domingo, 5 de abril de 2015

MORADORES DO COMPLEXO DO
ALEMÃO PEDEM PAZ E JUSTIÇA 
Centenas de moradores do conjunto de favelas do Complexo do Alemão fizeram um protesto pacífico no final da manhã deste sábado (4), caminhando pelas avenidas Itararé e Itaoca, para pedir paz na comunidade e justiça pela morte do menino Eduardo de Jesus, de 10 anos. O garoto foi atingido na quinta-feira (2) por uma bala perdida, na porta de casa. Os moradores acusam a Polícia Militar (PM) de fazer o disparo, mas o comando da corporação ainda está investigando o fato.
Carregando cartazes, pedaços de tecido e balões brancos, os moradores partiram da localidade conhecida como Grota e seguiram até a praça principal do bairro de Inhaúma, do outro lado da comunidade.  Durante todo o trajeto, eles foram seguidos de perto por dezenas de policiais militares, que não intervieram no protesto. Em alguns momentos mais tensos, as pessoas vaiaram veículos da PM, principalmente da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) e o blindado conhecido como Caveirão.
A mãe de Eduardo, a diarista Terezinha Maria de Jesus, participou do início do ato, mas teve de ser retirada, ao se descontrolar e passar mal. Ela culpou a PM pela morte do filho. "Eles estão matando os inocentes. Essa polícia assassina tirou a vida do meu filho. Esses covardes", protestou Terezinha.
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa (Alerj), deputado Marcelo Freixo (PSOL), esteve no protesto e questionou a política de segurança do governo do estado. "Tem que ter uma solução para isso, porque estamos falando da vida das pessoas. O primeiro passo é ouvir os moradores. Isso nunca aconteceu, nem para construir o teleférico nem para pensar em um modelo de polícia. É preciso parar com o discurso da guerra. Tem que ter diálogo", disse.
O líder comunitário Rene Silva, criador do jornal Voz da Comunidade, citou o aumento da violência como a principal causa do protesto: "O motivo da manifestação é a insatisfação das pessoas com essa violência, que já está desde o início do ano aqui no complexo. Estamos há 90 dias sem deixar de ouvir tiroteios. A solução não é reforçar o policiamento. Passa por investimento em outras áreas, que não chegaram com a mesma força que a polícia chegou na comunidade, como as áreas cultural e social".
O presidente da Associação de Moradores da Palmeira, Marcos Valério Alves, conhecido como Marquinho Pepé, fez questão de ressaltar que o ato não era contra a polícia, mas sim pela paz e pelo respeito mútuo. "O nosso objetivo é pela paz e pela vida. Não somos contra a UPP. Só queremos policiais comprometidos com a vida. Queremos um comandante que chame a população para conversar, que haja o diálogo. Nós queremos o nosso direito de ser respeitados. Hoje não existe nem respeito nem tolerância dentro do Alemão", disse Pepé.
Por meio de nota publicada sexta-feira (3), o governador Luiz Fernando Pezão informou que todas as despesas com o traslado e sepultamento do corpo do menino Eduardo para o Piauí, terra natal da família, serão pagas pelo estado. Pezão também se disse profundamente consternado com o caso e garantiu que a morte do garoto não ficará impune.
Os policiais envolvidos na ocorrência foram afastados das ruas e estão respondendo a um inquérito policial militar (IPM). As armas deles foram recolhidas e passarão por exame balístico.

Na estatística realizada pela Bloger, a matéria mais procuradas neste blog na semana passada foi justamente as duas postagens (domingo e segunda) sobre os 10 anos da Chacina da Baixada, ocorrida na madrugada de 31 de março de 2005, que resultou na morte de 29 jovens moradores de Queimados e Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A 30ª vítima só sobreviveu porque se fingiu de morta. A chacina foi praticada por um gruo de PMs lotados na região, irritados pela prisão efetuada peal Polícia Civil de cerca de 70 PMs lotados na região, suspeitos de homicídio, extorsão e participação em milícias, que até hoje agem na Baixada. (Com Agência Brasil)
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