GOVERNO NÃO INVESTE EM OBRAS
CONTRA OS DESASTRES NATURAIS
Mais uma vez, o Grande Rio
parou por conta de um temporal. Um levantamento divulgado pelo portal ‘Conas
Aberas” no dia 29 de outubro revelava, porém, que o programa do orçamento federal
“Gestão de Riscos e Resposta a Desastres”, relacionado diretamente com a
prevenção e resposta para esses casos, desembolsara apenas a metade do total de
R$ 5,2 bilhões autorizados para 2013. À época do levantamento, o percentual
equivalia a R$ 2,8 bilhões aplicados até o dia 23 daquele mês. Se a execução
orçamentária do programa fosse regular durante o ano, cerca de R$ 4,4 bilhões
já deveriam ter saído dos cofres públicos para as ações. O percentual
corresponderia a 83,3% da previsão orçamentária.
O programa engloba seis
ministérios: Ciência e Tecnologia, Integração Nacional, Defesa, Meio Ambiente,
Minas e Energia e Cidades. São 31 ações de apoio a sistemas de drenagem urbana,
implantação de centros de monitoramento e alerta, contenção de cheias e mapeamento
de risco.
O Ministério das Cidades,
segundo maior em termos de recursos (R$ 1,5 bilhão) do “Gestão de Riscos e
Resposta a Desastres” , é responsável pelas grandes obras do setor. A ação
“Apoio a Sistemas de Drenagem Urbana Sustentável e de Manejo de Águas Pluviais
em Municípios com População Superior a 50 mil Habitantes ou Integrantes de
Regiões Metropolitanas ou de Regiões Integradas de Desenvolvimento Econômico”,
por exemplo, está sob sua coordenação.
A iniciativa visa construir
infraestruturas de contenção, urbanização, recuperação ambiental, macro e
microdrenagem e de reuso das águas pluviais. Além disso, os recursos deveriam
ser usados para a ocorrência do escoamento regular das águas pluviais e
prevenir inundações, proporcionando segurança sanitária, patrimonial e
ambiental. Para a ação foram aplicados 49,1% da previsão de R$ 1,1 bilhão
dotado no orçamento.
Para Edmildo Moreno Sobral,
especialista em planejamento e gestão em Defesa Civil, as iniciativas estão
apenas no papel e não existe cobrança efetiva. “O Sistema Nacional de Proteção
e Defesa Civil é uma utopia e um dos entraves é a falta de recursos humanos
treinados e capacitados para atuarem na prevenção e preparação da população,
principalmente a mais vulnerável. Tudo o que tem início em termos de políticas
de prevenção muda a cada 4 anos com as mudanças de governos”, explica.

O resultado de tanta incúria
do Poder Público é que a maioria dos sobreviventes das vítimas das chuvas de
2009 (Angra dos Reis), 2010 (Morro do Bumba, em Niterói) e 2011 (Região Serrana
do Rio de Janeiro) continua morando em áreas de risco ou casa ade parentes. A
única exceção a essa regra estúpida é Duque de Caxias, onde o prefeito
Alexandre Cardoso, usando as suas excelentes relações com o Governo Federal,
conseguiu em tempo recorde pagar o aluguel social e entregar parte das casas
prometidas para s vítimas das chuvas que afetaram Xerém em janeiro último.
As prometidas novas casas nas
demais áreas, porém, não saem do papel. Para o vice-governador Luiz Fernando
Pezão, a responsabilidade por tal atraso em providências urgentes é a lei de
licitações, que estabelece prazos para as concorrências públicas, e a falta de
terrenos seguros nas áreas afetadas.
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