CULTURA – BOM NEGÓCIO PARA POUCOS
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
– o Iphan – acaba de anunciar o projeto que irá transformar as “Folias de Reis”
em patrimônio imaterial, o que, em princípio, seria uma forma de amparar os
poucos grupos que ainda restam na realização desses festejos tipicamente
populares, vindo de Portugal, mas que ali foram introduzidos pelos Mouros,
durante o período em que a Península Ibérica (Portugal e Espanha) ficou sob o
domínio dos árabes (711-1.031), conforme revelou o folclorista Edson Carneiro (1912-1972)
numa
palestra realizada no Clube dos Quinhentos em 1956, promovida pelo Centro de
Cultura Caxiense, que tinha entre seus fundadores os saudosos pintor e poeta
Barboza Leite e o artista plástico Antônio Pacot.


Ocorre que, ao contrário das Escolas de Samba,
sustentadas pelos banqueiros do jogo do bicho, dos circos e até de bandas de
rock, as “Folias” não tem patrocínio, quer do Poder Público, quer das empresas,
pródigas em descontar do Imposto de Renda uma parcela para ser investida em
Cultura – inclusive na produção de shows com ingressos caríssimo nas maiores
casas de espetáculos do País.
Em declarações publicadas por um jornal da Capital, o
representante da “Flor do Oriente”, Rogério Silva de Morais, lembra que o grupo
de 30 pessoas que consegue manter viva e atuante a “Flor do Oriente”, tem que
contribuir do próprio bolso para a manutenção de instrumentos e confecção das
fantasias.
“Às vezes, a gente consegue uma ajuda de custo para as
apresentações, mas é muito difícil” explica Rogério.
A última apresentação pública das “Folias”, no Rio de
Janeiro, é realizada no dia 20 de janeiro, data consagrada a São Sebastião. A
“Festa do Arremate” reúne diversos grupos para a apresentação final, num grande
congraçamento, ao contrário do que ocorria no período colonial. Em janeiro de 2005, por exemplo, faltou
combustível para o ônibus da Secretaria de Cultura do município transportar as
“Folias” que iriam participar da “Festa do Arremate” em Xerém, onde morava o
prefeito da época.
Em Duque de Caxias, o ator e animador cultural Edgar de
Souza, (que chegou a ser preso durante a Ditadura), com ajuda do então governador Marcello Alencar, criou e manteve, até a
sua more, em maio de 2011, a Federação de Reisados do Estado do Rio de Janeiro,
que promovia as apresentações em todo o Estado das Folias na época natalina e a
festa do Arremate, no dia 20 de janeiro. Depois da sua morte, as Folias ficaram
órfãs, pois não rendem votos ou prestígio político para futuros governantes.
Pelo visto, a Iphan chegou um pouco tarde para salvar o que Portugal deixou de
bom na antiga colônia.(Texto publicada nesta terça-feira (14) no jornal "Capital, Mercados & Negócios)
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