RENOVAÇÃO DA CÂMARA
DOS
DEPUTADOS SUPERA OS 40%
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O perfil da nova Câmara ficará mais conservador |
Independentemente do resultado final das eleições para a
Presidência da República, qualquer dos eleitos deve enfrentar dificuldades para
aprovar propostas na Câmara dos Deputados, principalmente as relacionadas às
reformas e a direitos de segmentos mais vulneráveis da sociedade. Nas urnas, os
eleitores acabaram optando por renovar mais de 40% dos deputados federais.
Nesse universo, incluíram seis novos partidos na Casa. A partir de janeiro de
2015, as atuais 22 legendas representadas por parlamentares passarão a ser 28.
“Houve uma pulverização partidária e a governabilidade
ficará mais difícil”, explicou o analista político Antônio Augusto de Queiroz,
diretor de Documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar
(Diap). “Os grandes partidos encolheram, especialmente PT e PMDB, e houve
crescimento de pequenas e médias legendas. Isso obrigará o futuro presidente da
República a negociar com eles, que não se pautam por questões programáticas ou
ideológicas”, alertou.
Com as votações nos estados, o PT continua tendo a maior bancada na Câmara, com 70 deputados, mas perdeu assentos. Na atual legislatura, o partido tem 88 parlamentares. O PMDB também teve a bancada reduzida, passando dos atuais 71 para 66 deputados. Entretanto, permanece como o segundo mais representado na Casa. O PSDB aumentou de 44 para 54 o número de parlamentares na Câmara.
Com as votações nos estados, o PT continua tendo a maior bancada na Câmara, com 70 deputados, mas perdeu assentos. Na atual legislatura, o partido tem 88 parlamentares. O PMDB também teve a bancada reduzida, passando dos atuais 71 para 66 deputados. Entretanto, permanece como o segundo mais representado na Casa. O PSDB aumentou de 44 para 54 o número de parlamentares na Câmara.
A força das pequenas e médias legendas ocorrerá no caso
de alianças. Partidos novos, criados depois das eleições de 2010, como
Solidariedade, PROS e PEN, elegeram, respectivamente, 15, 11 e dois deputados
federais. Entre as pequenas bancadas, também estão incluídos PDT, com 19
parlamentares, e PRB, com 20. “Se formam uma aliança, superam os grandes com
facilidade. A consequência é que a possibilidade de reformas, principalmente a
Reforma Política, fica reduzida, porque esses partidos podem entender que serão
prejudicados, impedidos de se eleger nas próximas eleições”, avaliou Queiroz.
Na opinião do analista, outro aspecto, que pode ser avaliado como má notícia, é
o perfil de grande parte dos novos deputados.
“Alguns são pastores evangélicos, apresentadores de televisão, especialmente de programas policialescos, ou parentes de políticos famosos [mais de 70 deputados]. Isso tornará o próximo Congresso mais conservador”, afirmou Antônio Augusto. Lembrou a eleição de nomes como o de Celso Russomano (PRB-SP), deputado federal mais votado do Brasil, com mais de 1,5 milhão de votos, e Jair Bolsonaro (PR), defensor da ditadura militar, que teve 461 mil votos e foi o deputado federal mais votado do Rio de Janeiro.
Outro exemplo é o caso do pastor Marco Feliciano. Depois do período polêmico à frente da Comissão de Direitos Humano da Câmara, obteve quase o dobro dos votos conquistados nas eleições de 2010, somando no pleito de domingo (5) 392 mil votos.
Queiroz salientou que, caso as previsões sejam confirmadas, propostas sensíveis como aborto, maioridade penal e direitos de lésbicas, gays, bissexuais e travestis (LGBT) correm o risco de paralisação. “Houve esse expressivo crescimento de setores mais conservadores e uma redução da bancada ligada aos movimentos sociais. Partidos de esquerda perderam mais deputados desses setores sociais. Embora representativa, a renovação não é, necessariamente, qualitativa”, assinalou.
“Alguns são pastores evangélicos, apresentadores de televisão, especialmente de programas policialescos, ou parentes de políticos famosos [mais de 70 deputados]. Isso tornará o próximo Congresso mais conservador”, afirmou Antônio Augusto. Lembrou a eleição de nomes como o de Celso Russomano (PRB-SP), deputado federal mais votado do Brasil, com mais de 1,5 milhão de votos, e Jair Bolsonaro (PR), defensor da ditadura militar, que teve 461 mil votos e foi o deputado federal mais votado do Rio de Janeiro.
Outro exemplo é o caso do pastor Marco Feliciano. Depois do período polêmico à frente da Comissão de Direitos Humano da Câmara, obteve quase o dobro dos votos conquistados nas eleições de 2010, somando no pleito de domingo (5) 392 mil votos.
Queiroz salientou que, caso as previsões sejam confirmadas, propostas sensíveis como aborto, maioridade penal e direitos de lésbicas, gays, bissexuais e travestis (LGBT) correm o risco de paralisação. “Houve esse expressivo crescimento de setores mais conservadores e uma redução da bancada ligada aos movimentos sociais. Partidos de esquerda perderam mais deputados desses setores sociais. Embora representativa, a renovação não é, necessariamente, qualitativa”, assinalou.
Dos eleitos, 198 deputados exercerão mandato pela
primeira vez e 25 já tiveram assento no Congresso e novamente foram eleitos.
Nesse grupo, oito ex-deputados tentaram, em 2010, se eleger a outros cargos.
Entre eles, Celso Russomano, Alberto Fraga (DEM-DF), José Carlos Aleluia
(DEM-BA), Patrus Ananias (PT-MG) e Indio da Costa (PSD-RJ). Também
ex-deputados, Leonidas Cristino (PROS-CE) e Odelmo Leão (PP-MG) estavam no
comando de prefeituras. Ocupavam outros cargos o senador Jarbas Vasconcelos
(PMDB-PE), João Castelo (PSDB-MA) e o atual vice-governador da Paraíba, Rômulo
Gouveia (PSB)
Os resultados divulgados pela Justiça Eleitoral ainda
podem ter modificações. A conclusão depende do julgamento de candidaturas
analisadas pela Lei da Ficha Suja, como é o caso do deputado federal Paulo
Maluf (PP-SP). (Com Agência Câmara)
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