terça-feira, 7 de janeiro de 2014

 BRASIL TAMBÉM PODERÁ 
EXPORTAR PRESIDIÁRIOS
Às vésperas do Natal, enquanto o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos cobrava a intervenção do Governo para impedir o fechamento de uma linha de montagem da GM – medida que fora anunciada pela montadora há um ano – uma rede de lojas especializada em roupas masculinas anunciava, num grande jornal do Rio de Janeiro, uma curiosa promoção: a venda por R$ 79,00 de camisas do tipo polo produzidas...no Peru.
E o exótico anuncio não produziu a menor reação quer da Firjan – Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro – quer do Sindicato dos empregados na indústria têxtil local, ou similares de outros Estados, atrelados ao Governo através das verbas generosas e a fundo perdido do FAT - Fundo de Amparo ao Trabalhador – sustentado com recursos do FGTS para a promoção de “cursos de reciclagem profissional”. O mesmo silêncio se verificou por patê dos sindicatos dos trabalhadoras da Indústria do Petróleo, que até hoje não se manifestaram sobre a política do Governo de incentivar o uso da gasolina – agora importada dos Estados Unidos e outros países – em detrimento do etanol “Made in Brazil”, que gera milhares de empregos e renda através da indústria alcooleira de diversos estados, ajudando na distribuição de renda, enquanto a importação de gasolina, diesel e óleo combustível gera desemprego e  afeta a balança comercial do País, que fechou 2013 com um saldo pífio de pouco mais de 2 bilhões de dólares.
Em pleno Século XXI, enquanto o Governo abre uma guerra contra os EE. UU. em torno da espionagem via operadoras de telefonia instaladas no Brasil, voltamos a ser um País essencialmente agrícola e exportador de produtos primários – minério de ferro e manganês, frutas, proteína animal (frango, suínos e bovinos) – tal e qual durante a II Guerra Mundial, mas importando brinquedos e até calçados e alimentos como o feijão e o arroz, que antes eram destaques na pauta de exportação do País.
Até os eletroeletrônicos produzidos no País são montados com peças “Made in China” ou um outro país da Ásia, onde o trabalhador cumpre o mesmo regime dos escravos no Brasil colonial – de sol a sol – o que resulta na exportação de empregos que antes eram gerados aqui, com os efeitos de uma economia dependente do exterior, pois os preços do produtos exportados pelo País, até o petróleo, não definidos pelas grandes corporações, que atuam no ramo das “comodities”, como minério, petróleo, soja, milho e até café.
Com uma economia dependente do (mal) humor do mercado internacional, com suas próprias regras e sanções, o Brasil, a exemplo da velha Kombi, está sendo ultrapassado por pequenos países, que não tem petróleo, mas investem em Educação de qualidade, em Saúde para a sua população, em saneamento básico, reduzindo, a cada ano, a distância que os separa do padrão de países como a Suécia que, segundo o jornal The Guardian,  passa por uma drástica queda no número de prisões nos últimos dois anos e, por esse motivo, as autoridades decidiram fechar quatro penitenciárias e um centro de detenção, Segundo a reportagem do jornal britânico "Vemos um declínio extraordinário no número de detentos. Agora temos a oportunidade de fechar parte de nossa infraestrutura", disse Nils Oberg, diretor de Serviços Penitenciários do país.
Talvez aí esteja a saída para a superlotação de presídios no Rio, São Paulo, Rio Grande do Sul e Maranhão: que tal exportarmos os nosso condenados? A Suécia fica um pouco longe, mas seus presídios estão léguas de distância de Bangu, Papuda e Mangueirinha.

(Publicado na edição desta terça-feira (7) do jornal “Capital Mercado & Negócios - www.jornalcapital.jor.br
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