ELEITOR VAI VOTAR EM URNAS
QUE NÃO FORAM TESTADAS
Antes das eleições de 2012, o
Tribunal Superior Eleitoral (TSE) convocou um grupo de pesquisadores, que tiveram apenas três dias para fazer seus
testes com eleições simuladas e com votantes fictícios, mas respeitando os
procedimentos oficiais utilizados no dia da eleição, explica o coordenador do
grupo e professor da UnB, Diego Aranha. Segundo Amilcar Brunazo Filho, engenheiro
e moderador do Fórum Voto Eletrônico, a equipe de Diego queria testar a
identificação e o desvio de votos, mas, por falta de tempo para executar os
exames, teve de focar apenas na primeira etapa.
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Segundo reportagem do portal Terra (“Tenologia”), publicado em 20 de setembro de 2012, em pouco tempo de pesquisa,
foram identificadas falhas preocupantes no programa usado nas urnas. "Já
na primeira hora de estudo do software, encontramos uma vulnerabilidade que nos
permitiu derrotar o único mecanismo implementado para proteger o sigilo do
voto", relata Aranha. A falha estava na parte do sistema responsável por
fazer o embaralhamento dos votos gravados, o que garante que a escolha do
eleitor seja secreta. "O Diego conseguiu desembaralhar os votos, e fazendo
isso é possível saber quem votou. Associado aos registros do arquivo que diz
que horas os eventos ocorreram, ele conseguiu saber que horário tal eleitor
votou", explica Brunazo Filho. Aranha ressalta que com esta metodologia
foi possível apontar com uma certeza matemática as escolhas de cada eleitor.
"Após outros testes, também descobrimos que o mesmo método pode ser
empregado para recuperar um voto específico", acrescenta.
O professor da UnB afirma que
"muitos mecanismos de segurança parecem ter sido projetados apenas para
resistir a atacantes externos, falhando quando existe uma ação de um agente
interno". Para driblar estes problemas, bastaria fazer a correção da
ferramenta de embaralhamento de votos, através de recursos presentes já na
própria urna. O engenheiro Brunazo Filho, entretanto, acredita em outra
solução. "A quebra do sigilo só é possível porque é feito no computador e
através dele é possível determinar a sequência dos votos. O problema do voto
eletrônico é que ele depende do software, então basta que haja outra forma
independente". Além disso, Brunazo Filho lembra que o sistema brasileiro é
o único que fornece informações dos eleitores ao sistema, na hora da votação, o
que compromete o sigilo.
Nos aparelhos da terceira
geração, já presentes na Argentina, as cédulas de papel carregam um chip de
radiofrequência e são inseridas em um aparelho. Em uma tela de touchscreen, o
eleitor escolhe seu candidato, e o voto é registrado em versão impressa e
eletrônica. Depois disso, o eleitor pode conferir sua escolha em uma segunda
máquina. Basta encostar o chip no leitor para ver se a foto é realmente do
candidato escolhido. "O importante é que você tenha uma segunda via que
não possa ser modificada pelo software", ressalta Brunazo.
O moderador do
Fórum Voto Eletrônico acompanhou as últimas eleições no país portenho e pode
comprovar que a contagem através dos chips torna a apuração mais rápida.
Brunazo Filho relata que as
urnas eletrônicas brasileiras já foram recusadas em alguns países, como
Alemanha e Holanda, por serem consideradas inconstitucionais. "Isso porque
o eleitor não pode conferir o seu voto", explica. Aranha enxerga um futuro
positivo e acredita que uma mudança no sistema brasileiro é possível: "Não
vejo qualquer obstáculo técnico para produzirmos tecnologia equivalente à
argentina no Brasil", completa.
Nas eleições gerais deste,
cuja campanha está atingindo um elevado grau de tensão entre os três principais
candidatos – Dilma, Marina Aécio – o TSE decidiu que não seria necessário fazer
tal verificação. Para azar dos ministros do TSE, um internauta descobriu
esta semana no YouTube um vídeo produzido por um grupo de pesquisadores da
Universidade de Princeton, relatando como é fácil alterar os resultados das
eleições com um programa espião. No vídeo, os pesquisadores demonstram que, em
menos de l minuto, é possível “inseminar” as urnas com um vídeo espião, que irá
adulterar os votos registrados na urna. A pesquisa foi feita em uma urna
fabricada pela empresa Diebold, empresa que produz as urnas fabricadas no
Brasil e o vídeo está disponível no link https://www.youtube.com/watch?v=VnH_ElxR6jY
Para quem assistiu ao escândalo da Proconsult nas
eleições de 1982, onde a empresa contratada pelo TRe/RJ para totalizar os mapas
de apuração, usou um desvio padrão – o Fator Delta – para adulterar o resultado
e beneficiando o candidato Moerieea Franco, que disputava o cargo de Governador
do Rio de Janeiro com Leonel Brizola. Alertado por amigos especializados em
informática, Brizola convocou uma entrevista coletiva e denunciou o esquema
fraudulento.
Agora, sem Brizola e sem um técnico que tenha testado e
verificado possíveis falhas nas nossas urnas, o eleitor terá que rezar para não ser lesado por um nofo Fator Delta!
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