quinta-feira, 19 de março de 2015

BRASIL E SUÍÇA FIRMAM PACTO
CONTRA A LAVAGEM DE DINHEIRO
 Brasil e Suíça reafirmaram nesta quarta-feira (18) o compromisso de elevar ainda mais a sólida cooperação internacional entre as duas nações. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e o procurador-geral suíço, Michael Lauber, destacaram o diálogo de alto nível entre os dois países e o interesse em aprimorar investigações de casos em comum. “Não toleramos o uso do sistema financeiros suíço para a lavagem de dinheiro e a corrupção”, afirmou Lauber em coletiva de imprensa na sede da Procuradoria-Geral da República, em Brasília.
Rodrigo Janot destacou a importância da relação com a Suíça, um dos maiores parceiros de cooperação internacional do Brasil. “Reafirmamos a excelência da cooperação técnica e profissional entre os Ministérios Públicos brasileiro e suíço, que vem se aprimorando”, afirmou o procurador-geral brasileiro. O Brasil é parceiro de longa data da Suíça na cooperação internacional. É de 1932 o primeiro tratado de extradição entre os dois países e, em 2009, o Brasil promulgou o Tratado de Cooperação Jurídica em Matéria Penal com a Confederação Suíça, celebrado em Berna, em 2004.
Atualmente, o Brasil e a Suíça colaboram na Operação Lava Jato, que investiga esquema de corrupção na Petrobras. “Destaco, nesse caso, o nível da boa cooperação, a rapidez com que parte do dinheiro já foi devolvido ao Brasil e a certeza de que vamos continuar cooperando”, afirmou Lauber. Segundo o procurador suíço, o máximo de apoio vem sendo provido aos procuradores brasileiros. “Nosso objetivo é restituir o dinheiro o mais rapidamente possível ao país. Já iniciamos a devolução de cerca 120 milhões de francos suíços, dos quais 90 milhões já estão no Brasil”, informou.

“O caso Petrobras é complexo para os dois países, o que demanda esforços mútuos para termos sucesso nas investigações”, ponderou Lauber. Até o momento, já foram bloqueados na Suíça cerca de 400 milhões de francos suíços, equivalente a R$ 1,3 bilhões de reais, em relação à Operação Lava Jato, sendo que o Ministério Público do país europeu conduz nove investigações domésticas sobre o assunto. Nas investigações, bancos já reportaram e continuam reportando atividades suspeitas dentro do sistema financeiro suíço às autoridades do país.
O secretário de cooperação internacional da PGR, Vladimir Aras, destacou outros casos investigados a partir de cooperação com a Suíça, como a investigação contra Paulo Maluf por crimes contra o sistema financeiro e a Operação Anaconda, que revelou o envolvimento de juízes e policiais em esquemas criminosos no estado de Alagoas, no início da década de 2000.
“A Procuradoria-Geral da Suíça é competente para combater a corrupção internacional e a lavagem de dinheiro. Nossos procuradores estão conduzindo várias investigações e cooperando com uma série de países com base em assistência jurídica mútua”, complementou Lauber, garantindo a independência da condução das investigações: “A Procuradoria-Geral da Suíça é um órgão independente e não sofre qualquer tipo de pressão política.”
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