quinta-feira, 28 de novembro de 2013

TRANSPORTE PÚBLICO NÃO
ESTÁ NA ÓTICA DO GOVERNO 
Em palestra sobre mobilidade urbana promovida pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio, o professor de Engenharia Urbana e Ambiental da PUC-Rio, Fernando Mac Dowell, apontou a falta de visão sistêmica como o principal problema do transporte público do Rio de Janeiro. A compra de sete embarcações, com capacidade para dois mil lugares, para o transporte de passageiros pela Baía de Guanabara foi citada como exemplo pelo especialista. "O que será feito para absorver os novos usuários que chegarem de Niterói à Praça XV? Não há sequer uma estação de metrô por perto".
Outro exemplo citado por ele é a extensão do metrô para a Barra da Tijuca.
 Segundo o professor, não haverá ônibus suficiente para atender às pessoas que chegarem à estação. "Em horários de pico, oito mil pessoas vão chegar, por hora, à nova estação da Barra. Seriam necessários 65 ônibus por hora", alertou. Mac Dowell também manifestou preocupação com a superlotação da linha 2 do metrô.
"Até 2038, a estação Pavuna não suportará a demanda. A taxa chega a oito pessoas por metro quadrado em horário de pico", disse ao lembrar que a média mundial é de seis pessoas por metro quadrado. "O metrô não pode ser o indutor de custo social, aumentando as despesas com saúde pública. O benefício tem que ser mais importante que o valor da tarifa", acrescentou, referindo-se aos problemas de saúde decorrentes da grande concentração de pessoas em espaços fechados.
Para desafogar as estações, o professor da PUC-RJ propôs a redução de tarifas em horários alternativos: "Não temos, por exemplo, até hoje, metrô de madrugada". O professor da PUC também criticou o encarecimento das tarifas do metrô nas últimas décadas na capital fluminense. Segundo ele, em 1983, um salário mínimo bancava 577 viagens por mês. Em 2010, apenas 189. Em sua exposição, Mac Dowell criticou ainda o excesso de paradas nas estações do BRT. "As viagens deveriam ter continuidade", disse.
A diretora-geral da Escola de Contas e Gestão do TCE-RJ, Paula Alexandra Nazareth, informou que o tema mobilidade urbana foi escolhido pelos próprios servidores do Tribunal após uma consulta pela intranet. "Este é um tema da maior relevância, pois está relacionado à inclusão social. O Estado precisa garantir serviços públicos de qualidade a todos os cidadãos", afirmou. Segundo ela, o cidadão que demora duas horas para chegar em casa não tem tempo de estudar, de se aprimorar, de melhorar de vida.  "A qualidade de vida dos cidadãos dentro das cidades têm que estar na ordem do dia de todos os governantes ", acrescentou.
Essas e outras questões que interferem diretamente na vida dos cidadãos cariocas fizeram parte do seminário ‘Mobilidade Urbana' realizado na tarde desta sexta-feira (22/11) no auditório do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), através do Projeto Tardes do Saber da Escola de Contas e Gestão.  
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