7,6 bilhões para
obras e compra de equipamentos (61,4% do total previsto). No mesmo período do
ano passado, o montante foi de R$ 5,5 bilhões (38,6% do total previsto). Sendo
assim, houve alta de R$ 2 bilhões de um ano para o outro.
Já a
Valec, segunda unidade orçamentária com maior previsão de dispêndios, programou
investimentos para este ano bem superiores aos de 2013. As aplicações em obras
e aquisição de equipamentos foram previstas em R$ 2,6 bilhões, já R$ 679,2
milhões maior do que a do ano passado. Além das previsões, o que foi realmente
executado também indica crescimento, embora com redução no percentual de
execução. Para os primeiros nove meses deste ano, já foram aplicados R$ 1,8
bilhão (70,4% do total previsto) e, no mesmo período do ano passado, dos R$ 1,9
bilhões previstos, apenas R$ 1,3 bilhões foram executados (72,3% do total).
Corrupção e “faxina ética”
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O Dnit tem muitas obras inacabadas |
Apesar
deste ano o crescimento das aplicações estar maior do que as do ano passado,
foi em 2013 que as empresas públicas voltaram a ter fôlego para investir. Em
2012, a Valec apresentou seu pior desempenho, após suspensão de todos os
processos de licitação e contratação por vários meses, quando o Ministério dos
Transportes estava em crise. Além disso, em 2011, o então presidente da Valec,
João Francisco das Neves, conhecido como “Juquinha”, foi afastado da empresa
após denúncias de irregularidades. Em dezembro do ano retrasado, a Justiça
Federal decretou a indisponibilidade dos bens de Juquinha, por suposta fraude
de R$ 71 milhões em contrato para a construção da chamada Ferrovia Norte-Sul,
firmado pela estatal.
Também
em 2011, o Dnit foi apontado como um dos colaboradores dos atos de corrupção
que envolviam o Ministério dos Transportes, o que resultou, inclusive, na troca
do então ministro, Alfredo Nascimento, e na saída de 27 funcionários da Pasta.
Entre os funcionários demitidos, também estava o então diretor do departamento,
Luiz Antônio Pagot, suspeito de participar de um esquema de pagamentos de
propinas em contratos da área de transporte e de beneficiar o partido dele, o PR.
Após a
“faxina ética”, o Dnit enfrentou momento de austeridade, pois teve que optar
por medidas de controle mais rígidas, que diminuíram o desempenho de
contratações e pagamentos. O Ministério dos Transportes informou que tanto o
Dnit quanto a Valec vêm trabalhando dentro o planejamento proposto para o ano
corrente. Segundo ele, o bom desempenho das entidades está vinculado ao
trabalho eficiente das equipes técnicas, concluindo, inclusive, licitações
importantes relativas a manutenção de trechos rodoviários. Quanto aos atos de
corrupção ocorridos em 2011, a Pasta afirmou que adotou medidas e saneamento
administrativo naquele ano para superar as dificuldades.
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