domingo, 12 de abril de 2015

CONDENADO DO MENSALÃO PODE
ACEITAR DELAÇÃO NO PETROLÃO 
O ex deputado Pedro Côrrea (PP-PE) poderá aceitar a delação premiada e contar detalhes de sua participação no Petrolão. A afirmação é do advogado Clóvis Corrêa Filho, que representa o ex-deputado, que cumpria pena em regime semiaberto em Pernambuco, pois fora condenado no Mensalão.
"A minha sugestão é que ele faça delação premiada. Ele tem 67 anos de idade, é diabético, tem pressão alta. O caminho que ele tem é o de colaborar com a Justiça", afirmou o advogado.
A prisão preventiva de Pedro Correa foi decretada na 11ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada na última sexta-feira (10), quando a Polícia Federal (PF) recolheu documentos que provam que o ex-deputado federal pediu dinheiro ao doleiro Alberto Youssef por e-mail, visitou seus escritórios pelo menos 23 vezes e tinha movimentação financeira incompatível com seus rendimentos.
A Polícia Federal obteve um e-mail enviado por Corrêa a Youssef no qual ele informa uma relação de contas bancárias dele próprio e de pessoas ligadas a ele com os valores para depósitos, que depois se confirmaram.
O ex deputado pernambucano já havia sido condenado no chamado 'mensalão' e, segundo a PF, continuou recebendo dinheiro de Youssef mesmo quando já tinha se tornado réu no escândalo. Ele cumpria pena em regime semiaberto devido ao mensalão, mas foi transferido para a carceragem da PF em Curitiba.
Responsável pela condução das investigações, o juiz federal Sérgio Moro, de Curitiba, acredita que as provas mostram que Corrêa usou o mandato "para enriquecer ilicitamente em detrimento dos cofres públicos" e que ele usou "sua posição no Partido Progressista para o mesmo objetivo".
Moro também determinou o bloqueio dos bens de Corrêa e de outras três pessoas ligadas a ele, por meio das quais o ex-deputado teria movimentado dinheiro.
Um deles é um empregado rural de Corrêa. Segundo a PF, o funcionário recebeu mais de R$ 700 mil entre 2010 e 2014, sendo que nem sequer apresentou declaração de Imposto de Renda. Os depósitos para ele eram seguidos de saques no mesmo dia, conforme publicação do jornal Folha de São Paulo.
Um laudo feito pelos investigadores detectou incompatibilidade entre a movimentação financeira do ex-deputado e seus rendimentos. Entre 2010 e 2014, ele obteve cerca de R$ 3,3 milhões. "Para 2012, por exemplo, houve créditos de R$ 952.182,97 para rendimentos declarados de R$ 372.969,85", diz Moro.
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