quarta-feira, 3 de junho de 2015

SENADO RECONHECE GENOCÍDIO
TURCO CONTRA OS ARMÊNIOS
 Foi aprovado em Plenário, nesta terça-feira (2), voto de solidariedade ao povo armênio no centenário da campanha de extermínio de sua população, crime atribuído ao governo turco, que à época integrava o Império Otomano, que dominava a região.
Ao aprovar requerimento dos senadores Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) e José Serra (PSDB-SP), o Senado prestou uma homenagem às vítimas e reconhece a contribuição para a formação econômica, social e cultural do Brasil de milhares de brasileiros descendentes de refugiados armênios.
Aloysio ressaltou ser necessário que a Turquia reconheça o crime de genocídio cometido no passado e que possa estabelecer um diálogo produtivo com a Armênia de hoje, que possa apontar para um futuro de cooperação e de bom entendimento entre esses dois países.
– Mas que signifique também o respeito à vida, o respeito à diversidade e o compromisso de que isso nunca mais se repita – afirmou o senador.
O genocídio teve início em 24 de abril de 1915, durante a 1ª Guerra Mundial, e se estendeu por dois anos. Em dezenas de cidades do Império Turco-Otomano, onde conviviam pacificamente famílias de diferentes etnias, toda a população armênia masculina foi reunida à força, executada e empilhada em vales e cursos d'água.
Famílias inteiras foram amarradas e jogadas vivas nos rios, com um de seus membros morto a tiros, levando todos os demais ao afogamento. Estima-se que pelo menos 1,5 milhão de armênios tenham sido assassinados.
Parte da deportação se fez em trens de carga destinados ao transporte de gado. Nas centenas de quilômetros percorridos pela população feminina, a maioria a pé, grande parte das deportadas morreu de inanição ou de doença e as demais foram executadas.
As razões invocadas para o massacre foram principalmente a alegada traição dos armênios, que teriam colaborado com o exército russo no início da guerra, a necessidade de limpeza racial para converter a Turquia, então multirracial, em uma nação uniformemente turca, e o fato de os armênios serem geralmente mais educados e mais ricos do que o restante da população.
O requerimento de Aloysio Nunes foi assinado por 55 senadores e a iniciativa saudada por vários líderes partidários em Plenário. O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) lamentou que esse crime seja pouco lembrado.
— Hoje, na Turquia, onde residem armênios, nem sequer é possível citar esse genocídio — disse.
Aloysio Nunes pediu ainda que conste dos anais da sessão plenária artigo de José Serra, publicado no jornal Folha de S. Paulo em 24 de abril de 2009, intitulado Nenhum genocídio deve ser esquecido.
Em seguida, o próprio Serra leu em Plenário o último parágrafo do seu artigo.

— Todos devem ser lembrados, seus responsáveis execrados, suas causas e motivações sempre pesquisadas e analisadas, suas brutalidades reconstituídas, suas vítimas homenageadas. Nunca esquecer para que não volte a acontecer — leu o senador. Agência Senado (Com a Agência Senado)
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