EM 13 ANOS, O GOVERNO DEIXOU DE
APLICAR
R$ 131 BILHÕES NA SAÚDE
![]() |
Os hospitais estão caindo aos pedaços |
O
Ministério da Saúde deixou de aplicar cerca de R$ 131 bilhões no Sistema Único
de Saúde (SUS) desde 2003. O valor é quase equivalente ao que Estados e
municípios gastaram no setor durante todo o ano passado – cerca de R$ 142
bilhões. A conclusão é o do Conselho Federal de Medicina (CFM). Segundo a
instituição, os dados revelam em detalhes os resultados da falta de qualidade
da gestão financeira em saúde. No período apurado, pouco mais de R$ 1 trilhão
foi autorizado para o Ministério da Saúde no Orçamento Geral da União (OGU). Os
desembolsos, no entanto, ficaram em R$ 891 bilhões. Já em 2013, apesar do maior
orçamento já executado na história da pasta – quase R$ 93 bilhões –, o valor
efetivamente gasto representou 88% do que havia sido previsto. Neste ano, até
outubro, dos R$ 107,4 bilhões autorizados, R$ 80 bilhões haviam sido usados.
Para o
presidente da CFM, Carlos Vital, a administração dos recursos da saúde tem sido
preocupação recorrente dos Conselhos de Medicina, pois a qualidade da gestão
tem impacto direto na assistência da população e na atuação dos profissionais.
![]() |
Os médicos denunciam que cerca de 13 mil leitos foram desativados pelo SUS no atual governo |
“A
população brasileira tem o direito de saber onde, como e se os recursos que
confiamos aos governos estão sendo bem aplicados. No caso da saúde, isso é
ainda mais proeminente, tendo em vista as dificuldades de infraestrutura que
milhares de pacientes, médicos e outros profissionais de saúde enfrentam todos
os dias”, declarou Vital.
Para
dar a dimensão do problema, o presidente do CFM cita que, com R$ 131 bilhões,
seria possível construir 320 mil Unidades Básicas de Saúde de porte I
(destinada e apta a abrigar, no mínimo, uma Equipe de Saúde da Família),
edificar 93 mil Unidades de Pronto Atendimento de porte III (com capacidade de
atender até 450 pacientes por dia) ou, ainda, aumentar em quase três mil o
número de hospitais públicos de médio porte.
![]() |
O Hospital de Bonsucesso está há mais de 10 anos em reforma |
Em
nota, o Ministério da Saúde afirmou que cabe à União a aplicação do valor
destinado ao orçamento no ano anterior mais a variação nominal do PIB.
“Portanto, não existe redução nos recursos investidos em saúde ano a ano por
parte do Ministério da Saúde”, ressaltou. De acordo com a Pasta, nos últimos
dez anos, os recursos totais empenhados pela pasta alcançaram a média anual de
99%”, apontou.
Entre
janeiro e julho deste ano, o Ministério da Saúde empenhou 67% do valor total
disponível para investimentos (R$ 6,4 bilhões) autorizados para 2014. Cabe
ressaltar que no valor considerado “disponível” pela Pasta estão excluídas as
emendas parlamentares, que constam no Orçamento Geral da União, aprovado no
Congresso Nacional. Comparação com outros países
“Apesar
dos avanços do SUS, um de seus grandes desafios é aumentar o financiamento. O
Brasil é o único país do mundo que tem uma rede de saúde pública universal e,
ao mesmo tempo, vê o mercado privado e as famílias gastarem diretamente mais
dinheiro do que o Estado”, disse Vital.
Aqui, o
gasto público representa 45,7% do total aplicado em saúde, o que, segundo o
representante dos médicos, contraria o que acontece em muitos países de
sistemas semelhantes ao brasileiro, onde a média de investimento público supera
70%. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que, historicamente,
entre os países com sistema universal de saúde, o Brasil aparece com o menor
percentual de participação do setor público (União, estados e municípios) no
investimento per capita em saúde. Na Inglaterra, por exemplo, o investimento
público em saúde é cinco vezes maior que no Brasil.
Nenhum comentário:
Postar um comentário